Estudo revela que polícias estaduais ignoram ou negam a maioria dos pedidos de informação sobre armas, indicando baixa prioridade no controle de armamentos e dificultando o combate ao tráfico.
Um estudo recente, conduzido pelos institutos Igarapé e Sou da Paz, revelou que as polícias estaduais ignoram ou negam 73% dos pedidos de informação relacionados ao controle de armas de fogo. A pesquisa, que analisou solicitações feitas via Lei de Acesso à Informação (LAI) entre 2021 e 2023, abrangeu as polícias Civil, Científica e Militar, e indica que o controle de armamentos não é uma prioridade para os estados brasileiros. Apenas 21% dos pedidos foram respondidos integralmente, enquanto 8% tiveram respostas parciais, evidenciando um cenário de baixa transparência na maioria dos estados.
Essa falta de acesso a dados cruciais impede a análise eficaz de políticas públicas locais e o rastreamento de armas, fatores essenciais para o combate ao tráfico e o controle de arsenais policiais. A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, destaca a falta de produção de dados e o baixo investimento em delegacias especializadas como evidências dessa baixa prioridade. A situação é ainda mais preocupante em relação à ausência de dados sobre armas apreendidas em casos de violência doméstica, dado o papel das armas em homicídios de mulheres. A partir de julho de 2025, a Polícia Federal assumirá a fiscalização de mais de 1,5 milhão de armas registradas por Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs), o que pode trazer novos desafios e a necessidade de maior colaboração e transparência entre as instituições.