Historicamente pautado por relações hierárquicas rígidas e foco na estabilidade financeira, o cenário laboral brasileiro passou por transformações significativas na década de 2020. O perfil do trabalhador tornou-se mais exigente, com 92% dos profissionais priorizando o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
A evolução tecnológica, especialmente a inteligência artificial (IA), impulsionou uma busca por requalificação. No Brasil, 87% dos trabalhadores consideram o treinamento essencial para permanecer em um emprego, um índice superior à média global de 72%. A demanda por especialização em IA tem crescido exponencialmente, com um aumento de 840% nas buscas por formações na área entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, conforme dados da plataforma Unico Skill. O Fórum Econômico Mundial, em seu relatório "Proof over Promise" de janeiro de 2026, destacou a insuficiência no treinamento da força de trabalho como um dos desafios para o avanço de projetos de IA, que transitaram de uma fase de testes para a execução. Outros desafios incluem a maturidade de dados, infraestruturas legadas e governança fragmentada. Para uma adoção bem-sucedida da IA, o Fórum enfatiza a importância de integrar os funcionários desde o início do processo, pois a tecnologia depende das pessoas. O trabalhador brasileiro, percebendo a necessidade de dominar a ferramenta para se manter relevante, tem demonstrado proatividade na gestão de suas competências tecnológicas.
Além disso, observa-se uma mudança na cultura organizacional: o trabalhador brasileiro demonstra baixa tolerância a ambientes tóxicos, com mais da metade da força de trabalho disposta a pedir demissão caso não sinta senso de pertencimento ou enfrente lideranças com valores divergentes. A valorização de práticas de RH que abrangem toda a jornada do colaborador, reconhecidas por certificações internacionais, tem ganhado relevância no país.