Visão geral
Os protestos no Irã em 2026 referem-se a uma série de manifestações que eclodiram no país a partir de dezembro de 2025, impulsionadas principalmente por uma grave crise econômica, inflação elevada e o aumento do custo de vida. As manifestações, que se espalharam por diversas cidades, resultaram em confrontos entre manifestantes e forças de segurança, com registro de mortes e feridos. O governo iraniano reconheceu as reivindicações, enquanto a comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, manifestou preocupação com a situação.
Contexto histórico e desenvolvimento
A crise econômica no Irã tem raízes profundas, agravadas pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos em 2018, após a saída do então presidente Donald Trump do acordo nuclear internacional. Em 2025, com o retorno de Trump à Casa Branca, a política de pressão máxima contra o Irã foi retomada, e sanções adicionais foram impostas pelas Nações Unidas em setembro do mesmo ano. A situação foi ainda mais complicada por um conflito com Israel em junho de 2025, que incluiu ataques a alvos ligados ao programa nuclear iraniano.
Este cenário levou a uma inflação anual superior a 40% e à desvalorização do rial iraniano, que perdeu cerca de metade do seu valor em relação ao dólar em 2025, atingindo uma mínima histórica. O descontentamento popular também foi alimentado pela percepção de desigualdade e denúncias de corrupção. Em 29 de dezembro de 2025, comerciantes iniciaram uma paralisação em Teerã, e as manifestações se intensificaram, espalhando-se com o apoio de estudantes e outros grupos sociais. Os protestos de 2026 são considerados os maiores desde a "Revolução Feminina" de 2022, desencadeada pela morte de Mahsa Jina Amini.
Linha do tempo
- 2018: Reimplementação de sanções dos EUA contra o Irã.
- Junho de 2025: Conflito entre Irã e Israel.
- Setembro de 2025: Sanções impostas pelas Nações Unidas.
- Dezembro de 2025: Rial iraniano atinge mínima histórica.
- 28 de dezembro de 2025: Início dos protestos com comerciantes reclamando da economia.
- 29 de dezembro de 2025: Manifestações ganham força, com centenas de pessoas nas ruas de Teerã e outras cidades.
- 31 de dezembro de 2025: Confrontos entre manifestantes e policiais resultam na morte de um membro da milícia Basij. O governo reconhece os protestos e abre canal de diálogo.
- 1º de janeiro de 2026: Confrontos continuam, com relatos de ataque a uma delegacia na província de Lorestan, resultando em mais mortes e feridos. O número de mortos chega a sete.
- 2 de janeiro de 2026: Presidente dos EUA, Donald Trump, declara que os EUA podem intervir caso a violência letal contra manifestantes pacíficos continue.
Principais atores
- Manifestantes iranianos: Cidadãos, comerciantes e estudantes protestando contra a crise econômica e o governo.
- Governo do Irã: Liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian e pelo líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, que enfrenta as manifestações e tenta dialogar com a população.
- Forças de segurança iranianas: Incluindo a polícia e a milícia paramilitar Basij, envolvidas nos confrontos com os manifestantes.
- Estados Unidos: Sob a presidência de Donald Trump, que impôs sanções e ameaçou intervenção militar em caso de violência contra manifestantes.
- Nações Unidas: Instituição que impôs sanções ao Irã.
Termos importantes
- Rial iraniano: Moeda oficial do Irã, que sofreu forte desvalorização.
- Sanções internacionais: Restrições econômicas impostas por outros países ou organizações, como os EUA e a ONU, que impactam a economia iraniana.
- Basij: Milícia paramilitar iraniana que atua em apoio ao governo e às forças de segurança.
- Revolução Feminina: Termo usado para descrever a onda de protestos de 2022 no Irã, motivada pela morte de Mahsa Jina Amini e pela luta pelos direitos das mulheres.