Visão geral
A política imigratória dos Estados Unidos é um conjunto complexo de leis, regulamentos e práticas que governam a entrada, permanência e saída de estrangeiros do país. Ela abrange desde a segurança das fronteiras até a integração de imigrantes, passando por vistos, asilo e deportação. As abordagens variam significativamente entre diferentes administrações e são frequentemente objeto de debate político e social, gerando inclusive ondas de protestos e insatisfação pública com as agências de aplicação da lei, como o ICE. A morte de indivíduos durante operações do ICE e as diferentes narrativas sobre esses eventos, como a de Renee Good, intensificam o escrutínio público e as investigações federais e estaduais sobre as ações da agência. Incidentes como o baleamento de um homem venezuelano em Minneapolis pelo ICE reforçam as questões sobre a conduta da agência e a escalada de tensões, levando a protestos e até mesmo ameaças de intervenção federal, como a de Donald Trump de instaurar um 'ato de insurreição' caso os protestos persistam. Recentemente, a suspensão da concessão de vistos para cidadãos de diversos países, incluindo o Brasil, sinaliza uma revisão dos critérios migratórios e pode indicar uma mudança na política de imigração americana, com impactos notáveis no setor de turismo. O congelamento da emissão de vistos de imigrantes para 75 países, anunciado em 14 de janeiro de 2026, é parte de um conjunto de medidas anti-imigração determinadas pela administração Trump em seu segundo mandato, que incluem aumento de custos para vistos específicos, maior burocracia e vigilância, e restrições diretas de entrada.
Contexto e histórico
Historicamente, a política imigratória dos EUA tem sido moldada por fatores econômicos, sociais e de segurança nacional. Desde as primeiras ondas de imigração europeia até as atuais discussões sobre a fronteira sul, o país tem buscado equilibrar a necessidade de mão de obra e diversidade cultural com preocupações sobre controle de fronteiras e segurança interna. Leis como o Immigration and Nationality Act (INA) de 1952 e suas emendas posteriores formam a base do sistema atual, que é frequentemente criticado por sua complexidade e inconsistências. A atuação de agências como o ICE tem sido alvo de crescentes críticas e mobilizações populares, especialmente após incidentes como o assassinato de Renee Good e o recente baleamento de um homem venezuelano em Minneapolis, que geraram protestos e levantaram questões sobre a conduta dos agentes e a transparência das investigações. As versões conflitantes sobre tais eventos, com o governo federal defendendo a legítima defesa e autoridades locais contestando, evidenciam a polarização e a complexidade do debate. A recente decisão de pausar a concessão de vistos para dezenas de nacionalidades, a partir de 21 de janeiro de 2026, reflete uma contínua reavaliação e endurecimento dos critérios migratórios por parte do Departamento de Estado. Em 14 de janeiro de 2026, foi reportado que o governo dos EUA congelou a emissão de vistos para 75 países, incluindo o Brasil, Irã, Rússia, Afeganistão, Iraque e Tailândia. A medida, que entrará em vigor a partir de 21 de janeiro de 2026, visa uma pausa temporária para que o governo avalie os critérios de concessão de vistos de entrada, abrangendo especificamente vistos de imigrantes. As políticas anti-imigração dos EUA têm sido apontadas por especialistas do setor de turismo, como o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), como um fator que desvia turistas para outros destinos, como países europeus e o Japão. A escalada de protestos em Minneapolis, após o baleamento de um imigrante venezuelano e a morte de Renee Good, levou o ex-presidente Donald Trump a ameaçar com a instauração de um 'ato de insurreição' caso as manifestações persistam, intensificando o clima de tensão na região. Em seu segundo mandato, a administração Trump implementou diversas outras medidas, como o aumento da taxa para o visto de trabalho qualificado H-1B para US$ 100 mil a partir de setembro de 2025, a exigência de caução de até US$ 15 mil para vistos de turismo e negócios de 38 países (principalmente da África, Oceania e Ásia) a partir de abril de 2025, e a criação do programa "gold card" em dezembro de 2025, que concede residência permanente mediante investimento de US$ 1 milhão. Houve também um aumento da burocracia e vigilância, com a obrigatoriedade de perfis de redes sociais abertos para análise de candidatos a vistos de estudante desde junho de 2025, e uma proposta para estender essa exigência a turistas de países isentos de visto. Desde outubro de 2025, menores de 14 e maiores de 79 anos também passaram a ser obrigados a realizar entrevista presencial para a obtenção de visto. Além disso, mais de 100 mil vistos foram revogados desde janeiro de 2025, e a entrada de cidadãos de 19 países (a maioria africanos) foi proibida a partir do início de 2026.
Linha do tempo
- Setembro de 2025: O governo Trump anuncia uma nova taxa de US$ 100 mil para a concessão do visto H-1B (trabalhadores qualificados), com a cobrança passando a valer para pedidos feitos a partir de 21 de setembro de 2025.
- Outubro de 2025: Menores de 14 anos e maiores de 79 anos passam a ser obrigados a realizar entrevista presencial para obtenção de visto, com algumas exceções.
- Dezembro de 2025: O governo Trump lança o programa "gold card", que concede residência permanente a estrangeiros mediante um investimento de US$ 1 milhão para indivíduos ou US$ 2 milhões para empresas. Cerca de 10 mil pessoas já se inscreveram no período de pré-registro.
- Dezembro de 2025: O governo Trump apresenta uma proposta para ampliar a política de verificação de redes sociais para turistas de países isentos de visto, exigindo o histórico dos últimos cinco anos.
- 25 de dezembro de 2025: O ICE lança uma campanha com temática natalina, utilizando a figura do Papai Noel, para incentivar a autodeportação de imigrantes. A campanha oferece um bônus de US$ 3 mil para a saída voluntária até o final de 2025 e associa a estética natalina a ameaças de prisão e deportação.
- Início de 2026: Restrições de entrada para cidadãos de 19 países (a maioria na África) entram em vigor, após terem sido anunciadas em junho e dezembro de 2025.
- 07 de janeiro de 2026: Renee Nicole Good, de 37 anos, é baleada e morta por um agente do ICE em Minneapolis, dentro de seu carro. O governo do presidente Donald Trump afirma que o agente agiu em legítima defesa, enquanto autoridades locais, incluindo o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, contestam essa versão, afirmando que Good não representava perigo e estava tentando sair do local.
- 10 de janeiro de 2026: Uma onda de protestos contra o ICE se espalha pelos Estados Unidos, incluindo cidades em Minneapolis, Austin, Seattle, Nova York, Los Angeles, Texas, Kansas, Novo México, Ohio e Flórida. A mobilização é impulsionada pelo assassinato de Renee Good. Em Minneapolis, milhares de pessoas participam dos protestos, resultando em 30 prisões e um policial ferido após ser atingido por um pedaço de gelo. Manifestantes também tentam invadir um hotel onde agentes do ICE estariam hospedados e danificam janelas de outro hotel. Congressistas democratas de Minnesota (Ilhan Omar, Kelly Morrison e Angie Craig) são impedidas de inspecionar uma instalação do ICE na cidade, denunciando obstrução.
- 12 de janeiro de 2026: O Departamento de Estado dos EUA divulga que mais de 100 mil vistos foram revogados desde que Donald Trump assumiu seu segundo mandato em janeiro de 2025.
- 14 de janeiro de 2026: A Fox News reporta que o governo dos EUA congelou a concessão de vistos para 75 países, incluindo o Brasil, Irã, Rússia, Afeganistão, Iraque e Tailândia. A medida, determinada pelo Departamento de Estado dos EUA para avaliar os critérios de concessão de vistos (especificamente de imigrantes), entrará em vigor a partir de 21 de janeiro de 2026 e não tem data para terminar. Na ocasião, o Departamento de Estado ainda não havia se pronunciado oficialmente.
Principais atores
- Serviço de Imigração e Alfândega (ICE): Agência federal responsável pela aplicação das leis de imigração dentro dos EUA, incluindo detenções e deportações, e que tem sido alvo de protestos e críticas por suas ações. Suas operações e a conduta de seus agentes, como Jonathan Ross, são frequentemente objeto de controvérsia e investigação, como evidenciado pelos incidentes envolvendo Renee Good e o homem venezuelano em Minneapolis.
- Departamento de Segurança Interna (DHS): Departamento do governo federal que supervisiona o ICE e outras agências relacionadas à segurança de fronteiras e imigração. A Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, defendeu a ação do agente do ICE no caso Good. O DHS confirmou que o agente que baleou o imigrante venezuelano agiu em legítima defesa, alegando ter sido atacado.
- Congresso dos EUA: Responsável pela criação e alteração das leis de imigração. Membros do Congresso, como as representantes Ilhan Omar, Kelly Morrison e Angie Craig, também exercem papel de fiscalização sobre as agências federais.
- Poder Executivo (Presidência): Define a implementação e prioridades da política imigratória através de ordens executivas e diretrizes. O governo do presidente Donald Trump defendeu a ação do agente do ICE no caso de Renee Good e o próprio Donald Trump ameaçou com a instauração de um 'ato de insurreição' em resposta aos protestos em Minneapolis. A administração Trump, em seu segundo mandato, implementou diversas medidas anti-imigração, como o aumento de custos para vistos, maior burocracia e restrições diretas de entrada.
- Departamento de Estado dos EUA: Responsável pela política externa e pela emissão de vistos, recentemente decidiu pausar a concessão de vistos para diversas nacionalidades para revisar critérios migratórios. Em 14 de janeiro de 2026, foi reportado que o Departamento de Estado determinou o congelamento da emissão de vistos de imigrantes para 75 países.
- Imigrantes e comunidades de imigrantes: Afetados diretamente pelas políticas e frequentemente atuam como defensores de reformas, além de serem protagonistas em movimentos de protesto.
- Renee Good: Vítima de um assassinato por um agente do ICE em Minneapolis, cuja morte desencadeou uma onda de protestos nacionais contra a agência e gerou investigações federais e estaduais.
- Grupos de protesto/ativistas: Organizações e indivíduos que se mobilizam contra as políticas e ações do ICE e do governo em relação à imigração. Em Minneapolis, manifestantes confrontaram policiais e agentes do ICE após o baleamento do imigrante venezuelano.
- Jacob Frey: Prefeito de Minneapolis, que contestou a versão do governo federal sobre a morte de Renee Good, afirmando que ela não representava perigo, e criticou a atuação dos agentes federais.
Termos importantes
- Autodeportação: Processo pelo qual um imigrante sem status legal decide voluntariamente deixar os Estados Unidos, muitas vezes em resposta a incentivos ou ameaças de deportação formal.
- Deportação: A expulsão formal de um estrangeiro de um país de um país por violar suas leis de imigração.
- ICE (Immigration and Customs Enforcement): Sigla para o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, a principal agência federal encarregada da aplicação das leis de imigração dentro do país, frequentemente alvo de controvérsias e protestos, como os incidentes de baleamento em Minneapolis.
- Protestos contra o ICE: Mobilizações públicas e manifestações de insatisfação contra as ações, políticas e a própria existência do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, como as que ocorreram após o assassinato de Renee Good e o baleamento de um homem venezuelano, resultando em prisões e confrontos em diversas cidades. A persistência desses protestos levou a ameaças de intervenção federal.
- Suspensão de vistos: Medida pela qual um país interrompe temporariamente a concessão de vistos de entrada para cidadãos de determinadas nacionalidades, geralmente para revisar critérios ou em resposta a questões de segurança ou política migratória. Em 14 de janeiro de 2026, foi reportada a suspensão de vistos de imigrantes para 75 países, incluindo o Brasil, com início em 21 de janeiro de 2026, para avaliação de critérios migratórios.
- Impacto no turismo: Consequências econômicas e sociais das políticas de imigração no setor de viagens e turismo, como a redução no número de visitantes estrangeiros e nos gastos com turismo, conforme observado nos EUA em 2025, em contraste com o crescimento global do setor.
- Ato de insurreição: Termo usado por Donald Trump para descrever uma possível intervenção federal em resposta a protestos persistentes, indicando uma escalada na resposta do governo a manifestações civis.
- Visto H-1B: Visto de trabalho para profissionais estrangeiros altamente qualificados, que teve sua taxa aumentada para US$ 100 mil em setembro de 2025.
- Caução para vistos: Exigência de pagamento de um valor (até US$ 15 mil) para a emissão de alguns vistos de turismo e negócios, implementada em abril de 2025, visando coibir visitantes que ultrapassam o prazo de validade.
- Gold Card: Programa lançado em dezembro de 2025 que concede residência permanente nos EUA a estrangeiros mediante um investimento de US$ 1 milhão para indivíduos ou US$ 2 milhões para empresas.
- Verificação de redes sociais: Exigência de que candidatos a vistos de estudante (desde junho de 2025) e, futuramente, turistas de países isentos de visto, mantenham seus perfis de redes sociais abertos para análise das autoridades americanas.