John Cade
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John Frederick Joseph Cade (1912-1980) foi um psiquiatra australiano que, em 1948, descobriu os efeitos do carbonato de lítio como estabilizador de humor no tratamento do transtorno bipolar, então conhecido como psicose maníaco-depressiva. Sua descoberta marcou um avanço significativo na psiquiatria, pois o lítio foi o primeiro medicamento eficaz disponível para tratar uma doença mental, em uma época em que os tratamentos padrão para psicoses incluíam eletroconvulsoterapia e lobotomia. O trabalho de Cade transformou a abordagem ao tratamento de doenças mentais, sugerindo uma causa biológica para condições como a mania.
Nascido em Murtoa, Victoria, Austrália, em 1912, John Cade cresceu em um ambiente que moldou sua compreensão da saúde mental. Seu pai, também médico, tornou-se superintendente médico em vários hospitais psiquiátricos vitorianos após a Primeira Guerra Mundial, e John passou grande parte de sua infância vivendo nos terrenos dessas instituições. Essa experiência precoce proporcionou-lhe uma profunda compreensão das necessidades dos pacientes com doenças mentais.
Cade estudou medicina na Universidade de Melbourne, graduando-se com honras. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu como capitão e depois major no Corpo Médico do Exército Australiano. Foi cirurgião e, após a Queda de Singapura, tornou-se prisioneiro de guerra no Campo de Prisioneiros de Changi de 1942 a 1945. Durante seu cativeiro, Cade observou o comportamento de alguns companheiros de prisão, notando flutuações de humor que o levaram a especular sobre a possibilidade de uma toxina afetando o cérebro, que seria eliminada pela urina. Essa observação incutiu nele a ideia de que doenças mentais graves poderiam ter causas biológicas, uma crença que contrastava com a visão predominante da época de que eram resultado de má criação.
Após a guerra, Cade trabalhou no Hospital Psiquiátrico de Repatriação de Bundoora, em Melbourne. Lá, ele iniciou experimentos com urina de pacientes maníacos, acreditando que poderia haver um excesso de certas substâncias químicas. Em seus estudos, ele usou carbonato de lítio como um controle para testar a toxicidade da urina em cobaias. Para sua surpresa, o lítio sozinho demonstrou ter um efeito calmante nas cobaias. Ele então testou o lítio em si mesmo antes de administrá-lo a pacientes com mania, observando uma melhora notável em seus sintomas. Sua descoberta foi publicada em 1949, revolucionando o tratamento do transtorno bipolar.