ICE - EUA
Adicionado evento de 28/01/2026 sobre a mudança de postura de Donald Trump após a morte de Alex Pretti, incluindo a realocação de Gregory Bovino e a nomeação de Tom Homan, e o acordo para reduzir agentes federais em Minneapolis.
O U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), ou Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, é uma agência federal do governo norte-americano responsável pela aplicação das leis de imigração dentro do país. Sua atuação abrange desde a detenção e deportação de imigrantes indocumentados até a investigação de crimes transnacionais. A agência frequentemente se torna o centro de debates e controvérsias, especialmente em relação às suas táticas operacionais e ao impacto nas comunidades de imigrantes, com incidentes recentes envolvendo mortes em operações de fiscalização, a detenção de menores e prisões durante entrevistas para vistos. Sob a administração Trump, o ICE teve seu orçamento e autoridade ampliados, com um foco intensificado na aplicação das leis migratórias e metas de detenção, o que gerou críticas e comparações com táticas de regimes autoritários. A tensão na região de Minneapolis aumentou significativamente devido ao envio de milhares de agentes do ICE para rondas de deportação, culminando em incidentes violentos como tiroteios durante protestos e mortes de civis. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou preocupação com as políticas migratórias, citando a morte de Alex Pretti em 24 de janeiro de 2026 como um exemplo da escalada da violência e da controvérsia em torno das operações do ICE. Este incidente, o segundo caso fatal envolvendo operações de imigração no estado em menos de um mês, gerou uma crise entre o governo estadual de Minnesota e as autoridades federais, com protestos generalizados e questionamentos sobre a conduta dos agentes. A repercussão negativa da morte de Pretti, amplamente noticiada e com vídeos da truculência dos agentes federais, levou a uma mudança de postura da administração Trump, que inicialmente defendeu os agentes, mas depois buscou "reduzir a tensão" e recalcular a estratégia em face da perda de apoio popular e alertas de lideranças republicanas. Além disso, a agência tem enfrentado desafios legais significativos, com o judiciário questionando a conformidade de suas operações com o devido processo legal, culminando em ordens judiciais para o comparecimento de seu diretor interino para explicar o descumprimento de decisões.
As operações do ICE são frequentemente marcadas por controvérsias, especialmente em relação ao uso da força e à transparência. Em 24 de janeiro de 2026, Alex Pretti, um enfermeiro e cidadão americano de 37 anos, foi morto a tiros por agentes do ICE em Minneapolis durante uma operação do Departamento de Segurança Interna (DHS). Inicialmente, autoridades federais alegaram que Pretti estava armado e resistiu violentamente, mas análises de vídeos por veículos como o "The New York Times" e a Reuters indicaram que ele segurava apenas um celular e foi baleado enquanto estava imobilizado no chão, com sua arma (que possuía legalmente) já tendo sido removida pelos agentes. Pretti, que não tinha antecedentes criminais significativos e era proprietário legal de arma de fogo com porte velado, estava participando de protestos contra a política imigratória e, no momento do incidente, tentava proteger uma mulher que estava sendo atingida por spray de pimenta. Este evento, que ocorreu menos de um mês após a morte de Renee Good em 7 de janeiro, intensificou as críticas às táticas do ICE. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou o caso como um ataque contra agentes, enquanto o governador de Minnesota, Tim Walz, descreveu as imagens como "revoltantes" e declarou que o estado lideraria a investigação, acusando agentes federais de dificultar o acesso inicial ao local. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, questionou a necessidade de tais operações na cidade. Donald Trump defendeu os agentes federais, publicando a imagem da arma de Pretti e acusando as autoridades locais de "incitar insurreição". A família de Pretti classificou as declarações oficiais como "mentiras repugnantes", afirmando que ele era um "bom homem" que tentava proteger uma mulher. A morte de Pretti provocou protestos imediatos e confrontos em Minneapolis, com a Guarda Nacional sendo acionada, e manifestações em outras cidades como Nova York, Washington e San Francisco. O caso ampliou a crise entre os governos estadual e federal, com líderes democratas em Washington defendendo o bloqueio de verbas para o DHS e o ICE.
Após a morte de Alex Pretti em 24 de janeiro de 2026, o governo Trump inicialmente adotou sua tática usual de negar acusações e atacar opositores. Autoridades como a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o comandante da Patrulha da Fronteira, Gregory Bovino, e o principal conselheiro presidencial, Stephen Miller, retrataram Pretti como um "terrorista doméstico" ou "aspirante a assassino" que queria "causar danos" e estava "empunhando" uma arma. Essa narrativa foi contestada por vídeos que circularam online e por autoridades locais, testemunhas e a família da vítima, que classificaram as declarações oficiais como "mentiras repugnantes". O BBC Verify analisou sete vídeos do incidente e confirmou que Pretti não estava segurando uma arma quando foi imobilizado.
Diante da repercussão e da opinião pública, que se mostrava fora de sintonia com a versão inicial do governo, houve uma mudança de estratégia em menos de 24 horas. Lideranças do Partido Republicano, incluindo o senador Lindsey Graham, alertaram Trump sobre o risco de perda de apoio popular devido à violência das ações do ICE e à exibição de vídeos da truculência dos agentes, que corroíam a credibilidade da agenda anti-imigração. Organizações pró-armas, aliadas tradicionais de Trump, também criticaram as declarações do governo que questionavam o porte de arma legal de Pretti. Na segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, recusou-se a repetir as declarações de Miller e afirmou que uma investigação completa seria conduzida, indicando um tom mais contido. O secretário de Assuntos de Veteranos, Doug Collins, apresentou condolências à família Pretti. O presidente Trump, por sua vez, publicou em sua rede social Truth Social que a morte foi "trágica" e atribuiu o episódio ao "caos provocado pelos democratas", mensagem repetida pelo vice-presidente J.D. Vance. O vice-procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, descreveu a situação como um "barril de pólvora", culpando os democratas.
Em 26 de janeiro de 2026, Trump anunciou o envio de Tom Homan, conhecido como "czar da fronteira" e ex-comandante de deportações, para Minnesota a fim de liderar as forças de segurança no estado. Homan é visto como um operador mais comedido e politicamente sensível, o que pode indicar uma mudança na apresentação da política de imigração, embora não necessariamente uma mudança na política em si. O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, expressou que a nomeação de Homan poderia abrir um novo caminho de diálogo. Trump também relatou ter tido uma "ligação muito boa" com o governador de Minnesota, Tim Walz, sinalizando um possível esfriamento das tensões entre os governos estadual e federal. Publicamente, Trump passou a mudar o tom ainda na noite de domingo (25), enviando recados ao governador de Minnesota, Tim Walz, e ao prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, pedindo colaboração. Na segunda-feira (26), Trump conversou com Walz por telefone, apesar de Walz ter sido um crítico recorrente e candidato a vice-presidente na chapa de Kamala Harris em 2024.
Em 27 de janeiro de 2026, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, anunciou que o presidente Donald Trump concordou em retirar alguns agentes do ICE da cidade, com a retirada prevista para começar em 28 de janeiro. Frey, que teve uma "boa conversa" com Trump, expressou que a "situação atual não pode continuar" e que Minneapolis se beneficia de suas comunidades imigrantes. Ele também afirmou que a cidade não participará de prisões inconstitucionais ou aplicará a lei federal de imigração, colaborando apenas em investigações criminais reais. O prefeito se reunirá com Tom Homan, que assumiu o comando da operação após a realocação do comandante da patrulha, Gregory Bovino, para a Califórnia. A Casa Branca afirmou que Bovino não havia sido demitido e que continuava sendo uma "peça importante" da agenda do presidente. Um alto funcionário do governo Trump disse à agência Reuters que Homan pretende deixar de lado grandes operações de busca em bairros e adotar uma abordagem mais tradicional. Até mesmo Stephen Miller, principal conselheiro de Trump, que havia chamado Pretti de "aspirante a assassino", admitiu que agentes de imigração podem ter violado o "protocolo". Trump expressou condolências à família de Pretti e afirmou que estaria "acompanhando de perto" a investigação, embora tenha questionado o porte de arma do enfermeiro, dizendo: "Não ouvi isso, mas certamente ele não deveria estar portando uma arma." Ao responder a uma pergunta sobre as operações anti-imigração, Trump disse que iria "reduzir um pouco a tensão".
Os democratas intensificaram suas críticas à política de deportação em massa e às táticas agressivas do ICE. Senadores democratas anunciaram que bloquearão medidas que proponham mais financiamento para o Departamento de Segurança Interna (DHS), do qual o ICE faz parte, o que pode levar a uma paralisação parcial do governo na noite de sexta-feira, 30 de janeiro de 2026. O senador pelo Havaí, Brian Schatz, afirmou que votaria contra qualquer financiamento para o DHS até que controles adicionais fossem implementados para responsabilizar o ICE, citando "episódios repetidos de violência".
Autoridades locais também expressaram forte desaprovação. O chefe da Polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, criticou a situação como "não sustentável", enquanto o governador de Vermont, Phil Scott, classificou os esforços federais em Minnesota como "um fracasso completo de coordenação" ou, na pior das hipóteses, "intimidação federal deliberada e incitação de cidadãos americanos". O senador por Utah, John Curtis, criticou a resposta "prematura" da secretária Kristi Noem.
Pesquisas de opinião realizadas antes do tiroteio indicavam que 61% dos entrevistados consideravam o ICE "duro demais ao abordar e deter pessoas", e 58% desaprovavam a condução da política de imigração como um todo, demonstrando um deterioramento do humor público em relação à ofensiva migratória do governo Trump. A situação se tornou um ponto central na disputa política, com riscos para ambos os partidos e implicações para a percepção pública da política migratória de Trump, um tema crucial para sua campanha de 2024.
Em 27 de janeiro de 2026, o juiz federal-chefe de Minnesota, Patrick J. Schiltz, ordenou que Todd Lyons, diretor interino do ICE, comparecesse ao tribunal para explicar por que o governo Trump não cumpriu ordens judiciais para realizar audiências de imigrantes detidos. Schiltz criticou a forma como o governo conduziu as audiências de fiança, destacando a "dimensão extraordinária" das violações e a falta de providências para lidar com os processos judiciais decorrentes do envio de milhares de agentes para Minnesota. O juiz afirmou que, apesar das garantias dos réus de que cumpririam as ordens, as violações continuaram. Um caso específico mencionado foi o de Juan T.R., que teve uma audiência de fiança concedida em 14 de janeiro, mas permaneceu detido até 23 de janeiro. Schiltz indicou que cancelaria o comparecimento de Lyons caso o detido em questão fosse libertado. Esta decisão judicial sublinha a crescente pressão sobre o ICE para que cumpra as garantias de devido processo legal, mesmo em meio a operações de fiscalização intensificadas.