Visão geral
O Massacre da Praça da Paz Celestial, também conhecido como Massacre de 4 de Junho, refere-se à violenta repressão do governo da República Popular da China a manifestações populares pacíficas em Pequim, em 1989. Liderados principalmente por estudantes, os protestos reivindicavam reformas políticas, combate à corrupção e liberdade de expressão. A intervenção militar resultou em um grande número de mortes civis e feridos, e a imagem de um homem solitário enfrentando uma coluna de tanques tornou-se um símbolo global de resistência. O governo chinês mantém uma postura de negação ou minimização do evento, afirmando que sua ação foi correta.
Contexto histórico e desenvolvimento
Desde 1978, Deng Xiaoping havia implementado reformas políticas e econômicas que visavam a uma economia de mercado gradual e certa liberalização, distanciando-se do sistema de Mao Tsé-Tung. No início de 1989, essas reformas geraram insatisfação em dois grupos: estudantes e intelectuais, que consideravam as reformas insuficientes e exigiam um sistema político mais aberto, inspirados pela Glasnost de Mikhail Gorbachev na União Soviética; e trabalhadores industriais urbanos, que sentiam que as reformas haviam ido longe demais, causando inflação e desemprego. Os protestos tiveram início após a morte de Hu Yaobang, um oficial de alto escalão do governo que defendia reformas. As manifestações consistiam em marchas pacíficas em Pequim, com os participantes pedindo diálogo e reformas. A visita de Mikhail Gorbachev à China em maio de 1989 intensificou as esperanças dos manifestantes por uma maior abertura política. A liderança do Partido Comunista Chinês dividiu-se sobre como lidar com os protestos, mas a linha-dura prevaleceu, resultando na decisão de suprimir o movimento pela força.
Linha do tempo
- 15 de abril de 1989: Início dos protestos estudantis após a morte de Hu Yaobang.
- 18 de abril de 1989: Milhares de universitários marcham para a Praça da Paz Celestial reivindicando democratização e combate à corrupção.
- 26 de abril de 1989: O jornal oficial Renmin Ribao critica severamente o movimento estudantil e anuncia medidas repressivas.
- Maio de 1989: Divisão na cúpula política chinesa entre Zhao Ziyang (compreensivo com os estudantes) e Li Peng/Deng Xiaoping (linha-dura).
- 13 de maio de 1989: Estudantes na praça iniciam greve de fome.
- Maio de 1989: Visita de Mikhail Gorbachev à China fortalece o movimento, mas é marcada por constrangimentos ao governo chinês.
- 17 de maio de 1989: Líderes chineses são forçados a cancelar a visita de Gorbachev à Cidade Proibida.
- 19 de maio de 1989: Zhao Ziyang tenta, sem sucesso, dissuadir os estudantes e é posteriormente deposto e colocado em prisão domiciliar.
- 20 de maio de 1989: O governo declara lei marcial e convoca o exército.
- 29 de maio de 1989: Artistas erguem uma estátua de espuma em homenagem à democracia na praça.
- 3 de junho de 1989: Tanques e infantaria do exército são enviados à Praça da Paz Celestial. Confrontos violentos começam.
- 4 de junho de 1989: Repressão violenta atinge seu ápice, com o exército disparando contra a multidão. O massacre se estende por Pequim.
- 5 de junho de 1989: Um jovem desarmado, conhecido como "o rebelde desconhecido", tenta bloquear uma coluna de tanques, em um ato registrado por fotógrafos e que se tornou icônico.
Principais atores
- Estudantes e Intelectuais: Principais líderes e participantes dos protestos, reivindicando reformas democráticas e liberdade.
- Trabalhadores Industriais Urbanos: Grupo que se juntou aos protestos, insatisfeito com a inflação e o desemprego resultantes das reformas econômicas.
- Partido Comunista da China (PCC): O partido governante, dividido internamente sobre a resposta aos protestos.
- Deng Xiaoping: Líder supremo da China na época, defensor da linha-dura e das reformas econômicas, mas contrário à liberalização política.
- Li Peng: Primeiro-ministro chinês, alinhado com a linha-dura e responsável pela declaração da lei marcial.
- Zhao Ziyang: Secretário-geral do PCC, mostrou compreensão pelas reivindicações estudantis e foi posteriormente deposto.
- Hu Yaobang: Ex-secretário-geral do PCC, cuja morte desencadeou os protestos.
- Exército de Libertação Popular: Força militar chinesa utilizada para reprimir os protestos.
- Mikhail Gorbachev: Líder da União Soviética, cujas políticas de Glasnost e Perestroika inspiraram os manifestantes chineses.
- O Rebelde Desconhecido (Tank Man): Jovem cuja identidade permanece desconhecida, que se tornou um símbolo global de resistência ao tentar bloquear tanques.
Termos importantes
- Glasnost: Política de abertura e transparência introduzida por Mikhail Gorbachev na União Soviética, que inspirou os manifestantes chineses.
- Perestroika: Programa de reformas econômicas e reestruturação na União Soviética, também sob Gorbachev.
- Lei Marcial: Medida emergencial que suspende temporariamente as leis civis e confere poderes extraordinários às forças militares, declarada pelo governo chinês durante os protestos.
- Rebelde Desconhecido (Tank Man): Termo usado para se referir ao indivíduo anônimo que se postou diante de uma coluna de tanques na Praça da Paz Celestial, um ato de desafio que se tornou icônico.
- Reforma Econômica: Conjunto de mudanças implementadas na China a partir de 1978, visando à transição para uma economia de mercado, mas que gerou descontentamento social e político.
- Corrupção: Uma das principais queixas dos manifestantes contra o governo do Partido Comunista Chinês.

