Protestos Irã 2025-2026
Artigo adicionado: "Protestos no Irã já registram ao menos 65 mortes e mais de 2 mil prisões, diz agência". Adicionado evento de 10/01/2026 sobre o número de mortos e prisões confirmados por agências internacionais, além de destacar a magnitude dos protestos como os maiores em décadas.
Os protestos no Irã em 2026 referem-se a uma série de manifestações que eclodiram no país a partir de dezembro de 2025, impulsionadas principalmente por uma grave crise econômica, inflação elevada superior a 40% e o aumento do custo de vida, com o rial iraniano perdendo metade de seu valor em relação ao dólar. Consideradas as maiores demonstrações contra o regime desde 2009, e as maiores em décadas, as manifestações espalharam-se por mais de 100 cidades e 25 das 31 províncias. O conflito resultou em confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, com o número de mortos ultrapassando 65 pessoas (incluindo pelo menos 50 manifestantes e 15 membros das forças de segurança), além de centenas de feridos e mais de 2.300 detidos. O governo iraniano, liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian e pelo líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, reconheceu as reivindicações, mas ampliou medidas repressivas, incluindo a imposição de um apagão total de internet e a ameaça explícita de aplicação da pena de morte aos manifestantes detidos. Khamenei chamou os manifestantes de "vândalos" e "sabotadores", acusando-os de agir como mercenários a serviço dos EUA e de Israel.
A crise econômica no Irã tem raízes profundas, agravadas pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos em 2018 e pela retomada da política de pressão máxima com o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025. Em setembro de 2025, novas sanções foram impostas pelas Nações Unidas, forçando o governo a reuniões de emergência para evitar um colapso total. A situação foi agravada por conflitos com Israel em junho de 2025 e bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas.
Inicialmente focados na economia, os protestos evoluíram para demandas de renúncia do líder supremo Ali Khamenei. Em janeiro de 2026, o governo iraniano escalou a retórica jurídica e acusatória. O Ministério da Inteligência e a Guarda Revolucionária classificaram a segurança nacional como uma "linha vermelha". Em resposta ao apagão de internet imposto pelo regime em 8 de janeiro, relatos indicam que manifestantes e médicos passaram a utilizar conexões via satélite Starlink para enviar informações ao exterior.
Internacionalmente, o presidente Donald Trump alertou que os EUA atingirão o Irã "muito duramente" caso o regime continue a matar manifestantes, afirmando que "é melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também começaremos a atirar". Ele também advertiu os líderes iranianos de que haverá um "inferno a ser pago" se eles reprimirem o movimento de protesto. Em contrapartida, o embaixador do Irã na ONU acusou Washington de interferência interna e incitação à violência. Líderes da França (Emmanuel Macron), Reino Unido (Keir Starmer) e Alemanha (Friedrich Merz) divulgaram uma declaração conjunta exigindo que as autoridades iranianas protejam o direito ao protesto pacífico e a liberdade de expressão.
Em janeiro de 2026, médicos de Teerã e Shiraz relataram que o sistema hospitalar entrou em colapso devido ao fluxo massivo de feridos. O Hospital Farabi, principal centro oftalmológico de Teerã, declarou estado de crise, suspendendo cirurgias não urgentes para tratar manifestantes com ferimentos graves. Relatos médicos indicam um padrão de ferimentos por arma de fogo direcionados especificamente aos olhos e à cabeça dos manifestantes. Em Shiraz, a falta de profissionais de saúde foi reportada como crítica diante do volume de pacientes levados às emergências.