O Parlamento venezuelano discute uma Lei de Anistia proposta pelo chavismo, abrangendo 27 anos, mas excluindo crimes graves como violações de direitos humanos, gerando preocupações sobre discricionariedade judicial.
O Parlamento da Venezuela iniciou o debate sobre uma proposta de Lei de Anistia, impulsionada pela presidente interina Delcy Rodríguez, que busca abranger 27 anos de chavismo. Contudo, a medida exclui explicitamente crimes como graves violações de direitos humanos, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, homicídio doloso, corrupção e tráfico de drogas, em conformidade com a Constituição venezuelana. Essa exclusão, embora constitucional, levanta preocupações entre especialistas sobre a vagueza do texto, que poderia abrir margem para discricionariedade do Judiciário, historicamente acusado de alinhamento com o chavismo.
A proposta surge em um momento crucial, com o Tribunal Penal Internacional investigando possíveis crimes contra a humanidade cometidos na Venezuela desde 2017, durante o governo de Nicolás Maduro. A iniciativa também coincide com um novo processo de diálogo político entre o governo e uma facção da oposição, e a libertação de centenas de presos políticos, buscando promover a reconciliação e a convivência democrática no país.