Visão geral
Eduardo Velloso é um deputado federal pelo estado do Acre, filiado ao partido União Brasil. Ele se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal em janeiro de 2026, que investiga um suposto desvio de recursos de emendas parlamentares, conhecidas como "emendas Pix", na ordem de R$ 912 mil. A investigação aponta para a destinação de verbas originalmente para eventos culturais em Sena Madureira (AC), que teriam sido redirecionadas para um hospital oftalmológico de propriedade de seu pai, com indícios de superfaturamento em procedimentos médicos.
Contexto histórico e desenvolvimento
A investigação da Polícia Federal, deflagrada em janeiro de 2026, foca em um evento promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Sena Madureira, em setembro de 2024. As apurações indicam um desvio de R$ 912 mil. A operação resultou no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão no Acre e no Distrito Federal, determinados pelo Supremo Tribunal Federal. Os crimes investigados incluem associação a organização criminosa, fraude em licitação, corrupção e lavagem de dinheiro.
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que o Hospital Oftalmológico do Acre, de propriedade do pai de Eduardo Velloso, recebeu recursos públicos para cirurgias com valores muito acima dos parâmetros oficiais do SUS. Exemplos incluem cirurgias de hérnia umbilical faturadas em R$ 8.092,15 (contra R$ 419,94 do SUS), histerectomias por R$ 8.561,26 (contra R$ 907,93 do SUS) e colecistectomias por R$ 7.974,87 (contra R$ 996,34 do SUS).
Eduardo Velloso já figurou como sócio da clínica em diferentes períodos: entre 2006 e 2011, em 2015 e novamente em 2019. Em nota, o deputado afirmou que sempre atuou com transparência, que a destinação da emenda seguiu os trâmites legais e que a responsabilidade pela execução e fiscalização dos recursos é da gestão municipal, não cabendo a ele qualquer ingerência após a transferência.
Linha do tempo
- 2006-2011: Eduardo Velloso figura como sócio do Hospital Oftalmológico do Acre.
- 2015: Eduardo Velloso figura como sócio do Hospital Oftalmológico do Acre.
- 2019: Eduardo Velloso figura como sócio do Hospital Oftalmológico do Acre. Criação das emendas Pix.
- Setembro de 2024: Evento da Secretaria Municipal de Cultura de Sena Madureira sob investigação.
- 14 de janeiro de 2026: O Globo revela o repasse de emenda de Velloso para o hospital de seu pai.
- 29 de janeiro de 2026: Polícia Federal deflagra operação sobre suposto desvio de emendas Pix no Acre, tendo Eduardo Velloso como um dos alvos.
Principais atores
- Eduardo Velloso: Deputado federal (União-AC), alvo da investigação.
- Polícia Federal (PF): Instituição responsável pela operação e investigação.
- Supremo Tribunal Federal (STF): Órgão que determinou os mandados de busca e apreensão.
- Secretaria Municipal de Cultura de Sena Madureira (AC): Órgão que promoveu o evento sob investigação.
- Prefeitura de Sena Madureira (AC): Responsável pela gestão e fiscalização dos recursos após o repasse.
- Instituto Brasil-Amazônia de Serviços Especializados e Saúde (Inbases): ONG que recebeu os recursos e subcontratou o Hospital Oftalmológico do Acre.
- Hospital Oftalmológico do Acre: Clínica privada pertencente ao pai de Eduardo Velloso, que recebeu os recursos desviados.
- Controladoria-Geral da União (CGU): Órgão que realizou auditoria apontando o superfaturamento.
Termos importantes
- Emendas Pix: Criadas em 2019, são emendas individuais que permitem a parlamentares indicar valores diretamente para contas de prefeituras e estados com trâmite acelerado. Os valores podem ser utilizados pelos gestores municipais ou estaduais sem a necessidade de aval do governo federal, o que as diferencia das emendas tradicionais.
- Superfaturamento: Cobrança de valores excessivos por bens ou serviços, acima dos preços de mercado ou dos parâmetros oficiais, geralmente em contratos com o poder público.
- Lavagem de dinheiro: Conjunto de operações comerciais ou financeiras que buscam incorporar na economia de um país, de forma transitória ou permanente, bens, direitos ou valores que são produto de crimes.
- Fraude em licitação: Manipulação de processos licitatórios para beneficiar indevidamente uma empresa ou indivíduo, violando os princípios da isonomia e da competitividade.