Protestos Irã 2025-2026
Adicionado evento de 26/01/2026 sobre a chegada de forças militares dos EUA à região e atualizadas as estatísticas de mortos e detidos da HRANA em 27/01/2026, incluindo a contestação do governo iraniano.
Os protestos no Irã em 2026 referem-se a uma série de manifestações que eclodiram no país a partir de dezembro de 2025, impulsionadas principalmente por uma grave crise econômica, inflação elevada superior a 40% e o aumento do custo de vida, com o rial iraniano perdendo metade de seu valor em relação ao dólar. Os protestos começaram especificamente no Grande Bazar de Teerã devido a queixas econômicas e rapidamente se tornaram políticos, espalhando-se por todo o país. Consideradas as maiores demonstrações contra o regime desde 2009, e as maiores em décadas, as manifestações espalharam-se por mais de 100 cidades e 25 das 31 províncias. O conflito resultou em confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, com o número de mortos atingindo pelo menos 2.677 pessoas (segundo o grupo de direitos humanos HRANA em 16 de janeiro), incluindo 2.478 manifestantes e 163 pessoas ligadas ao governo, além de centenas de feridos e mais de 19.000 detidos. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA) reportou 2.571 mortes confirmadas até 15 de janeiro, incluindo 2.403 manifestantes, 147 pessoas ligadas ao governo, 12 menores de 18 anos e nove civis não participantes dos protestos, embora a verificação independente desses dados seja difícil devido à interrupção das comunicações. Um membro do governo iraniano, falando à agência Reuters em 13 de janeiro, afirmou que cerca de 2.000 pessoas morreram na repressão aos protestos. Em 17 de janeiro, o líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, reconheceu pela primeira vez que os protestos resultaram em "milhares" de mortos. Uma ONG reportou que o número de mortos subiu para mais de 3.400. Em 18 de janeiro, uma fonte do governo iraniano informou à Reuters que o número de mortos havia chegado a aproximadamente 5.000. O canal de oposição Iran International, com sede no exterior, chegou a anunciar 12.000 mortes, citando autoridades do governo e fontes de segurança. A HRANA, em 27 de janeiro, atualizou o número de mortos para 6.126 pessoas, incluindo 5.777 manifestantes, 86 menores, 214 integrantes das forças de segurança e 49 transeuntes, além de registrar mais de 41.800 detenções. O governo iraniano, por sua vez, contesta esses números, afirmando que, das 3.117 mortes registradas até o momento, 2.427 eram civis e membros das forças de segurança, e os demais eram "terroristas". A repressão promovida pelo Irã parece ter contido os protestos, com moradores e grupos de direitos humanos relatando uma diminuição na intensidade das manifestações, mas com uma forte presença militar e de segurança. A mídia estatal informou novas prisões em 16 de janeiro. O governo iraniano, liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian e pelo líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, reconheceu as reivindicações, mas ampliou medidas repressivas, incluindo a imposição de um apagão total de internet e a ameaça explícita de aplicação da pena de morte aos manifestantes detidos, com a primeira execução confirmada em 14 de janeiro. No entanto, em 15 de janeiro, a Justiça iraniana afirmou que o manifestante Erfan Soltani não foi condenado à pena de morte, e sua execução foi adiada. Em 16 de janeiro, Trump declarou que as execuções foram suspensas no país. Países do Golfo também solicitaram contenção militar por parte dos Estados Unidos. Khamenei chamou os manifestantes de "inimigos do Irã" e, em 17 de janeiro, acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de incitar os protestos mortais, considerando-o um "criminoso" pelas mortes, danos e calúnias infligidas à nação iraniana, conforme divulgado pela mídia estatal. Ele descreveu os manifestantes como "soldados rasos" dos Estados Unidos, que destruíram mesquitas e centros educacionais. Nesta mesma data, Khamenei afirmou que as autoridades "têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes". Esta acusação reflete a crescente tensão nas relações entre Irã e Estados Unidos. O governo iraniano cortou a internet desde 8 de janeiro, dificultando a verificação dos dados e a comunicação, embora a ONG Netblocks tenha detectado uma pequena retomada da atividade em 18 de janeiro, com a conectividade geral permanecendo em torno de 2% dos níveis habituais. O Irã também emitiu um aviso aos EUA contra qualquer ataque em seu território, enquanto o judiciário iraniano sinaliza a possibilidade de mais execuções relacionadas aos protestos. Em resposta à repressão, um porta-aviões e um grupo de ataque dos Estados Unidos chegaram à região em 26 de janeiro para uma eventual resposta americana. A situação reflete uma escalada de tensões internas e externas para o Irã.
Como parte da campanha de repressão, as autoridades iranianas têm forçado detidos a fazer "confissões" televisionadas. A Human Rights Activists News Agency (HRANA) registrou pelo menos 240 "confissões forçadas" transmitidas pela televisão estatal nas últimas semanas, um número "sem precedentes". Essas supostas confissões são obtidas por meio de tortura psicológica e física, e os detidos aparecem confessando uma série de crimes, como agredir forças de segurança, aceitar dinheiro de elementos monarquistas ou inimigos do Irã, ou compartilhar imagens com organismos proibidos. A Anistia Internacional classifica esse material como "vídeos propagandísticos", e a relatora especial da ONU para direitos humanos no Irã, Mai Sato, afirmou que as "confissões falsas" buscam "reforçar a narrativa do Estado de que os manifestantes são criminosos perigosos". O chefe do Judiciário iraniano, Gholam-Hossein Mohseni-Eje'i, chegou a interrogar pessoalmente alguns detidos em sessões transmitidas. Essas transmissões visam fabricar legitimidade política, criar uma narrativa oficial falsa, apresentar manifestantes pacíficos como agentes violentos de influência estrangeira, dissuadir a dissidência, humilhar e destruir a credibilidade dos dissidentes, e lembrar ao público o alto custo de desafiar o Estado. Casos anteriores de confissões forçadas foram usados como única prova para condenações, inclusive em casos capitais que resultaram em execuções, como o da cidadã francesa Cecile Kohler em 2022, que foi exibida na televisão iraniana fazendo uma "confissão forçada" antes de ser condenada por espionagem.