ICE - EUA
Adicionado evento de 25/01/2026 sobre a carta de CEOs de Minnesota pedindo a redução das tensões com o ICE e suas repercussões.
O U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), ou Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, é uma agência federal do governo norte-americano responsável pela aplicação das leis de imigração dentro do país. Sua atuação abrange desde a detenção e deportação de imigrantes indocumentados até a investigação de crimes transnacionais. A agência frequentemente se torna o centro de debates e controvérsias, especialmente em relação às suas táticas operacionais e ao impacto nas comunidades de imigrantes, com incidentes recentes envolvendo mortes em operações de fiscalização, a detenção de menores e prisões durante entrevistas para vistos. Sob a administração Trump, o ICE teve seu orçamento e autoridade ampliados, com um foco intensificado na aplicação das leis migratórias e metas de detenção, o que gerou críticas e comparações com táticas de regimes autoritários. A tensão na região de Minneapolis aumentou significativamente devido ao envio de milhares de agentes do ICE para rondas de deportação, culminando em incidentes violentos como tiroteios durante protestos e mortes de civis. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou preocupação com as políticas migratórias, citando a morte de Alex Pretti em 24 de janeiro de 2026 como um exemplo da escalada da violência e da controvérsia em torno das operações do ICE. Este incidente, o segundo caso fatal envolvendo operações de imigração no estado em menos de um mês, gerou uma crise entre o governo estadual de Minnesota e as autoridades federais, com protestos generalizados e questionamentos sobre a conduta dos agentes. A repercussão negativa da morte de Pretti, amplamente noticiada e com vídeos da truculência dos agentes federais, levou a uma mudança de postura da administração Trump, que inicialmente defendeu os agentes, mas depois buscou "reduzir a tensão" e recalcular a estratégia em face da perda de apoio popular e alertas de lideranças republicanas. Além disso, a agência tem enfrentado desafios legais significativos, com o judiciário questionando a conformidade de suas operações com o devido processo legal, culminando em ordens judiciais para o comparecimento de seu diretor interino para explicar o descumprimento de decisões.
As operações do ICE são frequentemente marcadas por controvérsias, especialmente em relação ao uso da força e à transparência. Em 24 de janeiro de 2026, Alex Pretti, um enfermeiro e cidadão americano de 37 anos, foi morto a tiros por agentes do ICE em Minneapolis durante uma operação do Departamento de Segurança Interna (DHS). Inicialmente, autoridades federais alegaram que Pretti estava armado e resistiu violentamente, mas análises de vídeos por veículos como o "The New York Times" e a Reuters indicaram que ele segurava apenas um celular e foi baleado enquanto estava imobilizado no chão, com sua arma (que possuía legalmente) já tendo sido removida pelos agentes. Pretti, que não tinha antecedentes criminais significativos e era proprietário legal de arma de fogo com porte velado, estava participando de protestos contra a política imigratória e, no momento do incidente, tentava proteger uma mulher que estava sendo atingida por spray de pimenta. Este evento, que ocorreu menos de um mês após a morte de Renee Good em 7 de janeiro, intensificou as críticas às táticas do ICE. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou o caso como um ataque contra agentes, enquanto o governador de Minnesota, Tim Walz, descreveu as imagens como "revoltantes" e declarou que o estado lideraria a investigação, acusando agentes federais de dificultar o acesso inicial ao local. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, questionou a necessidade de tais operações na cidade. Donald Trump defendeu os agentes federais, publicando a imagem da arma de Pretti e acusando as autoridades locais de "incitar insurreição". A família de Pretti classificou as declarações oficiais como "mentiras repugnantes", afirmando que ele era um "bom homem" que tentava proteger uma mulher. A morte de Pretti provocou protestos imediatos e confrontos em Minneapolis, com a Guarda Nacional sendo acionada, e manifestações em outras cidades como Nova York, Washington e San Francisco. O caso ampliou a crise entre os governos estadual e federal, com líderes democratas em Washington defendendo o bloqueio de verbas para o DHS e o ICE.
Após a morte de Alex Pretti em 24 de janeiro de 2026, o governo Trump inicialmente adotou sua tática usual de negar acusações e atacar opositores. Autoridades como a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o comandante da Patrulha da Fronteira, Gregory Bovino, e o principal conselheiro presidencial, Stephen Miller, retrataram Pretti como um "terrorista doméstico" ou "aspirante a assassino" que queria "causar danos" e estava "empunhando" uma arma. Essa narrativa foi contestada por vídeos que circularam online e por autoridades locais, testemunhas e a família da vítima, que classificaram as declarações oficiais como "mentiras repugnantes". O BBC Verify analisou sete vídeos do incidente e confirmou que Pretti não estava segurando uma arma quando foi imobilizado.
Diante da repercussão e da opinião pública, que se mostrava fora de sintonia com a versão inicial do governo, houve uma mudança de estratégia em menos de 24 horas. Lideranças do Partido Republicano, incluindo o senador Lindsey Graham, alertaram Trump sobre o risco de perda de apoio popular devido à violência das ações do ICE e à exibição de vídeos da truculência dos agentes, que corroíam a credibilidade da agenda anti-imigração. Organizações pró-armas, aliadas tradicionais de Trump, também criticaram as declarações do governo que questionavam o porte de arma legal de Pretti. Na segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, recusou-se a repetir as declarações de Miller e afirmou que uma investigação completa seria conduzida, indicando um tom mais contido. O secretário de Assuntos de Veteranos, Doug Collins, apresentou condolências à família Pretti. O presidente Trump, por sua vez, publicou em sua rede social Truth Social que a morte foi "trágica" e atribuiu o episódio ao "caos provocado pelos democratas", mensagem repetida pelo vice-presidente J.D. Vance. O vice-procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, descreveu a situação como um "barril de pólvora", culpando os democratas.
Em 26 de janeiro de 2026, Trump anunciou o envio de Tom Homan, conhecido como "czar da fronteira" e ex-comandante de deportações, para Minnesota a fim de liderar as forças de segurança no estado. Homan é visto como um operador mais comedido e politicamente sensível, o que pode indicar uma mudança na apresentação da política de imigração, embora não necessariamente uma mudança na política em si. O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, expressou que a nomeação de Homan poderia abrir um novo caminho de diálogo. Trump também relatou ter tido uma "ligação muito boa" com o governador de Minnesota, Tim Walz, sinalizando um possível esfriamento das tensões entre os governos estadual e federal. Publicamente, Trump passou a mudar o tom ainda na noite de domingo (25), enviando recados ao governador de Minnesota, Tim Walz, e ao prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, pedindo colaboração. Na segunda-feira (26), Trump conversou com Walz por telefone, apesar de Walz ter sido um crítico recorrente e candidato a vice-presidente na chapa de Kamala Harris em 2024.
Em 27 de janeiro de 2026, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, anunciou que o presidente Donald Trump concordou em retirar alguns agentes do ICE da cidade, com a retirada prevista para começar em 28 de janeiro. Frey, que teve uma "boa conversa" com Trump, expressou que a "situação atual não pode continuar" e que Minneapolis se beneficia de suas comunidades imigrantes. Ele também afirmou que a cidade não participará de prisões inconstitucionais ou aplicará a lei federal de imigração, colaborando apenas em investigações criminais reais. O prefeito se reunirá com Tom Homan, que assumiu o comando da operação após a realocação do comandante da patrulha, Gregory Bovino, para a Califórnia. A Casa Branca afirmou que Bovino não havia sido demitido e que continuava sendo uma "peça importante" da agenda do presidente. Um alto funcionário do governo Trump disse à agência Reuters que Homan pretende deixar de lado grandes operações de busca em bairros e adotar uma abordagem mais tradicional. Até mesmo Stephen Miller, principal conselheiro de Trump, que havia chamado Pretti de "aspirante a assassino", admitiu que agentes de imigração podem ter violado o "protocolo". Trump expressou condolências à família de Pretti e afirmou que estaria "acompanhando de perto" a investigação, embora tenha questionado o porte de arma do enfermeiro, dizendo: "Não ouvi isso, mas certamente ele não deveria estar portando uma arma." Ao responder a uma pergunta sobre as operações anti-imigração, Trump disse que iria "reduzir um pouco a tensão".
Os democratas intensificaram suas críticas à política de deportação em massa e às táticas agressivas do ICE. Senadores democratas anunciaram que bloquearão medidas que proponham mais financiamento para o Departamento de Segurança Interna (DHS), do qual o ICE faz parte, o que pode levar a uma paralisação parcial do governo na noite de sexta-feira, 30 de janeiro de 2026. O senador pelo Havaí, Brian Schatz, afirmou que votaria contra qualquer financiamento para o DHS até que controles adicionais fossem implementados para responsabilizar o ICE, citando "episódios repetidos de violência".
Autoridades locais também expressaram forte desaprovação. O chefe da Polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, criticou a situação como "não sustentável", enquanto o governador de Vermont, Phil Scott, classificou os esforços federais em Minnesota como "um fracasso completo de coordenação" ou, na pior das hipóteses, "intimidação federal deliberada e incitação de cidadãos americanos". O senador por Utah, John Curtis, criticou a resposta "prematura" da secretária Kristi Noem.
Pesquisas de opinião realizadas antes do tiroteio indicavam que 61% dos entrevistados consideravam o ICE "duro demais ao abordar e deter pessoas", e 58% desaprovavam a condução da política de imigração como um todo, demonstrando um deterioramento do humor público em relação à ofensiva migratória do governo Trump. A situação se tornou um ponto central na disputa política, com riscos para ambos os partidos e implicações para a percepção pública da política migratória de Trump, um tema crucial para sua campanha de 2024.
Em 25 de janeiro de 2026, mais de 60 grandes empresas de Minnesota, incluindo Target, Best Buy, General Mills e Cargill, divulgaram uma carta pública pedindo uma "redução imediata das tensões" no estado. A carta, assinada pelos principais executivos de empresas como Land O’ Lakes, Hormel, U.S. Bancorp, Mayo Clinic, 3M e equipes esportivas locais (Minnesota Vikings, Minnesota Timberwolves e Minnesota Wild), marcou a primeira vez que as empresas mais reconhecidas de Minnesota se pronunciaram sobre a turbulência em Minneapolis, desencadeada pela repressão agressiva de agentes federais de imigração e pela morte de Alex Pretti no dia anterior. O documento afirmava: "Com a trágica notícia, estamos pedindo uma redução imediata das tensões e que autoridades estaduais, locais e federais trabalhem juntas para encontrar soluções reais".
A iniciativa foi divulgada pela Câmara de Comércio de Minnesota, que representa mais de 6.000 empresas, e recebeu o apoio de Josh Bolten, CEO do Business Roundtable, uma associação de mais de 200 CEOs das principais empresas dos Estados Unidos. A ação coletiva das empresas de Minnesota contrasta com a postura anterior de muitos CEOs de evitar se manifestar sobre questões politicamente sensíveis durante o governo Trump. No entanto, a violência na região atingiu um ponto crítico para algumas empresas, como a Target, que viu líderes religiosos se reunirem em sua sede após agentes de imigração deterem dois de seus funcionários em uma loja. A instabilidade em Minneapolis foi vista como um fator negativo para o crescimento, a inovação e a capacidade de recrutar talentos.
Especialistas, como Jeff Sonnenfeld da Yale School of Management, observaram que a manifestação coletiva oferece proteção às empresas contra ataques individuais do presidente Trump. A carta adotou um tom neutro, focando na paz e cooperação entre as autoridades para uma solução rápida e duradoura, sem condenar explicitamente as ações do ICE ou pedir mudanças no comportamento dos manifestantes. Essa abordagem cautelosa reflete a preocupação das corporações em não alienar grandes parcelas de seus clientes ou irritar o presidente Trump, que já repreendeu publicamente empresas e executivos. Alison Taylor, da Stern School of Business da Universidade de Nova York, sugeriu que as empresas foram "encurraladas" a se manifestar devido às consequências comerciais da situação.
Em 27 de janeiro de 2026, o juiz federal-chefe de Minnesota, Patrick J. Schiltz, ordenou que Todd Lyons, diretor interino do ICE, comparecesse ao tribunal para explicar por que o governo Trump não cumpriu ordens judiciais para realizar audiências de imigrantes detidos. Schiltz criticou a forma como o governo conduziu as audiências de fiança, destacando a "dimensão extraordinária" das violações e a falta de providências para lidar com os processos judiciais decorrentes do envio de milhares de agentes para Minnesota. O juiz afirmou que, apesar das garantias dos réus de que cumpririam as ordens, as violações continuaram. Um caso específico mencionado foi o de Juan T.R., que teve uma audiência de fiança concedida em 14 de janeiro, mas permaneceu detido até 23 de janeiro. Schiltz indicou que cancelaria o comparecimento de Lyons caso o detido em questão fosse libertado. Esta decisão judicial sublinha a crescente pressão sobre o ICE para que cumpra as garantias de devido processo legal, mesmo em meio a operações de fiscalização intensificadas.
Em 28 de janeiro de 2026, Stephen Miller, conselheiro influente de Donald Trump, reconheceu que a morte de Alex Pretti pode ter sido resultado de um descumprimento de "protocolo" por parte dos agentes federais. Miller declarou que os reforços enviados a Minnesota deveriam ter sido usados para conduzir operações rápidas, criando uma barreira entre as equipes que realizavam prisões e os perturbadores, e que a equipe da Customs and Border Protection (CBP) pode não ter seguido o protocolo. Esta declaração marcou uma mudança de postura significativa, ecoando a alteração no discurso de Trump, que passou de defender os agentes para falar em "reduzir a tensão" nas operações anti-imigração. A mudança de tom da administração Trump foi influenciada por alertas de lideranças republicanas, como o senador Lindsey Graham, sobre a perda de apoio popular e o risco político elevado das imagens da violência das ações do ICE, especialmente após a exibição de vídeos da truculência dos agentes. Organizações pró-armas, aliadas tradicionais de Trump, também criticaram as declarações do governo que questionavam o porte de arma legal de Pretti, que tinha autorização para portá-la. A Casa Branca, na tentativa de controlar a narrativa, realocou Gregory Bovino, comandante da operação em Minneapolis, para a Califórnia, e confirmou o envio de Tom Homan, o "czar da fronteira", para assumir o comando da operação na cidade. Homan, segundo um alto funcionário do governo Trump, pretende adotar uma abordagem mais tradicional, deixando de lado grandes operações de busca em bairros. Trump expressou condolências à família de Pretti e afirmou que acompanharia de perto a investigação, embora tenha questionado o porte de arma do enfermeiro.