O orçamento da França para 2026, aprovado após um processo parlamentar conturbado, destinará mais recursos para a defesa, enquanto o governo busca equilibrar as contas públicas e faz concessões políticas.
O orçamento da França para 2026, que deve ser aprovado em breve, marca um ponto de virada na política fiscal e de defesa do país. Após um processo parlamentar tumultuado, que incluiu o uso de um dispositivo constitucional para contornar votações, o governo de Emmanuel Macron conseguiu avançar com seus planos. A principal medida é o aumento significativo dos gastos militares, com 6,7 bilhões de euros adicionais destinados ao Ministério da Defesa para investimentos em submarinos, veículos blindados e mísseis, além da criação de um serviço militar voluntário. Essa prioridade reflete a crescente preocupação de Macron com a política externa e a defesa europeia, em um cenário de ameaças globais e críticas indiretas às políticas de Donald Trump.
Paralelamente ao reforço militar, o governo francês enfrenta o desafio de reduzir o déficit público para 5% do PIB em 2026, atendendo às exigências da União Europeia e agências de rating. Para isso, foram implementadas medidas como o aumento de impostos para empresas, incluindo uma taxa extra sobre grandes lucros, que deve arrecadar 7,3 bilhões de euros. A aprovação do orçamento também exigiu concessões políticas, como a suspensão da reforma da Previdência, evidenciando a complexidade de governar um Parlamento fragmentado e a necessidade de equilibrar diferentes interesses para garantir a estabilidade fiscal e a segurança nacional.