A maioria dos empregos industriais no Brasil está agora no interior, impulsionada por custos operacionais mais baixos, apesar da desindustrialização geral do país.
A indústria brasileira tem passado por uma significativa mudança geográfica, com a maioria dos empregos industriais concentrada agora no interior do país. Em 2022, 54,4% desses postos de trabalho estavam fora das capitais, um contraste marcante com 1985, quando dois terços dos empregos industriais se localizavam nas grandes cidades. Essa interiorização é impulsionada principalmente pela busca por custos operacionais mais baixos, como terrenos e mão de obra, além da 'guerra fiscal' entre diferentes níveis de governo, que oferece incentivos para atrair investimentos.
Empresas de grande porte, como Heineken e GWM, estão liderando essa tendência, investindo em cidades do interior e, consequentemente, gerando empregos e melhorando a qualidade de vida dos trabalhadores locais. Contudo, essa 'neoindustrialização' no interior não tem sido suficiente para reverter o processo de desindustrialização que o Brasil enfrenta há décadas, com a participação da indústria no emprego total caindo de 27,7% para 15,1% entre 1986 e 2022. Especialistas apontam a necessidade de políticas que incentivem a modernização dos parques industriais e o desenvolvimento de polos mais complexos no interior, com foco em logística e cadeias produtivas, para impulsionar o crescimento econômico.