Visão geral
O endividamento do brasileiro refere-se à situação financeira das famílias no Brasil em relação às suas dívidas. Este tema é um indicador crucial da saúde econômica do país, refletindo a capacidade de consumo, a estabilidade financeira das famílias e o impacto das políticas monetárias. Nos últimos anos, o endividamento tem sido uma preocupação crescente, com dados apontando para uma parcela significativa da renda comprometida com o serviço da dívida, apesar de uma ligeira redução nas taxas de inadimplência em certos períodos. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e o Banco Central do Brasil (BCB) são fontes importantes de dados e análises sobre o tema.
Contexto histórico e desenvolvimento
Historicamente, o endividamento das famílias brasileiras tem sido influenciado por ciclos econômicos, taxas de juros e políticas de crédito. Após a pandemia de COVID-19, observou-se uma mudança na correlação entre o crescimento da renda e o serviço da dívida, com as famílias assumindo mais dívidas mesmo com o aumento da renda. Isso pode ser atribuído ao maior acesso a serviços bancários e à crescente competição no setor financeiro. Em janeiro de 2025, a parcela de domicílios endividados diminuiu para 76,1%, em comparação com 76,7% em dezembro de 2024. Contudo, a proporção da renda familiar destinada ao pagamento de dívidas atingiu 30% em janeiro de 2025, o nível mais alto em oito meses. A inadimplência em créditos não consignados para pessoas físicas alcançou 6,3% em junho de 2025, um aumento de 0,8 pontos percentuais em 12 meses. A Lei nº 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento, foi criada para fortalecer os direitos do consumidor e oferecer caminhos para a renegociação de dívidas, respeitando o mínimo existencial.
Linha do tempo
- Julho de 2021: Entrada em vigor da Lei nº 14.181/2021 (Lei do Superendividamento), que visa proteger o consumidor superendividado.
- Maio de 2023: O serviço da dívida das famílias atinge 27,9% da renda, próximo ao recorde histórico.
- Setembro de 2024: Nível de consumidores que se consideram “muito endividados” atinge o ponto mais alto desde este mês, chegando a 15,9% em janeiro de 2025.
- Dezembro de 2024: 76,7% dos domicílios brasileiros estavam endividados.
- Janeiro de 2025: A parcela de domicílios endividados cai para 76,1%. A proporção da renda familiar destinada ao pagamento de dívidas atinge 30%, o maior nível desde maio de 2024. A inadimplência em dívidas em atraso fica em 29,1%.
- Março de 2025: O endividamento das famílias atinge 48,6% da renda acumulada nos últimos 12 meses, e o comprometimento da renda com o serviço da dívida é de 27,2%, segundo o Banco Central.
- Junho de 2025: A inadimplência em crédito não consignado para pessoas físicas atinge 6,3% do total da carteira.
Principais atores
- Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC): Responsável pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), que monitora o nível de endividamento e inadimplência no Brasil.
- Banco Central do Brasil (BCB): Monitora a estabilidade financeira, as taxas de juros (SELIC) e publica relatórios como o Relatório de Estabilidade Financeira, que aborda o crédito e o endividamento.
- Consumidores brasileiros: As famílias e indivíduos que contraem dívidas e são diretamente afetados pelas condições de crédito e políticas econômicas.
- Instituições financeiras: Bancos e outras entidades que concedem crédito, cujas políticas de empréstimo e taxas de juros impactam diretamente o endividamento.
- Governo Federal: Através de políticas econômicas, legislação (como a Lei do Superendividamento) e programas de educação financeira, busca regular e mitigar os riscos do endividamento excessivo.
Termos importantes
- Endividamento: A soma das obrigações financeiras de uma pessoa ou família, incluindo empréstimos, financiamentos e dívidas de cartão de crédito.
- Inadimplência: A incapacidade ou atraso no pagamento de uma dívida na data de vencimento.
- Serviço da dívida: A parcela da renda mensal que é destinada ao pagamento de juros e principal das dívidas.
- Mínimo existencial: Valor mínimo de renda que uma pessoa precisa para cobrir despesas básicas essenciais, como alimentação, moradia e saúde, e que deve ser preservado em casos de renegociação de dívidas, conforme a Lei do Superendividamento.
- Taxa Selic: A taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central, que influencia diretamente as taxas de juros cobradas em empréstimos e financiamentos.