Relações Brasil-EUA
Adicionado evento de 20/02/2026 sobre a declaração de Alckmin acerca da nova tarifa global dos EUA, detalhada a decisão da Suprema Corte sobre as tarifas anteriores, e incluídas informações sobre setores beneficiados e o impacto econômico.
As relações entre Brasil e Estados Unidos são caracterizadas por uma complexa interação de interesses comerciais, políticos e de segurança. Historicamente, os dois países mantêm laços diplomáticos significativos, mas também enfrentam divergências em temas como comércio, política multilateral e questões regionais. Recentemente, discussões entre chanceleres e presidentes têm focado em cooperação econômica, segurança regional e a busca por soluções para impasses comerciais, como a taxação de produtos brasileiros e o desconforto brasileiro com a criação do Conselho da Paz. O Brasil busca, em particular, resolver as tarifas sobre produtos como aço, máquinas e pesca, além de firmar um acordo para combater o crime organizado transnacional e o fluxo de dinheiro ilegal para os EUA. O presidente Lula tem manifestado interesse em negociar diretamente com o presidente Trump questões relacionadas a minerais críticos e comércio, defendendo a soberania brasileira na transformação e exportação desses recursos, sem aceitar imposições. Os Estados Unidos também veem o Brasil como um parceiro estratégico fundamental na área de minerais críticos, com interesse em financiar projetos de mineração, processamento e refino, buscando diversificar as cadeias de suprimentos globais. Apesar de uma nova tarifa global de 10% anunciada pelos EUA em fevereiro de 2026, o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, avalia que o cenário atual é mais favorável para o Brasil do que o auge do "tarifaço" anterior, abrindo oportunidades para investimentos recíprocos e ampliação do fluxo comercial. Especialistas avaliam que a derrubada das tarifas anteriores pode favorecer a retomada das exportações brasileiras e reduzir pressões inflacionárias nos Estados Unidos, ao baratear produtos importados.
As relações Brasil-EUA têm sido marcadas por períodos de aproximação e tensão. Em agosto de 2025, o governo dos EUA, sob a presidência de Donald Trump, impôs uma taxação de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros, com exceção de aproximadamente 700 itens. Embora parte dessa taxação tenha sido derrubada após encontros entre os presidentes Lula e Trump, produtos como máquinas, móveis e calçados ainda permanecem com taxação extra, sendo este um pano de fundo constante nas discussões bilaterais. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte norte-americana considerou ilegais as tarifas impostas por Trump em abril do ano anterior, afirmando que a definição de tarifas é competência do Congresso dos EUA. A decisão, por seis votos a três, anulou parte relevante do chamado "tarifaço", que impunha uma alíquota global de 10% e uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, totalizando 50% em alguns casos. Em resposta, Trump anunciou que recorrerá a outros instrumentos legais para manter a política de taxação e confirmou a criação de uma tarifa global de 10% sobre importações de todos os países. O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, avaliou que, apesar da nova tarifa global, o Brasil foi um dos mais prejudicados pela fórmula anterior conhecida como “10+40” (tarifa global de 10% com sobretaxa adicional de 40%), e que o cenário atual é mais favorável. Segundo ele, o percentual de exportações brasileiras sujeitas a sobretaxas caiu de 37% para 22%. Alckmin ressaltou que, como a nova taxa será aplicada a todos os países exportadores, o Brasil permanece em igualdade de condições no mercado norte-americano, não perdendo competitividade. Setores como máquinas, motores, madeira, pedras ornamentais, café solúvel e frutas podem se beneficiar com a redução das barreiras anteriores. A Seção 232, dispositivo que trata de importações consideradas sensíveis à segurança nacional dos EUA (como aço e alumínio), não foi atingida pela nova tarifa global e ainda pode ter desdobramentos jurídicos. O Brasil busca uma solução para as tarifas que ainda afetam setores como aço, algumas máquinas e pesca. As negociações para rever o "tarifaço" agora envolvem também o entendimento na área de minerais e terras raras, com os EUA buscando um acordo comercial sólido que inclua esses recursos estratégicos. O presidente Lula tem enfatizado a importância de negociar esses temas diretamente com o presidente Trump, com foco na defesa dos interesses nacionais e na soberania brasileira sobre seus recursos. Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 37,7 bilhões, o equivalente a 10,8% do total vendido pelo Brasil ao exterior.
Em janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump conversaram por telefone, abordando temas como a reforma do Conselho de Segurança da ONU e a situação na Venezuela. Lula defendeu a manutenção da paz na região e a cooperação no combate ao crime organizado transnacional, incluindo o congelamento de ativos e o intercâmbio de informações financeiras. A segurança regional é uma prioridade para Trump, que aumentou a presença militar na região, culminando no sequestro do então presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026. A visita de Lula a Washington, acordada nesse telefonema por iniciativa do presidente brasileiro, tem como um dos objetivos principais firmar um acordo com os EUA para combater o crime organizado e rastrear dinheiro e bens provenientes de operações ilegais que chegam aos EUA.
Em 31 de janeiro de 2026, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversaram por telefone para discutir comércio exterior, cooperação em segurança e detalhes da visita de Lula a Washington, prevista para março de 2026. A conversa também abordou o desconforto brasileiro com a criação do Conselho da Paz, idealizado e presidido por Trump para gerir o futuro da Faixa de Gaza, uma iniciativa que Lula criticou, defendendo a primazia da ONU em questões multilaterais. Um novo contato entre os chanceleres ocorreu em 1º de fevereiro de 2026, reiterando os temas de comércio e segurança, e a preparação para a visita presidencial.
Os Estados Unidos consideram o Brasil um parceiro estratégico na construção de cadeias de suprimentos resilientes e seguras de minerais críticos. O secretário de Estado adjunto dos EUA para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais, Caleb Orr, afirmou em fevereiro de 2026 que Washington tem grande interesse em financiar projetos em todo o território brasileiro, incluindo as etapas de processamento e refino. Orr citou empreendimentos em Goiás, como Serra Verde e Clara, voltados à produção de terras raras, e mencionou que a Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC) prevê um financiamento de US$ 565 milhões para o projeto Serra Verde. A proposta americana visa que o refino e o processamento de minerais críticos ocorram em locais economicamente viáveis, dentro de uma lógica de diversificação global. O Brasil, com suas ricas reservas de terras raras, lítio e outros minerais estratégicos, é visto como um ator relevante, e o governo brasileiro busca investimentos em toda a cadeia produtiva para agregar valor à produção nacional. A participação brasileira em uma reunião ministerial sobre minerais críticos em Washington, organizada pelo secretário de Estado Marco Rubio, foi vista como um sinal positivo para o aprofundamento da cooperação bilateral.
O presidente Lula, durante entrevista na Índia em 20 de fevereiro de 2026, reiterou o desejo de negociar a questão dos minerais críticos e terras raras diretamente com o presidente Trump. Ele enfatizou que o Brasil possui vastas reservas e busca que o processo de transformação desses minerais seja realizado e exportado a partir do próprio país, sem aceitar imposições de venda ou exclusividade. O Brasil, que detém a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, busca atrair parceiros globais para pesquisa, processamento e refino, mas sem se vincular a acordos de exclusividade, como desejado pelos Estados Unidos. A posição brasileira é de tratar os Estados Unidos da mesma forma que outros países, sem favoritismos e com foco na defesa dos interesses nacionais.