Protestos Irã 2025-2026
Adicionado evento de 11/01/2026 sobre a discussão de intervenção no Irã entre Marco Rubio e Benjamin Netanyahu, atualização do número de mortos para 192, e inclusão das ameaças de retaliação do Irã e das declarações do presidente Pezeshkian.
Os protestos no Irã em 2026 referem-se a uma série de manifestações que eclodiram no país a partir de dezembro de 2025, impulsionadas principalmente por uma grave crise econômica, inflação elevada superior a 40% e o aumento do custo de vida, com o rial iraniano perdendo metade de seu valor em relação ao dólar. Consideradas as maiores demonstrações contra o regime desde 2009, e as maiores em décadas, as manifestações espalharam-se por mais de 100 cidades e 25 das 31 províncias. O conflito resultou em confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, com o número de mortos atingindo pelo menos 192 pessoas (incluindo manifestantes e membros das forças de segurança), além de centenas de feridos e mais de 2.300 detidos. O governo iraniano, liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian e pelo líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, reconheceu as reivindicações, mas ampliou medidas repressivas, incluindo a imposição de um apagão total de internet e a ameaça explícita de aplicação da pena de morte aos manifestantes detidos. Khamenei chamou os manifestantes de "vândalos" e "sabotadores", acusando-os de agir como mercenários a serviço dos EUA e de Israel. Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, declarou que o Irã está "em plena guerra", atribuindo alguns "incidentes" a orquestrações externas. O presidente Masoud Pezeshkian também acusou os EUA e Israel de "semear caos e desordem" no país, ao mesmo tempo em que buscou conciliação com a população, afirmando que o governo está pronto para "ouvir seu povo" e resolver as questões econômicas.
A crise econômica no Irã tem raízes profundas, agravadas pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos em 2018 e pela retomada da política de pressão máxima com o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025. Em setembro de 2025, novas sanções foram impostas pelas Nações Unidas, forçando o governo a reuniões de emergência para evitar um colapso total. A situação foi agravada por conflitos com Israel em junho de 2025 e bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas.
Inicialmente focados na economia, os protestos evoluíram para demandas de renúncia do líder supremo Ali Khamenei. Em janeiro de 2026, o governo iraniano escalou a retórica jurídica e acusatória. O Ministério da Inteligência e a Guarda Revolucionária classificaram a segurança nacional como uma "linha vermelha". Em resposta ao apagão de internet imposto pelo regime em 8 de janeiro, relatos indicam que manifestantes e médicos passaram a utilizar conexões via satélite Starlink para enviar informações ao exterior. Os protestos atuais são os maiores desde 2009 e ocorrem em um momento de enfraquecimento do Irã após a guerra com Israel e sanções da ONU, sendo comparados em magnitude aos protestos de 2022 após a morte de Mahsa Amini.
Internacionalmente, o presidente Donald Trump alertou que os EUA atingirão o Irã "muito duramente" caso o regime continue a matar manifestantes, afirmando que "é melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também começaremos a atirar". Ele também advertiu os líderes iranianos de que haverá um "inferno a ser pago" se eles reprimirem o movimento de protesto. Em 10 de janeiro de 2026, Trump afirmou que o Irã está "buscando a liberdade" e que os EUA estão "prontos para ajudar". A mídia norte-americana, como o The New York Times e o Axios, reportou que Trump considera diferentes alternativas, incluindo opções militares, para apoiar os manifestantes iranianos. Em contrapartida, o embaixador do Irã na ONU acusou Washington de interferência interna e incitação à violência, acusações que foram negadas pelos EUA como uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime. Líderes da França (Emmanuel Macron), Reino Unido (Keir Starmer) e Alemanha (Friedrich Merz) divulgaram uma declaração conjunta exigindo que as autoridades iranianas protejam o direito ao protesto pacífico e a liberdade de expressão. O Irã, por sua vez, ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos Estados Unidos caso o país seja alvo de um bombardeio norte-americano, com o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, declarando que as instalações norte-americanas seriam consideradas "alvos legítimos".
Em janeiro de 2026, médicos de Teerã e Shiraz relataram que o sistema hospitalar entrou em colapso devido ao fluxo massivo de feridos. O Hospital Farabi, principal centro oftalmológico de Teerã, declarou estado de crise, suspendendo cirurgias não urgentes para tratar manifestantes com ferimentos graves. Relatos médicos indicam um padrão de ferimentos por arma de fogo direcionados especificamente aos olhos e à cabeça dos manifestantes. Em Shiraz, a falta de profissionais de saúde foi reportada como crítica diante do volume de pacientes levados às emergências.