Polícias estaduais ignoram 73% dos pedidos de informação sobre armas de fogo
Estudo revela que polícias estaduais ignoram ou negam a maioria dos pedidos de informação sobre armas, indicando baixa prioridade no controle de armamentos e dificultando o combate ao tráfico.
Pontos principais
- Estudo dos institutos Igarapé e Sou da Paz aponta que 73% dos pedidos de informação sobre armas são ignorados ou negados pelas polícias estaduais entre 2021 e 2023.
- A falta de transparência impede a análise de políticas públicas locais e o rastreamento de armas, essenciais para o combate ao tráfico e o controle de arsenais.
- Nenhum estado apresentou alto nível de transparência em 2023, e apenas Tocantins, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Mato Grosso do Sul atingiram níveis médios.
- A ausência de dados sobre armas apreendidas em casos de violência doméstica é preocupante, dada a relação com homicídios de mulheres.
- A Polícia Federal assumirá a fiscalização de mais de 1,5 milhão de armas registradas por CACs a partir de julho de 2025.
Um estudo recente, conduzido pelos institutos Igarapé e Sou da Paz, revelou que as polícias estaduais ignoram ou negam 73% dos pedidos de informação relacionados ao controle de armas de fogo. A pesquisa, que analisou solicitações feitas via Lei de Acesso à Informação (LAI) entre 2021 e 2023, abrangeu as polícias Civil, Científica e Militar, e indica que o controle de armamentos não é uma prioridade para os estados brasileiros. Apenas 21% dos pedidos foram respondidos integralmente, enquanto 8% tiveram respostas parciais, evidenciando um cenário de baixa transparência na maioria dos estados.
Essa falta de acesso a dados cruciais impede a análise eficaz de políticas públicas locais e o rastreamento de armas, fatores essenciais para o combate ao tráfico e o controle de arsenais policiais. A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, destaca a falta de produção de dados e o baixo investimento em delegacias especializadas como evidências dessa baixa prioridade. A situação é ainda mais preocupante em relação à ausência de dados sobre armas apreendidas em casos de violência doméstica, dado o papel das armas em homicídios de mulheres. A partir de julho de 2025, a Polícia Federal assumirá a fiscalização de mais de 1,5 milhão de armas registradas por Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs), o que pode trazer novos desafios e a necessidade de maior colaboração e transparência entre as instituições.
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