A ANP decretou a interdição total da refinaria Refit, no Rio de Janeiro, por risco grave de incêndio, falhas críticas de segurança, incluindo um tanque 'invisível', e investigações de corrupção.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) decretou a interdição total da refinaria Refit, localizada no Rio de Janeiro. A medida foi imposta após uma nova inspeção constatar um Risco Grave Iminente (RGI) de incêndio nas instalações, com falhas substanciais em barreiras preventivas e mitigadoras que poderiam levar a fatalidades. Entre as descobertas alarmantes, relatórios técnicos da ANP detalharam que um tanque de 22 milhões de litros (F-201B) foi desconsiderado no cálculo do Sistema Fixo de Combate a Incêndio, criando um déficit de quase 40% na capacidade de água para apagar um eventual fogo. Além disso, o plano de emergência da Refit exporia brigadistas a níveis de radiação térmica duas vezes maiores que o limite de segurança.
A Refit, que já operava sob interdição parcial desde outubro do ano anterior, agora deve remover todo o material inflamável, sendo a movimentação de produtos combustíveis permitida apenas para esta finalidade. Além dos graves riscos de segurança, a interdição total adiciona um novo capítulo à conturbada história da Refit, que está sob investigação pela operação Poço de Lobato por um esquema bilionário de corrupção e sonegação de impostos. A empresa é acusada de dever R$ 10 bilhões ao estado do Rio de Janeiro e de movimentar mais de R$ 70 bilhões em um ano, com o Grupo Refit, comandado por Ricardo Magro, sendo considerado um dos maiores devedores de ICMS e impostos federais, com um prejuízo estimado de R$ 26 bilhões aos cofres públicos.