A saída do CEO global da Heineken ocorre em meio a um cenário desafiador no mercado cervejeiro brasileiro, com queda de volumes e questionamentos sobre a sustentabilidade dos investimentos da empresa no país.
A Heineken enfrenta um momento de pressão no mercado brasileiro, que se reflete na recente troca de seu CEO global, Dolf van den Brink. O setor cervejeiro no Brasil registrou uma queda significativa de 6,5% a 7% no consumo em volume de janeiro a setembro de 2025, impactado por fatores como menos dias de sol, temperaturas mais baixas, poucos feriados e a crescente competição por gastos discricionários, como apostas esportivas. Essa retração no mercado local se soma à queda de 4,3% no volume global de cerveja da Heineken no terceiro trimestre de 2025, com as Américas apresentando uma retração ainda maior, de 7,4%.
Diante desse cenário, analistas do mercado questionam a estratégia de expansão de capacidade da Heineken no Brasil. Embora a empresa tenha retomado reajustes de preços em julho de 2025 após um período de congelamento, a sustentabilidade dos investimentos em um contexto de volumes fracos levanta preocupações sobre o retorno esperado. A expectativa para 2026 é de uma melhora gradual no setor, impulsionada por eventos como a Copa do Mundo e um clima mais quente, mas sem uma recuperação rápida do volume de consumo.