A Operação Contenção ocorreu em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, áreas conhecidas pela presença do Comando Vermelho. A justificativa oficial para a operação, que mobilizou as polícias civil e militar para cumprir 180 mandados de prisão e busca e apreensão, foi a necessidade de conter o avanço dessa facção criminosa e prender lideranças criminosas. No entanto, a operação gerou grande controvérsia devido ao elevado número de mortes, totalizando 122 pessoas, sendo 117 civis e 5 policiais. A letalidade da ação levou a discussões e questionamentos por parte de organismos de direitos humanos, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que abordou o tema com o governador Cláudio Castro. À época, o governador Cláudio Castro (PL) classificou a operação como "um sucesso", enquanto a Defensoria Pública do Estado apontou indícios de ilegalidades e violações de direitos. Em 4 de fevereiro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em decisão proferida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como ADPF das Favelas, deu um prazo de 15 dias para que o governo do Rio de Janeiro encaminhasse à Polícia Federal todas as câmeras e imagens da operação para perícia e elaboração de laudos. Em 5 de fevereiro de 2026, Moraes determinou que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o governo do Estado do Rio de Janeiro prestassem esclarecimentos sobre a atuação na megaoperação. O ministro concedeu prazo de cinco dias para que o MPRJ esclareça sua participação em todas as etapas da operação, em especial no exercício do controle externo da atividade policial, e detalhe por que essa atribuição foi desempenhada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – e não pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), criado em fevereiro de 2025 para monitorar a letalidade e violações de direitos humanos em operações policiais. Ao CNJ, Moraes determinou que informe o estágio atual da análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial apresentado pelo governo estadual em dezembro. Em 19 de fevereiro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes ampliou o prazo para o governo do Rio de Janeiro entregar as câmeras e imagens da Operação Contenção à Polícia Federal, passando de 15 para 20 dias. A decisão atendeu a um pedido do próprio governo fluminense, que solicitou mais tempo para reunir todo o material. A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados concluiu, em relatório, que houve "grave violação dos direitos humanos, com indícios consistentes de execuções, torturas, ocultação de cadáveres, adulteração de cenas de crime e abuso institucional" durante a operação.