A geopolítica deixou de ser periférica e agora influencia diretamente as decisões de investimento, o acesso a mercados e o custo de capital para startups em um cenário global de maior instabilidade.
A geopolítica transformou-se em um pilar fundamental para startups e investidores, deixando de ser um fator secundário para integrar o cerne das decisões econômicas e empresariais. Em um ambiente global de crescente instabilidade e imprevisibilidade, disputas comerciais, tensões diplomáticas e mudanças regulatórias impactam diretamente o cálculo de risco, o custo de capital e o acesso a mercados para empresas de tecnologia. O Fórum Econômico Mundial, inclusive, aponta o confronto geoeconômico como o principal risco global para 2026, superando conflitos e eventos climáticos.
Essa mudança estrutural no cenário econômico global, acentuada pela emergência da China e o acirramento das tensões geopolíticas, especialmente em áreas como semicondutores, cloud e inteligência artificial, tem reconfigurado os fluxos de capital. Observa-se uma concentração de investimentos em venture capital nos Estados Unidos, particularmente em inteligência artificial, enquanto a China enfrenta uma retração significativa de capital devido à maior interferência estatal e insegurança institucional, evidenciando como as dinâmicas geopolíticas moldam o futuro da inovação e do investimento global.