O Opus Dei é uma instituição católica fundada em 1928 por Josemaria Escrivá, focada na busca da santidade no trabalho e na vida cotidiana. Anteriormente uma "prelazia pessoal" com autonomia singular, seu status foi redefinido pelo Papa Francisco para "associação clerical pública", reduzindo sua independência e submetendo-a mais diretamente à hierarquia da Igreja. Atualmente, a organização está em processo de adaptação às novas regras, que incluem a subordinação ao Dicastério para o Clero e a não nomeação automática de seu prelado como bispo.
Opus Dei, cujo nome completo é Prelazia da Santa Cruz e Opus Dei, é uma instituição da Igreja Católica fundada em 1928, na Espanha, por Josemaria Escrivá de Balaguer. A organização é conhecida por seu foco na busca da santidade no trabalho e na vida cotidiana, incentivando seus membros a viverem o cristianismo em suas profissões e no dia a dia, em vez de se dedicarem à vida religiosa consagrada em mosteiros. Historicamente, o Opus Dei desfrutou de um status privilegiado dentro da hierarquia do Vaticano, sendo a única instituição a ser classificada como "prelazia pessoal" em 1982 pelo Papa João Paulo II, o que lhe concedeu uma autonomia singular. No entanto, reformas recentes impostas pelo Papa Francisco buscaram redefinir seu status e reduzir sua autonomia, gerando um período de tensão e adaptação para a organização.
O Opus Dei foi fundado em 1928, na Espanha, por Josemaria Escrivá de Balaguer, que se tornou santo em 2002. Escrivá, ordenado padre, via a Igreja Católica como um "edifício em ruínas" e buscou criar um movimento conservador e tradicionalista. A premissa central da organização é a busca da santidade por leigos no trabalho e na vida cotidiana, diferenciando-a de outras ordens religiosas. Em 1982, o Papa João Paulo II, um simpatizante da instituição, elevou o status do Opus Dei de "instituto secular" para "prelazia pessoal". Esta classificação, inédita e única, significava que a organização não respondia ao bispo da diocese onde estava baseada, mas sim ao seu próprio prelado, conferindo-lhe uma autonomia significativa e um status semelhante ao de uma diocese sem território. Tradicionalmente, o prelado do Opus Dei era nomeado bispo.
Durante os anos 1980, no contexto da Guerra Fria, a autonomia do Opus Dei foi interpretada como um alinhamento do catolicismo com posições mais conservadoras, dada a postura anticomunista de João Paulo II. O Papa Bento XVI manteve o status da organização. Contudo, o pontificado do Papa Francisco trouxe mudanças significativas. Francisco expressou desconforto com a autonomia do grupo, considerando-a excessiva e contrária à ideia de que nenhuma instituição deveria gozar de um regime de exceção dentro da Igreja. Ele buscou alinhar a instituição com os princípios do Concílio Vaticano II, que promovia a discussão sobre o poder compartilhado com as dioceses e bispos.
As reformas de Francisco, iniciadas em 2022 e 2023, impuseram a necessidade de o Opus Dei se reportar ao Dicastério para o Clero, em vez do Dicastério para os Bispos, o que foi interpretado como um rebaixamento. Ele também determinou relatórios anuais de atividades (antes quinquenais) e oficializou que o prelado da instituição não seria automaticamente nomeado bispo – o atual prelado, Fernando Ocáriz Braña, não recebeu o título. A mudança mais impactante foi a alteração do status do Opus Dei de prelazia pessoal para associação clerical pública, o que implica submissão à hierarquia da Igreja e primazia do clero, embora leigos possam participar. Essa mudança retira a margem de manobra e o poder da organização, exigindo que os leigos estejam ligados à diocese de seus territórios. O Opus Dei está atualmente em processo de atualização de seu estatuto para se adequar a essas novas regras, com expectativa de conclusão até 2028.