Protestos Irã 2025-2026
Adicionado evento de 14/01/2026 sobre o fechamento do espaço aéreo iraniano para voos internacionais e atualizadas as declarações de Donald Trump e do chanceler alemão Friedrich Merz.
Os protestos no Irã em 2026 referem-se a uma série de manifestações que eclodiram no país a partir de dezembro de 2025, impulsionadas principalmente por uma grave crise econômica, inflação elevada superior a 40% e o aumento do custo de vida, com o rial iraniano perdendo metade de seu valor em relação ao dólar. Consideradas as maiores demonstrações contra o regime desde 2009, e as maiores em décadas, as manifestações espalharam-se por mais de 100 cidades e 25 das 31 províncias. O conflito resultou em confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, com o número de mortos atingindo pelo menos 3.428 pessoas (segundo o grupo de direitos humanos IHR em 14 de janeiro), incluindo 3.379 manifestantes, além de centenas de feridos e mais de 18.000 detidos. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA) reportou 2.571 mortes confirmadas até 15 de janeiro, incluindo 2.403 manifestantes, 147 pessoas ligadas ao governo, 12 menores de 18 anos e nove civis não participantes dos protestos, embora a verificação independente desses dados seja difícil devido à interrupção das comunicações. Um membro do governo iraniano, falando à agência Reuters em 13 de janeiro, afirmou que cerca de 2.000 pessoas morreram na repressão aos protestos. O governo iraniano, liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian e pelo líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, reconheceu as reivindicações, mas ampliou medidas repressivas, incluindo a imposição de um apagão total de internet e a ameaça explícita de aplicação da pena de morte aos manifestantes detidos, com a primeira execução confirmada em 14 de janeiro. No entanto, em 15 de janeiro, a Justiça iraniana afirmou que o manifestante Erfan Soltani não foi condenado à pena de morte, e sua execução foi adiada. Khamenei chamou os manifestantes de "vândalos" e "sabotadores" em 9 de janeiro, acusando-os de agir como mercenários a serviço dos EUA e de Israel. Em 12 de janeiro, Khamenei também comparou Donald Trump a um faraó, alertando sobre a "queda de tiranos". Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, declarou que o Irã está "em plena guerra", atribuindo alguns "incidentes" a orquestrações externas. O presidente Masoud Pezeshkian também acusou os EUA e Israel de "semear caos e desordem" no país, ao mesmo tempo em que buscou conciliação com a população, afirmando que o governo está pronto para "ouvir seu povo" e resolver as questões econômicas. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou em 11 de janeiro que o "nível de confronto contra os manifestantes se intensificou". O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, declarou em 12 de janeiro que a situação está "sob controle total", mas culpou as ameaças de intervenção do presidente dos EUA, Donald Trump, por motivar "terroristas" a intensificar a violência, e confirmou que o serviço de internet será retomado. Trump, por sua vez, mencionou a possibilidade de negociações para um acordo nuclear com o Irã e ameaçou "medidas muito duras" caso o Irã comece a enforcar manifestantes, além de alertar que o Irã "pagará um preço muito alto" caso execute manifestantes. Em 14 de janeiro, Trump afirmou ter sido informado de que a "matança" no Irã foi interrompida e que não há planos para novas execuções. A imprensa americana e fontes europeias indicaram que um ataque dos EUA ao Irã era iminente em meados de janeiro, com movimentações militares e alertas de viagem. O Conselho de Segurança da ONU se reunirá em 15 de janeiro para discutir a situação no Irã, a pedido dos EUA, em meio à escalada de tensões e à possibilidade de uma intervenção militar americana.
A crise econômica no Irã tem raízes profundas, agravadas pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos em 2018 e pela retomada da política de pressão máxima com o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025. Em setembro de 2025, novas sanções foram impostas pelas Nações Unidas, forçando o governo a reuniões de emergência para evitar um colapso total. A situação foi agravada por conflitos com Israel em junho de 2025 e bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.
Inicialmente focados na economia, os protestos evoluíram para demandas de renúncia do líder supremo Ali Khamenei. Em janeiro de 2026, o governo iraniano escalou a retórica jurídica e acusatória. O Ministério da Inteligência e a Guarda Revolucionária classificaram a segurança nacional como uma "linha vermelha", com a Guarda Revolucionária afirmando que proteger a segurança nacional é inegociável. Em resposta ao apagão de internet imposto pelo regime em 8 de janeiro, relatos indicam que manifestantes e médicos passaram a utilizar conexões via satélite Starlink para enviar informações ao exterior. Os protestos atuais são os maiores desde 2009 e ocorrem em um momento de enfraquecimento do Irã após a guerra com Israel e sanções da ONU, sendo comparados em magnitude aos protestos de 2022 após a morte de Mahsa Amini. A repressão, especialmente entre 8 e 10 de janeiro, foi descrita como sem precedentes, com o uso de munições letais, drones, atiradores de elite e agentes à paisana. Testemunhas relataram que as forças de segurança dispararam diretamente contra manifestantes e cidadãos comuns, com relatos de "dois ou três mortos em cada beco" em Fardis. Após a "sexta-feira sangrenta" (9 de janeiro), um medo generalizado se instalou, diminuindo a presença nas ruas, embora os cânticos continuem sendo entoados de dentro das casas e dos telhados.
Internacionalmente, o presidente Donald Trump alertou que os EUA atingirão o Irã "muito duramente" caso o regime continue a matar manifestantes, afirmando que "é melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também começaremos a atirar". Ele também advertiu os líderes iranianos de que haverá um "inferno a ser pago" se eles reprimirem o movimento de protesto. Em 10 de janeiro de 2026, Trump afirmou que o Irã está "buscando a liberdade" e que os EUA estão "prontos para ajudar". Em 13 de janeiro, Trump usou uma rede social para pedir que os iranianos continuassem protestando, afirmando que a "ajuda está a caminho", e em entrevista, disse que os EUA adotarão "medidas muito duras" caso o Irã comece a enforcar manifestantes. Trump também se dirigiu diretamente aos manifestantes, pedindo que eles guardassem os nomes "dos assassinos e dos que estão maltratando vocês", afirmando que "eles vão pagar um preço muito alto" e que "uma morte [de manifestante] já é demais". Em 14 de janeiro, Trump afirmou ter sido informado de que a "matança" no Irã foi interrompida e que não há planos para novas execuções, e pediu aos manifestantes que "tomem as instituições" e que a "ajuda está a caminho". A mídia norte-americana, como o The New York Times e o Axios, reportou que Trump considera diferentes alternativas, incluindo opções militares, para apoiar os manifestantes iranianos, embora nos bastidores, integrantes da cúpula do governo, como o vice-presidente J.D. Vance, tentem convencer Trump a priorizar uma solução diplomática. Arábia Saudita, Omã e Catar alertaram a Casa Branca de que um ataque poderia afetar o mercado de petróleo e provocar instabilidade regional. Em 11 de janeiro, Trump afirmou que o Irã havia entrado em contato para negociar um acordo nuclear, embora o chanceler iraniano não tenha comentado sobre isso. Em contrapartida, o embaixador do Irã na ONU acusou Washington de interferência interna e incitação à violência, acusações que foram negadas pelos EUA como uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime. O Departamento de Estado dos EUA classificou as acusações iranianas de "delirantes", afirmando que elas refletem uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime. Líderes da França (Emmanuel Macron), Reino Unido (Keir Starmer) e Alemanha (Friedrich Merz) divulgaram uma declaração conjunta exigindo que as autoridades iranianas protejam o direito ao protesto pacífico e a liberdade de expressão. Reino Unido, França, Alemanha e Itália convocaram seus embaixadores no Irã em protesto contra a repressão. O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou acreditar que o governo iraniano cairá, dizendo que o regime está em seus "últimos dias e semanas" e que, quando um regime só consegue se manter por meio da violência, ele está no fim. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que pretende propor novas sanções contra os responsáveis pela violência. O Irã, por sua vez, ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos Estados Unidos caso o país seja alvo de um bombardeio norte-americano, com o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, declarando em 11 de janeiro que as instalações norte-americanas e os "territórios ocupados" (Israel) seriam considerados "alvos legítimos" em caso de ataque ao Irã. Um oficial iraniano de alto escalão reiterou em 14 de janeiro que o Irã atacará bases militares dos EUA no Oriente Médio caso seja bombardeado, e os EUA começaram a evacuar soldados de algumas de suas principais bases militares na região. A retórica anti-americana foi intensificada em 12 de janeiro, quando o líder supremo Ali Khamenei comparou Trump a um faraó, alertando para a "queda de tiranos". A Rússia condenou o que chamou de "interferência externa subversiva" na política interna do Irã e afirmou que qualquer ataque americano teria "consequências desastrosas" para o Oriente Médio e para a segurança internacional. O Brasil, por meio do Itamaraty, manifestou "preocupação" e instou todos os atores a se engajarem em "diálogo pacífico, substantivo e construtivo", afirmando que "cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país". Organizações de direitos humanos, como o IHR e o CHRI, têm denunciado um "massacre" contra os manifestantes e apelado à comunidade internacional para proteger os civis contra assassinatos em massa. Em 13 de janeiro, o governo dos EUA emitiu um alerta para que todos os cidadãos americanos deixassem o Irã imediatamente, medida similar adotada por Canadá, França e Polônia. O Reino Unido fechou temporariamente sua embaixada em Teerã e pediu que cidadãos britânicos evitassem viajar para Israel. Em 14 de janeiro, a agência Reuters informou que os Estados Unidos começaram a retirar parte dos funcionários de bases militares estratégicas no Oriente Médio como medida de precaução, e dois funcionários europeus afirmaram que uma operação militar dos EUA poderia ocorrer dentro de 24 horas. O Irã fechou seu espaço aéreo para voos internacionais, com exceção de Teerã, após alertas de companhias aéreas alemãs. Uma aeronave não tripulada da Marinha dos EUA foi detectada sobrevoando a costa iraniana em 14 de janeiro. O Irã também buscou apoio de países da região para tentar impedir um ataque dos EUA e reiterou que bases americanas e israelenses seriam alvos em caso de ofensiva. O Conselho de Segurança da ONU se reunirá em 15 de janeiro para discutir a situação, a pedido dos EUA, em meio à crescente tensão.
Em janeiro de 2026, médicos de Teerã e Shiraz relataram que o sistema hospitalar entrou em colapso devido ao fluxo massivo de feridos. O Hospital Farabi, principal centro oftalmológico de Teerã, declarou estado de crise, suspendendo cirurgias não urgentes para tratar manifestantes com ferimentos graves. Relatos médicos indicam um padrão de ferimentos por arma de fogo direcionados especificamente aos olhos e à cabeça dos manifestantes. Em Shiraz, a falta de profissionais de saúde foi reportada como crítica diante do volume de pacientes levados às emergências. O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) relatou, em 12 de janeiro, que está recebendo informações de corpos sendo amontoados em hospitais, enquanto a Direitos Humanos do Irã (IHR) afirmou haver relatos de "assassinatos em massa" por parte da polícia. Necrotérios em Mashhad e Kermanshah também teriam recebido centenas de corpos, muitos com ferimentos graves na cabeça, e algumas testemunhas denunciaram que os cadáveres estavam "empilhados" e que muitos não estavam sendo entregues às famílias, com relatos de agentes de segurança exigindo o pagamento de "dinheiro pelas balas" para a liberação dos corpos. Em Rasht, 70 corpos de pessoas mortas nos protestos de 8 de janeiro foram levados ao hospital local Poursina, que não tinha capacidade para todos. Um membro da equipe de saúde de um hospital no leste de Teerã disse que cerca de 40 mortos foram levados para lá em 8 de janeiro.
O caso de Erfan Soltani, um jovem manifestante de 26 anos, ganhou destaque internacional. Inicialmente, a família e a ONG Hengaw reportaram que ele havia sido condenado à pena de morte e que sua execução estava marcada para 14 de janeiro. No entanto, em 15 de janeiro, a Justiça iraniana afirmou que Soltani não foi condenado à pena capital, mas responde às acusações de “conluio contra a segurança interna do país e atividades de propaganda contra o regime”, crimes que não preveem a pena de morte. A execução, anteriormente anunciada, foi adiada. Fontes próximas à família relataram que os parentes de Soltani estão sob extrema pressão e que um parente advogado foi impedido de atuar no caso, sendo ameaçado por agentes de segurança que afirmaram: "Não há processo para analisar. Anunciamos que qualquer pessoa presa nos protestos será executada." Pessoas próximas a Soltani afirmaram que ele não teve o direito de se defender e que seus familiares puderam visitá-lo por apenas 10 minutos.