A Espanha tem sido um destino importante para imigrantes, especialmente da América Latina, que representam cerca de 47% do total de imigrantes no país. A presença de brasileiros na Espanha é parte desse fluxo migratório diversificado. Muitos desses imigrantes, embora já inseridos na economia espanhola, atuam sem contrato formal, enfrentando insegurança jurídica e maior risco de exploração trabalhista. Em janeiro de 2025, o centro de estudos Funcas estimou que aproximadamente 840 mil estrangeiros viviam em situação irregular na Espanha.
Em resposta a essa situação, o governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, anunciou a preparação de um decreto de regularização extraordinária. Esta iniciativa visa conceder autorização de residência a mais de 500 mil estrangeiros, incluindo os brasileiros em situação irregular. Os critérios para solicitação incluem a comprovação de permanência em território espanhol antes de 31 de dezembro do ano anterior ao pedido, estar no país há pelo menos cinco meses no momento da solicitação e não possuir antecedentes criminais. O objetivo é trazer para a legalidade trabalhadores já ativos na economia, especialmente em setores como serviços, turismo e agricultura, que dependem da mão de obra estrangeira.
A proposta de regularização gerou debate interno na Espanha. Enquanto o governo a defende como uma resposta humanitária e econômica, há resistência em grandes centros urbanos, onde parte da população associa a imigração à crise habitacional e à pressão sobre os serviços públicos. A Espanha já implementou programas de regularização semelhantes no passado, especialmente em períodos de aumento da imigração irregular e de distorções no mercado de trabalho e na arrecadação fiscal.