Adicionado evento de 14/01/2026 sobre o congelamento de vistos de imigração para 75 países, incluindo o Brasil, e o contexto da nova estratégia militar e de política externa de dezembro de 2025. Incluídas informações sobre possíveis restrições para pessoas com sobrepeso, mais velhas e com doenças crônicas, e a exigência de redes sociais para estudantes.
Visão geral
A política imigratória dos Estados Unidos é um conjunto complexo de leis, regulamentos e práticas que governam a entrada, permanência e saída de estrangeiros do país. Ela abrange desde a segurança das fronteiras até a integração de imigrantes, passando por vistos, asilo e deportação. As abordagens variam significativamente entre diferentes administrações e são frequentemente objeto de debate político e social, gerando inclusive ondas de protestos e insatisfação pública com as agências de aplicação da lei, como o ICE. A morte de indivíduos durante operações do ICE e as diferentes narrativas sobre esses eventos, como a de Renee Good, intensificam o escrutínio público e as investigações federais e estaduais sobre as ações da agência. Incidentes como o baleamento de um homem venezuelano em Minneapolis pelo ICE reforçam as questões sobre a conduta da agência e a escalada de tensões, levando a protestos e até mesmo ameaças de intervenção federal, como a de Donald Trump de instaurar um 'ato de insurreição' caso os protestos persistam. Recentemente, a suspensão da concessão de vistos para cidadãos de diversos países, incluindo o Brasil, sinaliza uma revisão dos critérios migratórios e pode indicar uma mudança na política de imigração americana, com impactos notáveis no setor de turismo. O congelamento da emissão de vistos de imigrantes para 75 países, anunciado em 14 de janeiro de 2026, é parte de um conjunto de medidas anti-imigração determinadas pela administração Trump em seu segundo mandato, que incluem aumento de custos para vistos específicos, maior burocracia e vigilância, e restrições diretas de entrada. Essa medida, que afeta especificamente vistos de imigração e não os de turismo ou negócios, visa revisar os critérios para barrar estrangeiros que possam se tornar um "encargo público" para os EUA, e faz parte de uma nova estratégia militar e de política externa lançada em dezembro de 2025, focada em restringir a imigração legal. Críticos, como Shev Dalal-Dheini, diretora de relações governamentais da Associação de Advogados de Imigrantes dos EUA, afirmam que essa política visa desativar o sistema de imigração legal do país. Além disso, há estudos para barrar a entrada de pessoas com sobrepeso, mais velhas e com doenças crônicas, e estudantes já precisam desbloquear perfis em redes sociais para análise.
Contexto e histórico
Historicamente, a política imigratória dos EUA tem sido moldada por fatores econômicos, sociais e de segurança nacional. Desde as primeiras ondas de imigração europeia até as atuais discussões sobre a fronteira sul, o país tem buscado equilibrar a necessidade de mão de obra e diversidade cultural com preocupações sobre controle de fronteiras e segurança interna. Leis como o Immigration and Nationality Act (INA) de 1952 e suas emendas posteriores formam a base do sistema atual, que é frequentemente criticado por sua complexidade e inconsistências. A atuação de agências como o ICE tem sido alvo de crescentes críticas e mobilizações populares, especialmente após incidentes como o assassinato de Renee Good e o recente baleamento de um homem venezuelano em Minneapolis, que geraram protestos e levantaram questões sobre a conduta dos agentes e a transparência das investigações. As versões conflitantes sobre tais eventos, com o governo federal defendendo a legítima defesa e autoridades locais contestando, evidenciam a polarização e a complexidade do debate. A recente decisão de pausar a concessão de vistos para dezenas de nacionalidades, a partir de 21 de janeiro de 2026, reflete uma contínua reavaliação e endurecimento dos critérios migratórios por parte do Departamento de Estado. Em 14 de janeiro de 2026, foi reportado que o governo dos EUA congelou a emissão de vistos de imigração para 75 países, incluindo o Brasil, Irã, Rússia, Afeganistão, Iraque e Tailândia. A medida, que entrará em vigor a partir de 21 de janeiro de 2026, visa uma pausa temporária para que o governo avalie os critérios de concessão de vistos de entrada, abrangendo especificamente vistos de imigrantes. As políticas anti-imigração dos EUA têm sido apontadas por especialistas do setor de turismo, como o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), como um fator que desvia turistas para outros destinos, como países europeus e o Japão. A escalada de protestos em Minneapolis, após o baleamento de um imigrante venezuelano e a morte de Renee Good, levou o ex-presidente Donald Trump a ameaçar com a instauração de um 'ato de insurreição' caso as manifestações persistam, intensificando o clima de tensão na região. Em seu segundo mandato, a administração Trump implementou diversas outras medidas, como o aumento da taxa para o visto de trabalho qualificado H-1B para US$ 100 mil a partir de setembro de 2025, a exigência de caução de até US$ 15 mil para vistos de turismo e negócios de 38 países (principalmente da África, Oceania e Ásia) a partir de abril de 2025, e a criação do programa "gold card" em dezembro de 2025, que concede residência permanente mediante investimento de US$ 1 milhão. Houve também um aumento da burocracia e vigilância, com a obrigatoriedade de perfis de redes sociais abertos para análise de candidatos a vistos de estudante desde junho de 2025, e uma proposta para estender essa exigência a turistas de países isentos de visto. Desde outubro de 2025, menores de 14 e maiores de 79 anos também passaram a ser obrigados a realizar entrevista presencial para a obtenção de visto. Além disso, mais de 100 mil vistos foram revogados desde janeiro de 2025, e a entrada de cidadãos de 19 países (a maioria africanos) foi proibida a partir do início de 2026. A nova estratégia militar e de política externa lançada em dezembro de 2025 pelo governo Trump reforça a diretriz de restringir ao máximo a presença de imigrantes, incluindo os legais, no território norte-americano, marcando uma transição do foco em deportações para a restrição da entrada de estrangeiros.
Linha do tempo
Setembro de 2025: O governo Trump anuncia uma nova taxa de US$ 100 mil para a concessão do visto H-1B (trabalhadores qualificados), com a cobrança passando a valer para pedidos feitos a partir de 21 de setembro de 2025.
Outubro de 2025: Menores de 14 anos e maiores de 79 anos passam a ser obrigados a realizar entrevista presencial para obtenção de visto, com algumas exceções.
Dezembro de 2025: O governo Trump lança o programa "gold card", que concede residência permanente a estrangeiros mediante um investimento de US$ 1 milhão para indivíduos ou US$ 2 milhões para empresas. Cerca de 10 mil pessoas já se inscreveram no período de pré-registro.
Dezembro de 2025: O governo Trump apresenta uma proposta para ampliar a política de verificação de redes sociais para turistas de países isentos de visto, exigindo o histórico dos últimos cinco anos.
Dezembro de 2025: O governo Trump lança uma nova estratégia militar e de política externa que prevê o "fim da era da migração em massa" e a necessidade de "proteger as fronteiras contra migração descontrolada, terrorismo, drogas, espionagem e tráfico humano", indicando uma mudança de foco para a restrição da imigração legal.
25 de dezembro de 2025: O ICE lança uma campanha com temática natalina, utilizando a figura do Papai Noel, para incentivar a autodeportação de imigrantes. A campanha oferece um bônus de US$ 3 mil para a saída voluntária até o final de 2025 e associa a estética natalina a ameaças de prisão e deportação.
Início de 2026: Restrições de entrada para cidadãos de 19 países (a maioria na África) entram em vigor, após terem sido anunciadas em junho e dezembro de 2025.
07 de janeiro de 2026: Renee Nicole Good, de 37 anos, é baleada e morta por um agente do ICE em Minneapolis, dentro de seu carro. O governo do presidente Donald Trump afirma que o agente agiu em legítima defesa, enquanto autoridades locais, incluindo o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, contestam essa versão, afirmando que Good não representava perigo e estava tentando sair do local.
10 de janeiro de 2026: Uma onda de protestos contra o ICE se espalha pelos Estados Unidos, incluindo cidades em Minneapolis, Austin, Seattle, Nova York, Los Angeles, Texas, Kansas, Novo México, Ohio e Flórida. A mobilização é impulsionada pelo assassinato de Renee Good. Em Minneapolis, milhares de pessoas participam dos protestos, resultando em 30 prisões e um policial ferido após ser atingido por um pedaço de gelo. Manifestantes também tentam invadir um hotel onde agentes do ICE estariam hospedados e danificam janelas de outro hotel. Congressistas democratas de Minnesota (Ilhan Omar, Kelly Morrison e Angie Craig) são impedidas de inspecionar uma instalação do ICE na cidade, denunciando obstrução.
Principais atores
Serviço de Imigração e Alfândega (ICE): Agência federal responsável pela aplicação das leis de imigração dentro dos EUA, incluindo detenções e deportações, e que tem sido alvo de protestos e críticas por suas ações. Suas operações e a conduta de seus agentes, como Jonathan Ross, são frequentemente objeto de controvérsia e investigação, como evidenciado pelos incidentes envolvendo Renee Good e o homem venezuelano em Minneapolis.
Departamento de Segurança Interna (DHS): Departamento do governo federal que supervisiona o ICE e outras agências relacionadas à segurança de fronteiras e imigração. A Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, defendeu a ação do agente do ICE no caso Good. O DHS confirmou que o agente que baleou o imigrante venezuelano agiu em legítima defesa, alegando ter sido atacado.
Congresso dos EUA: Responsável pela criação e alteração das leis de imigração. Membros do Congresso, como as representantes Ilhan Omar, Kelly Morrison e Angie Craig, também exercem papel de fiscalização sobre as agências federais.
Poder Executivo (Presidência): Define a implementação e prioridades da política imigratória através de ordens executivas e diretrizes. O governo do presidente Donald Trump defendeu a ação do agente do ICE no caso de Renee Good e o próprio Donald Trump ameaçou com a instauração de um 'ato de insurreição' em resposta aos protestos em Minneapolis. A administração Trump, em seu segundo mandato, implementou diversas medidas anti-imigração, como o aumento de custos para vistos, maior burocracia e restrições diretas de entrada, seguindo uma nova estratégia militar e de política externa lançada em dezembro de 2025.
Departamento de Estado dos EUA: Responsável pela política externa e pela emissão de vistos, recentemente decidiu pausar a concessão de vistos para diversas nacionalidades para revisar critérios migratórios. Em 14 de janeiro de 2026, foi reportado que o Departamento de Estado determinou o congelamento da emissão de vistos de imigrantes para 75 países, visando revisar os critérios para barrar estrangeiros que possam se tornar um "encargo público".
Imigrantes e comunidades de imigrantes: Afetados diretamente pelas políticas e frequentemente atuam como defensores de reformas, além de serem protagonistas em movimentos de protesto.
Renee Good: Vítima de um assassinato por um agente do ICE em Minneapolis, cuja morte desencadeou uma onda de protestos nacionais contra a agência e gerou investigações federais e estaduais.
Grupos de protesto/ativistas: Organizações e indivíduos que se mobilizam contra as políticas e ações do ICE e do governo em relação à imigração. Em Minneapolis, manifestantes confrontaram policiais e agentes do ICE após o baleamento do imigrante venezuelano.
Jacob Frey: Prefeito de Minneapolis, que contestou a versão do governo federal sobre a morte de Renee Good, afirmando que ela não representava perigo, e criticou a atuação dos agentes federais.
Termos importantes
Autodeportação: Processo pelo qual um imigrante sem status legal decide voluntariamente deixar os Estados Unidos, muitas vezes em resposta a incentivos ou ameaças de deportação formal.
Deportação: A expulsão formal de um estrangeiro de um país de um país por violar suas leis de imigração.
ICE (Immigration and Customs Enforcement): Sigla para o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, a principal agência federal encarregada da aplicação das leis de imigração dentro do país, frequentemente alvo de controvérsias e protestos, como os incidentes de baleamento em Minneapolis.
Protestos contra o ICE: Mobilizações públicas e manifestações de insatisfação contra as ações, políticas e a própria existência do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, como as que ocorreram após o assassinato de Renee Good e o baleamento de um homem venezuelano, resultando em prisões e confrontos em diversas cidades. A persistência desses protestos levou a ameaças de intervenção federal.
Suspensão de vistos: Medida pela qual um país interrompe temporariamente a concessão de vistos de entrada para cidadãos de determinadas nacionalidades, geralmente para revisar critérios ou em resposta a questões de segurança ou política migratória. Em 14 de janeiro de 2026, foi reportada a suspensão de vistos de imigrantes para 75 países, incluindo o Brasil, com início em 21 de janeiro de 2026, para avaliação de critérios migratórios, especificamente para barrar estrangeiros que possam se tornar um "encargo público".
Impacto no turismo: Consequências econômicas e sociais das políticas de imigração no setor de viagens e turismo, como a redução no número de visitantes estrangeiros e nos gastos com turismo, conforme observado nos EUA em 2025, em contraste com o crescimento global do setor.
Ato de insurreição: Termo usado por Donald Trump para descrever uma possível intervenção federal em resposta a protestos persistentes, indicando uma escalada na resposta do governo a manifestações civis.
Visto H-1B: Visto de trabalho para profissionais estrangeiros altamente qualificados, que teve sua taxa aumentada para US$ 100 mil em setembro de 2025.
Caução para vistos: Exigência de pagamento de um valor (até US$ 15 mil) para a emissão de alguns vistos de turismo e negócios, implementada em abril de 2025, visando coibir visitantes que ultrapassam o prazo de validade.
Gold Card: Programa lançado em dezembro de 2025 que concede residência permanente nos EUA a estrangeiros mediante um investimento de US$ 1 milhão para indivíduos ou US$ 2 milhões para empresas.
Verificação de redes sociais: Exigência de que candidatos a vistos de estudante (desde junho de 2025) e, futuramente, turistas de países isentos de visto, mantenham seus perfis de redes sociais abertos para análise das autoridades americanas.
12 de janeiro de 2026: O Departamento de Estado dos EUA divulga que mais de 100 mil vistos foram revogados desde que Donald Trump assumiu seu segundo mandato em janeiro de 2025.
14 de janeiro de 2026: A Fox News reporta que o governo dos EUA congelou a concessão de vistos de imigração para 75 países, incluindo o Brasil, Irã, Rússia, Afeganistão, Iraque e Tailândia. A medida, determinada pelo Departamento de Estado dos EUA para avaliar os critérios de concessão de vistos (especificamente de imigrantes), entrará em vigor a partir de 21 de janeiro de 2026 e não tem data para terminar. Na ocasião, o Departamento de Estado ainda não havia se pronunciado oficialmente. A medida visa revisar os critérios para barrar estrangeiros que possam se tornar um "encargo público" para os EUA. Vistos de turismo e negócios não são afetados.
14 de janeiro de 2026: É reportado que os Estados Unidos registraram uma queda de 6% no número de visitantes estrangeiros em 2025, com os turistas estrangeiros gastando 7% menos. Essa queda é atribuída, em parte, às políticas anti-imigração do país, que levaram turistas a preferir destinos como Espanha, França e Japão. Latino-americanos, incluindo colombianos e mexicanos, viajaram menos para os EUA, e os mexicanos que visitaram o país fizeram viagens mais curtas. Apesar disso, os gastos de turistas domésticos compensaram a queda, mantendo os EUA como a maior economia de viagens e turismo do mundo.
14 de janeiro de 2026 (noite): Um homem venezuelano é baleado na perna por um agente do ICE durante uma operação de fiscalização de imigração no norte de Minneapolis. O agente alegou ter sido atacado com uma pá e uma vassoura antes de efetuar o disparo em legítima defesa. Após ser baleado, o homem fugiu de carro, bateu em outro veículo e escapou a pé. Quando policiais o alcançaram, outras duas pessoas se juntaram a ele, e os três teriam agredido o policial. O imigrante baleado e o agente agredido são hospitalizados. Ao menos 100 pessoas se reúnem no local, gritando com policiais de Minneapolis e exigindo a prisão dos agentes federais. A polícia se retira, disparando bombas de gás lacrimogêneo, enquanto manifestantes lançam fogos de artifício contra os agentes do ICE.
15 de janeiro de 2026: O ex-presidente Donald Trump anuncia que instaurará um 'ato de insurreição' caso os protestos em Minnesota, intensificados pelos incidentes com o ICE, persistam. A cidade de Minneapolis e a vizinha St. Paul estão em estado de alerta após o DHS anunciar uma grande ofensiva migratória na região.
Jonathan Ross: Agente do ICE que atirou e matou Renee Good. O governo Trump alegou que ele agiu em legítima defesa.
Kristi Noem: Secretária de Segurança Interna, que defendeu a ação do agente Jonathan Ross, afirmando que Good tentou atropelá-lo.
Ilhan Omar: Congressista democrata por Minnesota, que tentou inspecionar uma instalação do ICE e denunciou obstrução.
Kelly Morrison: Congressista democrata por Minnesota, que tentou inspecionar uma instalação do ICE e denunciou obstrução.
Angie Craig: Congressista democrata por Minnesota, que tentou inspecionar uma instalação do ICE e denunciou obstrução.
Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC): Organização global que representa o setor privado de viagens e turismo, fornecendo análises e dados sobre o impacto econômico do turismo, incluindo a influência das políticas de imigração.
Donald Trump: Ex-presidente dos EUA que ameaçou instaurar um 'ato de insurreição' em resposta aos protestos em Minneapolis e cuja administração implementou diversas medidas anti-imigração em seu segundo mandato, incluindo o congelamento de vistos de imigração e uma nova estratégia militar e de política externa para restringir a imigração legal.
Howard Lutnick: Secretário de Comércio, que informou sobre o número de inscritos no programa "gold card".
Shev Dalal-Dheini: Diretora de relações governamentais da Associação de Advogados de Imigrantes dos EUA, crítica das políticas de imigração de Trump, afirmando que visam desativar o sistema de imigração legal.
Estratégia militar e de política externa (Dezembro de 2025): Documento lançado pelo governo Trump que estabelece diretrizes para os próximos anos, incluindo a restrição máxima da presença de imigrantes e o "fim da era da migração em massa", servindo como base para as políticas anti-imigração de 2026.