Zhang Youxia, um general chinês e ex-aliado próximo de Xi Jinping, foi demitido e está sob investigação por acusações de vazamento de informações nucleares para os EUA, corrupção e abuso de poder. Sua queda faz parte de um expurgo militar mais amplo, que incluiu a demissão de outros oficiais de alto escalão, gerando uma "grande lacuna de liderança" na Comissão Militar Central. Este movimento, um dos mais agressivos desde a era Mao Tsé-tung, levanta questões sobre a capacidade bélica da China e a consolidação do poder de Xi Jinping.
Zhang Youxia é um general chinês que, até recentemente, era considerado o militar mais influente da China e um dos aliados mais próximos do presidente Xi Jinping. Atualmente, ele foi demitido e está sob investigação por acusações que incluem vazamento de informações sigilosas sobre o programa nuclear chinês para os Estados Unidos, corrupção e abuso de poder. Sua queda, juntamente com a de outros oficiais de alto escalão, representa um dos movimentos mais agressivos de desmonte da cúpula militar chinesa desde a era Mao Tsé-tung, gerando questionamentos sobre a capacidade bélica do país e deixando uma "grande lacuna de liderança" no Exército de Libertação Popular.
Contexto histórico e desenvolvimento
Zhang Youxia, de 75 anos, pertence ao grupo dos "princelings", descendentes de líderes revolucionários, sendo seu pai um companheiro de luta do pai de Xi Jinping. Ele ocupou posições de destaque nas Forças Armadas chinesas, incluindo o comando da Região Militar de Shenyang entre 2007 e 2012 e, posteriormente, um papel central na Comissão Militar Central, o órgão máximo de decisão militar do país. Ele também supervisionou a área de pesquisa, desenvolvimento e compras de equipamentos militares.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Defesa da China anunciou a abertura de uma investigação contra Zhang por “graves violações da disciplina partidária e das leis do Estado”. As acusações, detalhadas em um briefing interno de alto nível, incluem aceitar subornos em troca de promoções militares, usar sua posição para formar redes de influência política e, mais sensivelmente, vazar dados técnicos centrais sobre armas nucleares chinesas para os Estados Unidos. Parte das evidências teria surgido da investigação contra Gu Jun, ex-presidente da estatal China National Nuclear Corp, também sob apuração por suspeitas semelhantes. Rumores variados sobre os motivos das demissões incluem conspiração para um golpe e lutas internas entre facções.
A investigação contra Zhang Youxia está ligada à ascensão e queda do ex-ministro da Defesa Li Shangfu, expulso do partido em 2024 por corrupção, com Zhang sendo acusado de facilitar sua promoção em troca de subornos. Como parte da ofensiva, Xi Jinping autorizou uma força-tarefa para reexaminar o período em que Zhang comandou a Região Militar de Shenyang. A investigação faz parte de um expurgo mais amplo iniciado em 2023, que afastou dezenas de oficiais de diversas forças militares chinesas. A demissão de Zhang Youxia, vice-presidente da Comissão Militar Central, e de Liu Zhenli, deixou o grupo, que geralmente é composto por cerca de sete pessoas, reduzido a apenas dois membros: Xi Jinping e o general Zhang Shengmin. Essa situação é considerada sem precedentes e levanta preocupações sobre a liderança militar chinesa. A campanha anticorrupção de Xi Jinping é vista por alguns como uma forma de eliminar rivais políticos e consolidar seu controle, mas pode gerar um clima de suspeita e decisões cautelosas nas Forças Armadas. A perda de Zhang Youxia é significativa, pois ele era um dos poucos oficiais superiores do Exército Popular de Libertação com experiência em combate.
Linha do tempo
2007-2012: Zhang Youxia comanda a Região Militar de Shenyang.
2023: Início de um expurgo que afasta dezenas de oficiais militares chineses.
2024 (anteriormente): Ex-ministro da Defesa Li Shangfu é expulso do partido por corrupção.
22 de janeiro de 2026: Ministério da Defesa da China anuncia investigação contra Zhang Youxia por “graves violações da disciplina partidária e das leis do Estado”.
27 de janeiro de 2026: General Zhang Youxia é demitido de seu cargo de vice-presidente da Comissão Militar Central, juntamente com Liu Zhenli.
Principais atores
Zhang Youxia: General chinês, ex-militar mais influente da China, demitido e atualmente sob investigação.
Xi Jinping: Presidente da China, aliado próximo de Zhang Youxia até a investigação, agora um dos dois membros restantes da Comissão Militar Central.
Gu Jun: Ex-presidente da China National Nuclear Corp, também sob investigação por suspeitas semelhantes às de Zhang.
Li Shangfu: Ex-ministro da Defesa chinês, expulso do partido por corrupção, cuja promoção teria sido facilitada por Zhang.
Liu Zhenli: Chefe do Estado-Maior Conjunto, demitido e também sob investigação.
Zhang Shengmin: General, único oficial de carreira em atividade na Comissão Militar Central com perfil político e disciplinar, e um dos dois membros restantes da comissão.
Comissão Militar Central: Órgão máximo de decisão das Forças Armadas chinesas, onde Zhang Youxia atuava e que agora está reduzida a apenas dois membros.
Estados Unidos: País supostamente receptor de informações nucleares vazadas.
Termos importantes
Princelings: Termo usado para se referir aos descendentes de líderes revolucionários chineses.
Comissão Militar Central: Principal órgão de comando das Forças Armadas da República Popular da China.
China National Nuclear Corp: Estatal chinesa responsável pelos programas nuclear civil e militar do país.
Região Militar de Shenyang: Uma das antigas sete regiões militares da China, comandada por Zhang Youxia.
Grave violação da disciplina partidária e das leis do Estado: Acusação formal usada pelo Partido Comunista Chinês para iniciar investigações contra membros por corrupção ou outros delitos.