Protestos Irã 2025-2026
Adicionado evento de 09/01/2026 sobre a queixa formal do Irã à ONU acusando os EUA de interferência e violação do direito internacional ao incitar os protestos.
Os protestos no Irã em 2026 referem-se a uma série de manifestações que eclodiram no país a partir de dezembro de 2025, impulsionadas principalmente por uma grave crise econômica, inflação elevada superior a 40% e o aumento do custo de vida, com o rial iraniano perdendo metade de seu valor em relação ao dólar. As manifestações, que se espalharam por mais de 100 cidades e 25 das 31 províncias, resultaram em confrontos entre manifestantes e forças de segurança, com pelo menos 45 manifestantes mortos reportados pela Iran Human Rights (IHR), incluindo oito menores, além de membros das forças de segurança, centenas de feridos e mais de 2 mil detidos. O governo iraniano, liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian e pelo líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, reconheceu as reivindicações, mas ampliou medidas repressivas, incluindo a imposição de um apagão total de internet e rede telefônica em escala nacional, confirmado pela Netblocks. Khamenei, em seu primeiro pronunciamento sobre os protestos em 9 de janeiro de 2026, chamou os manifestantes de "vândalos" e "sabotadores", acusou-os de agir para agradar o presidente dos EUA Donald Trump e afirmou que o governo não recuaria. No mesmo dia, o Irã elevou a tensão diplomática ao enviar uma comunicação oficial à ONU responsabilizando formalmente os Estados Unidos pelas agitações internas. A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, manifestou preocupação, com Trump ameaçando "atingir muito duramente" o Irã em caso de violência letal contra manifestantes.
A crise econômica no Irã tem raízes profundas, agravadas pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos em 2018, após a saída do então presidente Donald Trump do acordo nuclear internacional. Em 2025, com o retorno de Trump à Casa Branca, a política de pressão máxima contra o Irã foi retomada, e sanções adicionais foram impostas pelas Nações Unidas em setembro do mesmo ano. A situação foi ainda mais complicada por um conflito com Israel em junho de 2025, que incluiu ataques a alvos ligados ao programa nuclear iraniano, e pelos bombardeios americanos contra instalações nucleares.
Este cenário levou a uma inflação anual superior a 40% e à desvalorização do rial iraniano, que perdeu cerca de metade do seu valor em relação ao dólar em 2025, atingindo uma mínima histórica. O descontentamento popular também foi alimentado pela percepção de desigualdade e denúncias de corrupção. Inicialmente focados na economia, os protestos evoluíram para demandas de renúncia do líder supremo Ali Khamenei, com slogans como "é a batalha final, Pahlavi voltará" e "Seyyed Ali será destituído". Em 29 de dezembro de 2025, comerciantes iniciaram uma paralisação em Teerã, e as manifestações se intensificaram, espalhando-se com o apoio de estudantes e outros grupos sociais. Em resposta à pressão externa e interna, o governo iraniano buscou apoio internacional na ONU em janeiro de 2026, alegando que Washington viola princípios fundamentais do direito internacional e ameaça a paz global ao interferir em assuntos domésticos.