O mercado de trabalho brasileiro em 2025-2026 é marcado pela valorização do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, flexibilidade e cultura organizacional, superando a remuneração como fator decisivo para atração e retenção de talentos. A inteligência artificial impulsiona a demanda por requalificação, com aumento expressivo na busca por cursos na área. Contudo, o Programa Empresa Cidadã, que visa ampliar licenças parentais, sofreu uma queda drástica de adesão após auditoria, e estudos indicam que a licença estendida beneficia uma parcela limitada de mulheres, sem efeitos duradouros na empregabilidade.
O mercado de trabalho no Brasil é caracterizado por uma crescente demanda por equilíbrio entre vida pessoal e profissional, superando tendências globais em diversos indicadores de prioridade do trabalhador. Dados de 2025 e 2026 indicam que, embora a remuneração continue sendo o fator principal, elementos como flexibilidade, cultura organizacional saudável e alinhamento de valores tornaram-se decisivos para a atração e retenção de talentos no país. A busca por excelência nas práticas de Recursos Humanos, evidenciada por certificações internacionais, também se destaca como um diferencial competitivo para as empresas. A crescente relevância da inteligência artificial (IA) no ambiente de trabalho impulsionou uma demanda significativa por requalificação e treinamento, com um aumento expressivo na procura por cursos na área.
Contudo, desafios persistem, especialmente em políticas de apoio à parentalidade. O Programa Empresa Cidadã, que visa ampliar a licença-maternidade e paternidade, registrou uma queda drástica de 71% no número de empresas participantes entre 2024 e 2025, após uma auditoria da Receita Federal. Além disso, estudos recentes apontam que a licença estendida beneficia uma parcela limitada de trabalhadoras, concentrando-se em mulheres de maior escolaridade e renda, e não gera efeitos duradouros na empregabilidade.
Historicamente pautado por relações hierárquicas rígidas e foco na estabilidade financeira, o cenário laboral brasileiro passou por transformações significativas na década de 2020. O perfil do trabalhador tornou-se mais exigente, com 92% dos profissionais priorizando o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
A evolução tecnológica, especialmente a inteligência artificial (IA), impulsionou uma busca por requalificação. No Brasil, 87% dos trabalhadores consideram o treinamento essencial para permanecer em um emprego, um índice superior à média global de 72%. A demanda por especialização em IA tem crescido exponencialmente, com um aumento de 840% nas buscas por formações na área entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, conforme dados da plataforma Unico Skill. O Fórum Econômico Mundial, em seu relatório "Proof over Promise" de janeiro de 2026, destacou a insuficiência no treinamento da força de trabalho como um dos desafios para o avanço de projetos de IA, que transitaram de uma fase de testes para a execução. Outros desafios incluem a maturidade de dados, infraestruturas legadas e governança fragmentada. Para uma adoção bem-sucedida da IA, o Fórum enfatiza a importância de integrar os funcionários desde o início do processo, pois a tecnologia depende das pessoas. O trabalhador brasileiro, percebendo a necessidade de dominar a ferramenta para se manter relevante, tem demonstrado proatividade na gestão de suas competências tecnológicas.
Além disso, observa-se uma mudança na cultura organizacional: o trabalhador brasileiro demonstra baixa tolerância a ambientes tóxicos, com mais da metade da força de trabalho disposta a pedir demissão caso não sinta senso de pertencimento ou enfrente lideranças com valores divergentes. A valorização de práticas de RH que abrangem toda a jornada do colaborador, reconhecidas por certificações internacionais, tem ganhado relevância no país.
No que tange às políticas de apoio à parentalidade, o Programa Empresa Cidadã, criado em 2008 para permitir a ampliação da licença-maternidade de 120 para 180 dias e da licença-paternidade de cinco para 20 dias mediante benefício fiscal, enfrentou um revés significativo. Após atingir um pico de 30.545 empresas participantes em 2024, o programa viu seu número de adesões despencar para 8.862 em 2025, uma redução de 71%. Essa queda foi resultado de uma auditoria da Receita Federal que excluiu 22.207 empresas por irregularidades cadastrais ou incompatibilidade tributária. Um estudo de 2024 da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da University College London (UCL) revelou que apenas 35,7% das mães elegíveis utilizam a licença-maternidade estendida, concentrando-se em mulheres com maior escolaridade e renda. A pesquisa também indicou que a licença ampliada não gera efeitos duradouros na empregabilidade, salários ou permanência na mesma empresa, e pode levar a comportamentos de "risco moral" por parte de empresas e funcionárias. Especialistas, como a economista Cecilia Machado, defendem a necessidade de dividir as responsabilidades de cuidado entre homens e mulheres e priorizar creches públicas e acessíveis para reduzir as desigualdades de gênero no mercado de trabalho.