Protestos Irã 2025-2026
Adicionadas informações sobre as sanções da ONU de setembro de 2025, a renúncia do presidente do Banco Central em 05/01/2026, o detalhamento do dia mais sangrento em 07/01/2026 e a ameaça de retaliação militar de Donald Trump.
Os protestos no Irã em 2026 referem-se a uma série de manifestações que eclodiram no país a partir de dezembro de 2025, impulsionadas principalmente por uma grave crise econômica, inflação elevada superior a 40% e o aumento do custo de vida, com o rial iraniano perdendo metade de seu valor em relação ao dólar. Consideradas as maiores demonstrações contra o regime desde 2009, as manifestações espalharam-se por mais de 100 cidades e 25 das 31 províncias. O conflito resultou em confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, com o número de mortos ultrapassando 60 pessoas, incluindo membros das forças de segurança e pelo menos oito menores de idade, além de centenas de feridos e mais de 2 mil detidos. O governo iraniano, liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian e pelo líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, reconheceu as reivindicações, mas ampliou medidas repressivas, incluindo a imposição de um apagão total de internet e a ameaça explícita de aplicação da pena de morte aos manifestantes detidos. Khamenei, em pronunciamento em 9 de janeiro de 2026, chamou os manifestantes de "vândalos" e "sabotadores", acusando-os de agir como mercenários a serviço dos EUA e de Israel.
A crise econômica no Irã tem raízes profundas, agravadas pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos em 2018 e pela retomada da política de pressão máxima com o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025. Em setembro de 2025, novas sanções foram impostas pelas Nações Unidas, forçando o governo a reuniões de emergência para evitar um colapso total. A situação foi agravada por conflitos com Israel em junho de 2025 e bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas. Este cenário levou a uma inflação anual superior a 40% e à desvalorização recorde do rial, que perdeu cerca de metade de seu valor apenas em 2025.
Inicialmente focados na economia, os protestos evoluíram para demandas de renúncia do líder supremo Ali Khamenei, com slogans pedindo a destituição de "Seyyed Ali" e o retorno da dinastia Pahlavi. As manifestações de 2026 já são comparadas em escala aos protestos de 2009 e aos atos de 2022 após a morte de Mahsa Amini. Em janeiro de 2026, o governo iraniano escalou a retórica jurídica e acusatória. O Ministério da Inteligência emitiu comunicados pedindo que a população identifique e denuncie "vândalos e terroristas mercenários". Relatos da agência estatal Tasnim indicaram ataques a locais religiosos, como o incêndio do santuário de Hazrat Sabzghaba em Dezful, enquanto o líder supremo denunciou a destruição de prédios públicos em Teerã.
Em 9 de janeiro de 2026, Khamenei reiterou que o governo não recuaria e rebateu as ameaças de intervenção de Trump, chamando-o de "arrogante" e afirmando que as mãos do presidente americano estão "manchadas com o sangue de mais de mil iranianos", em referência aos ataques aéreos de 2025. Donald Trump, por sua vez, alertou em entrevista que os EUA atingirão o Irã "muito duramente" caso o regime continue a matar manifestantes pacíficos.