Visão geral
A Guerra Ucrânia x Rússia é um conflito armado em curso que se intensificou significativamente com a invasão russa em fevereiro de 2022. O conflito tem raízes históricas e geopolíticas profundas, envolvendo disputas territoriais, influências políticas e a segurança regional e global. A guerra é marcada por intensos combates, ataques aéreos e o uso de tecnologias militares avançadas, incluindo mísseis hipersônicos como o Oreshnik, capaz de transportar ogivas nucleares. A Rússia recebe apoio significativo da Coreia do Norte, que enviou milhares de soldados e mais de 9 milhões de munições, permitindo a intensificação de bombardeios contra infraestrutura ucraniana. Em janeiro de 2026, a Rússia utilizou o sistema Oreshnik em ataques massivos, visando tanto a capital Kiev quanto a cidade de Lviv. Especialistas interpretam o uso dessas armas, por vezes sem carga explosiva, como uma estratégia de coerção e intimidação psicológica contra a Ucrânia e seus aliados ocidentais. Os ataques russos à infraestrutura energética ucraniana têm atingido duramente a população civil, especialmente com a intensificação do frio. Paralelamente aos combates, esforços diplomáticos continuam, com negociadores ucranianos e representantes dos EUA engajados em conversações para buscar uma resolução para o conflito. Líderes religiosos, como o Papa Leão XIV, também têm se manifestado, pedindo diálogo e paz e oferecendo orações pelo povo ucraniano. Donald Trump, por sua vez, tem expressado a visão de que a Ucrânia estaria impedindo um acordo de paz, enquanto a Rússia estaria pronta para encerrar o conflito, uma perspectiva que contrasta com a de aliados europeus e relatórios de inteligência dos EUA. Volodymyr Zelenskiy, em resposta aos comentários de Trump, reiterou o compromisso da Ucrânia com a paz, mas afirmou que os contínuos ataques russos demonstram a falta de interesse de Moscou em um acordo. A Rússia tem intensificado seus esforços de recrutamento, incluindo o alistamento de prisioneiros e a atração de estrangeiros de países como Síria, Egito e Iêmen, muitas vezes por meio de promessas enganosas de trabalho lucrativo e cidadania, que resultam no envio para a linha de frente com treinamento inadequado.
Contexto e histórico
O conflito atual é uma escalada de tensões que remontam a 2014, com a anexação da Crimeia pela Rússia e o apoio a separatistas nas regiões de Donetsk e Luhansk. A invasão em larga escala de 2022 marcou uma nova fase, com a Rússia buscando desmilitarizar a Ucrânia, enquanto esta defende sua soberania com apoio ocidental. A Rússia conta com apoio da Coreia do Norte, formalizado em um acordo de defesa mútua de 2024. O uso de armas avançadas, como os mísseis hipersônicos Oreshnik — testados pela primeira vez em Dnipro em novembro de 2024 — representa um agravamento estratégico. Recentemente, o emprego de mísseis com capacidade nuclear, mas desprovidos de explosivos, tem sido analisado como uma forma de "recado" diplomático-militar, visando demonstrar poderio sem necessariamente atingir alvos militares imediatos. Os ataques contínuos à infraestrutura energética ucraniana, especialmente durante o inverno, têm gerado preocupação internacional devido ao impacto direto na população civil. Em meio a essa escalada militar, os esforços diplomáticos para encontrar uma solução para o conflito persistem, com a Ucrânia e os Estados Unidos mantendo canais de comunicação abertos para negociações, e figuras como o Papa Leão XIV apelando publicamente pelo fim da violência. Contudo, o cenário diplomático é complexo, com Donald Trump expressando a crença de que a Ucrânia, e não a Rússia, é o principal obstáculo para um acordo de paz, uma visão que diverge da de muitos aliados ocidentais e da inteligência americana. Em contrapartida, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy tem enfatizado que os ataques russos contínuos são a prova da falta de interesse de Moscou em uma solução pacífica. Para compensar as perdas significativas de soldados, a Rússia tem ampliado suas estratégias de recrutamento, incluindo o uso de redes informais para atrair combatentes estrangeiros, prometendo-lhes cidadania e salários elevados, mas enviando-os para o combate com pouco treinamento e sem a possibilidade de sair do serviço.
Linha do tempo
- 2024: Rússia e Coreia do Norte assinam acordo militar, incluindo cláusula de defesa mútua.
- Março de 2024: Recrutamento de sírios por Polina Alexandrovna Azarnykh para as Forças Armadas russas, com promessas de trabalho lucrativo e cidadania.
- Novembro de 2024: Rússia realiza o primeiro disparo experimental do míssil Oreshnik contra uma fábrica em Dnipro.
- 16 de março de 2025: Análise sobre os objetivos de Trump, Putin e Zelensky no conflito e posições estratégicas para negociações de paz.
- 25 de maio de 2025: Rússia lança ataque aéreo com quase 370 mísseis e drones, resultando em pelo menos 12 mortes.
- 10 de junho de 2025: Discussão sobre a reavaliação de táticas militares ocidentais devido ao uso de drones ucranianos.
- 28-29 de dezembro de 2025: Rússia acusa a Ucrânia de tentar atacar a residência de Putin em Novgorod com 91 drones; Zelensky nega e classifica a acusação como pretexto para sabotar a paz.
- 29 de dezembro de 2025: Zelensky reúne-se com Donald Trump na Flórida para discutir garantias de segurança e um possível acordo de paz.
- Setembro de 2025: Putin agradece a Kim Jong-un pelo envio de tropas norte-coreanas.
- 08 de janeiro de 2026: Coreia do Norte promete apoio incondicional e permanente à Rússia.
- 09 de janeiro de 2026: A Rússia realiza um ataque massivo a Kiev com o sistema hipersônico Oreshnik, lançando 36 mísseis e 242 drones, atingindo infraestrutura energética. Simultaneamente, um míssil Oreshnik com capacidade nuclear atinge a cidade de Lviv; especialistas indicam que o projétil não carregava explosivos e não atingiu alvos militares, servindo como um ato de coerção e intimidação.
- 10 de janeiro de 2026: O principal negociador ucraniano dialoga com representantes dos EUA em conversas para encerrar o conflito.
- 11 de janeiro de 2026: O Papa Leão XIV pede diálogo e paz, e oferece orações pelo povo ucraniano após os ataques russos a instalações de energia, destacando o impacto na população civil e a intensificação do frio.
- 12 de janeiro de 2026: Programada reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir a escalada do conflito após o uso de mísseis hipersônicos contra Kiev.
- 13 de janeiro de 2026: Ataque russo na madrugada mata quatro pessoas e fere seis em Kharkiv, atingindo um terminal postal e causando incêndios. A ofensiva também danifica a rede elétrica, resultando em cortes de energia emergenciais em Kiev. Cerca de 20 mísseis balísticos são lançados em Kiev em um ataque descrito como curto, porém intenso. Ataques também atingem Odessa, deixando cinco feridos, e Kryvyi Rih, com dois feridos. A Rússia utiliza mísseis supersônicos Oreshnik, com capacidade nuclear, mas sem ogivas explosivas, visando a infraestrutura energética e instalações de fabricação de drones. A Rússia justifica o ataque como resposta à suposta tentativa de ataque à residência de Putin em dezembro de 2025, alegação negada por Zelensky.
Principais atores
- Ucrânia: Liderada por Volodymyr Zelensky, defende sua soberania e busca garantias de segurança de longo prazo (30 a 50 anos). Diplomatas como o chanceler Andrii Sybiha e o embaixador Andriy Melnyk atuam na denúncia de crimes de guerra e na pressão internacional contra o uso de mísseis hipersônicos. O principal negociador ucraniano mantém diálogo com parceiros internacionais para buscar o fim do conflito. Zelensky tem refutado publicamente qualquer concessão territorial à Rússia, citando a Constituição do país, e reiterou o compromisso do país com a paz, apesar dos contínuos ataques russos que, segundo ele, demonstram a falta de interesse de Moscou em um acordo.
- Rússia: Liderada por Vladimir Putin, utiliza ataques de alta tecnologia como retaliação estratégica. O Kremlin utiliza disparos de mísseis avançados sem ogivas explosivas como ferramenta de pressão psicológica e política. Os ataques à infraestrutura energética têm impactado severamente a população civil ucraniana. Putin, segundo Donald Trump, estaria pronto para um acordo de paz, embora os ataques contínuos sugiram o contrário, conforme apontado por Zelenskiy. A Rússia também tem intensificado o recrutamento de estrangeiros e prisioneiros para compensar as perdas militares, utilizando redes informais e promessas enganosas para atrair combatentes de países como Síria, Egito e Iêmen.
- Coreia do Norte / Kim Jong-un: Fornece apoio militar direto com tropas e milhões de munições, sustentando a capacidade de bombardeio russa.
- Estados Unidos e Donald Trump: Os EUA oferecem garantias de segurança (proposta inicial de 15 anos). Trump afirma estar próximo de um plano de paz, embora as negociações enfrentem resistências sobre o controle territorial. Representantes dos EUA participam de conversas com negociadores ucranianos para buscar o fim da guerra. Trump tem expressado frustração com Zelensky, afirmando que a Ucrânia está impedindo um acordo de paz, uma visão que contrasta com a de muitos aliados ocidentais e da inteligência americana que indicam pouco interesse de Moscou em encerrar o conflito. Um possível encontro entre Trump e Zelensky no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na próxima semana, foi mencionado, mas sem planos definidos.
- ONU: O Conselho de Segurança atua como mediador de crises, convocando reuniões de emergência diante do uso de armamentos com capacidade nuclear.
- Papa Leão XIV: Líder da Igreja Católica, tem apelado publicamente pelo diálogo e pela paz, oferecendo orações pelo povo ucraniano e condenando os ataques à infraestrutura energética que afetam a população civil.
- Tymur Tkachenko: Chefe da administração militar de Kiev, descreveu o ataque de 13 de janeiro de 2026 como um ataque de mísseis curto, porém intenso, contra a capital.
- Polina Alexandrovna Azarnykh: Ex-professora russa, de 40 anos, identificada por uma investigação da BBC como uma das principais recrutadoras de homens estrangeiros (sírios, egípcios, iemenitas, entre outros) para as Forças Armadas russas, utilizando um canal no Telegram. Ela atrai os homens com promessas de trabalho lucrativo e cidadania, mas os envia para a linha de frente na Ucrânia com pouco treinamento, e é acusada de enganar e ameaçar os recrutas.
Impacto Econômico Global
A guerra continua a gerar volatilidade nos preços do petróleo e commodities. O uso de armas de nova geração e ataques a infraestruturas energéticas aumentam a incerteza nos mercados financeiros globais, afetando índices como o Dow Jones e as bolsas europeias, que reagem diretamente à possibilidade de expansão do conflito para além das fronteiras ucranianas. A continuidade dos esforços diplomáticos, como as conversas entre Ucrânia e EUA, os apelos de líderes globais por paz, e as declarações de figuras como Donald Trump e Volodymyr Zelenskiy sobre o processo de paz, são vistos como fatores que podem influenciar a estabilidade econômica a longo prazo. Além disso, as estratégias de recrutamento de combatentes estrangeiros pela Rússia, muitas vezes com promessas enganosas, podem ter implicações econômicas e sociais para os países de origem desses recrutas.
Recrutamento de Estrangeiros pelas Forças Armadas Russas
A Rússia tem intensificado seus esforços para recrutar combatentes estrangeiros para a guerra na Ucrânia, utilizando métodos que incluem promessas de altos salários e cidadania russa. Uma investigação da BBC, publicada em 18 de janeiro de 2026, revelou que figuras como Polina Alexandrovna Azarnykh, uma ex-professora, operam redes de recrutamento, principalmente via Telegram, para atrair homens de países como Síria, Egito e Iêmen. Esses recrutas são frequentemente enganados, sendo prometidos trabalhos civis ou funções de segurança, mas acabam enviados para a linha de frente com treinamento militar inadequado e sem a possibilidade de rescindir seus contratos, que são automaticamente renovados até o fim da guerra por um decreto russo de 2022. Há relatos de ameaças e coerção, como a queima de passaportes, contra aqueles que tentam se recusar a combater ou questionar as condições. A BBC identificou cerca de 500 casos de convites emitidos por Azarnykh, e famílias de recrutas relatam mortes e desaparecimentos. Estima-se que pelo menos 20 mil estrangeiros, de países como Cuba, Nepal e Coreia do Norte, possam ter se alistado. O Kremlin, que inicialmente utilizava organizações maiores como o Grupo Wagner e o sistema prisional para recrutamento, agora incentiva moradores locais e companhias menores, sugerindo que as estratégias anteriores não geram mais o mesmo volume de recrutas.
Termos importantes
- Míssil hipersônico Oreshnik: Sistema de mísseis que viaja a mais de cinco vezes a velocidade do som, dificultando a interceptação e capaz de carregar ogivas nucleares.
- Ataque de Coerção: Uso de força militar ou demonstração de armamento avançado com o objetivo de intimidar o adversário politicamente, sem necessariamente buscar destruição física imediata.
- Infraestrutura energética: Alvos civis e militares estratégicos (usinas e redes elétricas) frequentemente visados para desestabilizar a economia e o suporte militar, com graves consequências para a população civil, especialmente em condições climáticas adversas.
- Conselho de Segurança da ONU: Órgão internacional responsável pela manutenção da paz, que realiza reuniões de emergência em casos de escalada grave de violência.
- Garantias de Segurança: Compromissos de proteção militar discutidos entre Ucrânia e potências ocidentais para assegurar a estabilidade pós-conflito.
- Fórum Econômico Mundial (Davos): Encontro anual de líderes políticos e empresariais globais, onde discussões sobre questões internacionais, incluindo conflitos e diplomacia, frequentemente ocorrem.
- Recrutamento de Estrangeiros: Estratégia russa para compensar perdas militares, atraindo homens de outros países com promessas de cidadania e altos salários, mas com relatos de engano e envio para a linha de frente com treinamento inadequado.