Protestos Irã 2025-2026
Atualização com os eventos de 10/01/2026, incluindo a declaração de 'linha vermelha' da Guarda Revolucionária, o aumento do número de detidos para 2.500, a condenação conjunta de líderes europeus (França, Reino Unido e Alemanha) e as declarações de apoio de Marco Rubio.
Os protestos no Irã em 2026 referem-se a uma série de manifestações que eclodiram no país a partir de dezembro de 2025, impulsionadas principalmente por uma grave crise econômica, inflação elevada superior a 40% e o aumento do custo de vida, com o rial iraniano perdendo metade de seu valor em relação ao dólar. Consideradas as maiores demonstrações contra o regime desde 2009, as manifestações espalharam-se por mais de 100 cidades e 25 das 31 províncias. O conflito resultou em confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, com o número de mortos ultrapassando 60 pessoas, incluindo membros das forças de segurança e pelo menos oito menores de idade, além de centenas de feridos e cerca de 2.500 detidos. O governo iraniano, liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian e pelo líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, reconheceu as reivindicações, mas ampliou medidas repressivas, incluindo a imposição de um apagão total de internet e a ameaça explícita de aplicação da pena de morte aos manifestantes detidos. Khamenei chamou os manifestantes de "vândalos" e "sabotadores", acusando-os de agir como mercenários a serviço dos EUA e de Israel.
A crise econômica no Irã tem raízes profundas, agravadas pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos em 2018 e pela retomada da política de pressão máxima com o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025. Em setembro de 2025, novas sanções foram impostas pelas Nações Unidas, forçando o governo a reuniões de emergência para evitar um colapso total. A situação foi agravada por conflitos com Israel em junho de 2025 e bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas. Este cenário levou a uma inflação anual superior a 40% e à desvalorização recorde do rial, que perdeu cerca de metade de seu valor apenas em 2025.
Inicialmente focados na economia, os protestos evoluíram para demandas de renúncia do líder supremo Ali Khamenei, com slogans pedindo a destituição de "Seyyed Ali" e o retorno da dinastia Pahlavi. As manifestações de 2026 já são comparadas em escala aos protestos de 2009 e aos atos de 2022 após a morte de Mahsa Amini. Em janeiro de 2026, o governo iraniano escalou a retórica jurídica e acusatória. O Ministério da Inteligência e a Guarda Revolucionária emitiram comunicados classificando a segurança nacional como uma "linha vermelha" inegociável. Relatos indicaram ataques a locais religiosos e prédios públicos em cidades como Karaj, enquanto funerais de agentes de segurança foram realizados em Shiraz, Qom e Hamedan.
Em 9 de janeiro de 2026, Khamenei reiterou que o governo não recuaria e rebateu as ameaças de intervenção de Trump, chamando-o de "arrogante" e afirmando que as mãos do presidente americano estão "manchadas com o sangue de mais de mil iranianos". Donald Trump e o Secretário de Estado, Marco Rubio, manifestaram apoio ao povo iraniano, com Trump alertando que os EUA atingirão o Irã "muito duramente" caso o regime continue a matar manifestantes. Internacionalmente, líderes da França, Reino Unido e Alemanha divulgaram uma declaração conjunta condenando a violência estatal e a morte de civis.