A Human Rights Watch (HRW) recomenda que o Brasil adote novas estratégias contra o crime organizado, focando em inteligência e proteção dos direitos humanos.
A Human Rights Watch (HRW) emitiu um alerta contundente, afirmando que o Brasil necessita de uma mudança estratégica urgente no combate à infiltração do crime organizado no Estado. Segundo o relatório mundial de 2026 da organização, a abordagem atual, muitas vezes focada em operações militares, tem se mostrado ineficaz e prejudicial, aumentando a violência policial e colocando em risco tanto a população quanto os próprios agentes de segurança. César Muñoz, diretor da HRW no Brasil, ressaltou a gravidade da situação, apontando para a cooptação de agentes públicos e políticos por facções, o que corrompe as instituições por dentro. A condenação de policiais militares por segurança ilegal a um delator do PCC em São Paulo é citada como exemplo dessa conexão.
Para reverter esse cenário, a HRW propõe um modelo baseado em ciência e dados, com investigações aprofundadas e uso de inteligência para desmantelar as facções. A organização enfatiza a necessidade de proteger os direitos humanos da população e dos policiais, além de melhorar a coordenação entre os órgãos federais e estaduais. A relevância dessas recomendações é sublinhada por relatórios recentes que detalham a atuação do PCC em setores econômicos estratégicos, como transporte público, mercado de combustíveis e lavagem de dinheiro via fundos de investimento, evidenciando a sofisticação e o alcance do crime organizado no país. A HRW alerta que, sem mudanças estruturais, o crime organizado continuará a gerar altos custos para o Estado, a economia e a credibilidade institucional do país.