O racismo alimentar tem raízes históricas profundas, onde a comida é utilizada como ferramenta para marginalizar e inferiorizar grupos étnicos. O termo "curry", por exemplo, foi associado a um "cheiro" de comunidades marginalizadas e se tornou um termo pejorativo para se referir a indianos. A discriminação alimentar não se restringe a países ocidentais; na Índia, pessoas de castas desfavorecidas e de estados do nordeste enfrentam preconceito por seus hábitos alimentares, com alimentos não vegetarianos sendo proibidos em algumas instituições por serem considerados "impuros".
Em setembro de 2023, Aditya Prakash, um estudante de doutorado indiano na Universidade do Colorado Boulder, foi repreendido por um funcionário da universidade por aquecer seu almoço de palak paneer (um prato indiano) em um micro-ondas compartilhado, sob a alegação de que a comida exalava um odor "pungente". Prakash questionou a existência de uma regra sobre alimentos "pungentes" e foi informado de que sanduíches não eram considerados, mas curry sim. Após o incidente, ele e sua noiva, Urmi Bhattacheryya, também doutoranda, alegaram ter sofrido uma série de retaliações por parte da universidade, incluindo a perda de financiamento de pesquisa, funções de docência e orientadores de doutorado.
Em maio de 2025, Prakash e Bhattacheryya entraram com uma ação judicial por direitos civis contra a universidade, alegando tratamento discriminatório e um "padrão de retaliação crescente". O caso recebeu ampla cobertura da imprensa na Índia, gerando um debate sobre o racismo alimentar em países ocidentais e levando muitos indianos a compartilhar suas próprias experiências de ridicularização. Em setembro de 2025, a universidade chegou a um acordo com os estudantes, concedendo-lhes os diplomas e pagando uma indenização de US$ 200 mil (cerca de R$ 1 milhão), embora tenha negado qualquer responsabilidade e proibido os estudantes de retornarem à instituição.