ICE - EUA
Adicionado evento de 22/01/2026 sobre a detenção de crianças pelo ICE em um distrito escolar de Minnesota, incluindo a perspectiva das autoridades escolares e do DHS.
O U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), ou Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, é uma agência federal do governo norte-americano responsável pela aplicação das leis de imigração dentro do país. Sua atuação abrange desde a detenção e deportação de imigrantes indocumentados até a investigação de crimes transnacionais. A agência frequentemente se torna o centro de debates e controvérsias, especialmente em relação às suas táticas operacionais e ao impacto nas comunidades de imigrantes, com incidentes recentes envolvendo mortes em operações de fiscalização e a detenção de menores. Sob a administração Trump, o ICE teve seu orçamento e autoridade ampliados, com um foco intensificado na aplicação das leis migratórias e metas de detenção, o que gerou críticas e comparações com táticas de regimes autoritários.
O ICE foi criado em 2003, após os ataques de 11 de setembro de 2001, como parte do Departamento de Segurança Interna (DHS), consolidando funções de diversas agências anteriores. A agência ganhou notoriedade por suas operações de fiscalização de imigração. Em janeiro de 2026, durante o governo Trump, o ICE intensificou suas operações em grandes cidades americanas. Uma dessas ações, em Minneapolis, Minnesota, resultou na morte de Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, mãe de três filhos, poeta premiada e guitarrista amadora, baleada com três tiros a curta distância por um agente do ICE em 7 de janeiro. Segundo o DHS, Good tentou atropelar agentes com seu veículo, que ficou preso na neve, enquanto eles tentavam removê-lo; o agente também ficou ferido e foi levado a um hospital. A secretária do DHS, Kristi Noem, classificou o incidente como "terrorismo doméstico". O vice-presidente J.D. Vance defendeu o agente, afirmando que ele possui "imunidade absoluta" e que a investigação deve ocorrer na esfera federal, além de elogiar os agentes do ICE como "americanos patriotas". O presidente Donald Trump declarou em rede social que a mulher agiu de forma violenta. Testemunhas relataram que agentes federais impediram socorro médico à vítima, e o veículo colidiu com um poste após os disparos. Autoridades locais, como o prefeito Jacob Frey e o senador estadual Omar Fateh, criticaram a atuação dos agentes, com Frey exigindo a saída imediata do ICE da cidade e do estado. O incidente gerou protestos em Minneapolis no dia 8 de janeiro, com confrontos em Saint Paul, e manifestações em cerca de dez outras cidades nos EUA. Este caso é parte de uma ofensiva migratória maior na região, envolvendo cerca de 2.000 agentes, ligada a investigações de supostas fraudes envolvendo residentes de origem somali, e representa ao menos a quinta morte em operações semelhantes desde 2024.
Em 14 de janeiro de 2026, promotores federais, incluindo Joseph H. Thompson, então número dois do Ministério Público Federal em Minnesota, renunciaram aos seus cargos. As renúncias ocorreram em meio a pressões para investigar a viúva de Renee Nicole Good, levantando questões sobre a independência do Ministério Público e possíveis pressões políticas em relação ao caso.
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, o papel do ICE foi drasticamente alterado por decreto, priorizando a aplicação das leis migratórias e normas relacionadas à entrada e permanência ilegal de estrangeiros, em detrimento de outras investigações como exploração sexual infantil ou tráfico de pessoas. O orçamento destinado à implementação da política de imigração foi multiplicado por dez, e o Departamento de Segurança Interna (DHS) passou a contar com um orçamento de US$ 170 bilhões. Em julho, o ICE recebeu "autorização total" para adotar todas as medidas que considerar necessárias "para se proteger", ampliando a margem de atuação dos agentes. O governo Trump também estabeleceu metas de detenções, pressionando as agências de imigração a prenderem 3 mil imigrantes em situação irregular por dia, visando aumentar o número de deportações. A violência dos métodos empregados pelos agentes federais de imigração atingiu um novo patamar, com agentes de imigração (ICE e CBP) disparando em pelo menos 16 episódios desde o início de 2025 e apontando armas de fogo em outros 15 incidentes, números considerados subestimados. A Human Rights Watch denunciou a "militarização violenta das operações de controle migratório" e pediu que o governo redirecione recursos para operações pacíficas e seguras, respeitando os direitos humanos.
Em janeiro de 2026, autoridades escolares do distrito de Columbia Heights, na região de Minneapolis, relataram que agentes do ICE detiveram pelo menos quatro crianças. Entre os casos, uma criança de 5 anos, Liam Conejo Ramos, foi levada com o pai após ser buscada na pré-escola. A superintendente Zena Stenvik questionou a ação, afirmando que uma criança de 5 anos não pode ser classificada como criminosa violenta. A porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin, negou que a criança fosse o alvo principal, explicando que o pai, Adrian Alexander Conejo Arias, fugiu, abandonando o filho, e que um agente permaneceu com a criança para garantir sua segurança. McLaughlin também afirmou que pais detidos podem escolher ser deportados com os filhos ou deixá-los sob os cuidados de terceiros. Outros incidentes relatados por Stenvik incluem a detenção de um estudante de ensino médio de 17 anos por agentes armados e mascarados a caminho da escola, a detenção de uma menina de 10 anos a caminho da escola (que, junto com a mãe, permaneceu em um centro de detenção no Texas), e a detenção de outra estudante de 17 anos com sua mãe em seu apartamento. O DHS não comentou as alegações sobre as outras crianças detidas.