Um relatório do BIS aponta que a alta dívida pública global está dificultando a distinção entre as políticas fiscal e monetária, tornando as decisões sobre taxas de juros cruciais para o espaço fiscal dos governos e gerando pressões políticas.
Um relatório recente do Banco de Compensações Internacionais (BIS) destaca que a crescente dívida pública global está borrando os limites tradicionais entre as políticas fiscal e monetária. Com grandes volumes de dívida soberana, as decisões sobre taxas de juros pelos bancos centrais agora têm um impacto direto e significativo no espaço fiscal dos governos. Isso ocorre porque custos de empréstimos mais elevados aumentam as despesas governamentais com juros, tornando mais caro o combate à inflação e podendo reduzir a eficácia da resposta monetária, criando um viés inflacionário.
Essa situação é agravada por pressões inflacionárias persistentes, impulsionadas por fatores geopolíticos e demográficos. O estudo aponta que, nos Estados Unidos, as despesas líquidas com juros da dívida federal devem se aproximar de US$ 1 trilhão no ano fiscal de 2024–2025, superando os gastos com defesa. O BIS também ressalta a crescente pressão política sobre os bancos centrais, exemplificada por figuras como Donald Trump, para que reduzam as taxas de juros, visando aliviar os custos de financiamento do governo, o que pode comprometer a independência e a eficácia da política monetária.