Visão geral
A economia dos Estados Unidos é a maior do mundo em termos de Produto Interno Bruto (PIB) nominal e a segunda maior em paridade de poder de compra (PPC). Caracteriza-se por um mercado de trabalho dinâmico, alta inovação tecnológica e um setor de serviços robusto. É influenciada por políticas monetárias do Federal Reserve e por indicadores como o mercado de trabalho, a inflação e as vendas no varejo. A produção industrial também mostra resiliência, com um aumento notável em dezembro de 2025. Previsões recentes de especialistas, como o ganhador do Nobel Paul Krugman, indicam que a combinação de políticas persistentes e elevada incerteza política e econômica pode levar a um cenário adverso no curto e médio prazo, especialmente sob certas administrações futuras. Recentemente, a coleta de dados de preços ao consumidor foi afetada por uma paralisação, o que levou a distorções nos relatórios de inflação, com expectativa de retomada da alta de preços após a normalização da coleta. Apesar disso, dirigentes do Federal Reserve, como John Williams, presidente do Federal Reserve de Nova York, têm expressado otimismo sobre as perspectivas econômicas, sinalizando pouca urgência para cortes imediatos nas taxas de juros, dada a trajetória de queda da inflação (embora ainda não tenha atingido a meta de 2%) e a contínua força do mercado de trabalho. No entanto, um ano após o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025, algumas de suas promessas econômicas, como a redução da inflação de alimentos e o aumento de empregos industriais, não se concretizaram, enquanto outras, como a queda nos preços da gasolina, tiveram algum avanço, mas impulsionadas por fatores pré-existentes. A economia mostrou resiliência, e o mercado de ações teve um ano robusto em 2025, impulsionado pelo otimismo em relação à inteligência artificial.
Contexto e histórico
A economia dos EUA tem uma longa história de crescimento e inovação, tornando-se uma potência global após a Segunda Guerra Mundial. O país possui um sistema capitalista misto, com significativa intervenção governamental em áreas como regulamentação e bem-estar social, mas com forte ênfase na livre iniciativa. A resiliência do mercado de trabalho e a capacidade de adaptação a choques econômicos são características marcantes. Recentemente, setores específicos como o manufatureiro têm enfrentado desafios, com uma redução no número de empregados, mesmo diante de promessas políticas de reindustrialização. No entanto, a produção industrial tem mostrado sinais de força, com revisões para cima nos dados de novembro e um crescimento acima do esperado em dezembro. Essa situação levanta questões sobre a eficácia de certas políticas e a capacidade da indústria de superar desafios estruturais. A incerteza política e a persistência de certas políticas econômicas são fatores que têm sido apontados por analistas como potenciais complicadores para o cenário econômico futuro. Além disso, desafios na coleta de dados econômicos, como a paralisação de 43 dias que impediu a coleta de preços ao consumidor para outubro, podem gerar distorções temporárias em indicadores importantes como a inflação. Nesses casos, o Escritório de Estatísticas do Trabalho pode recorrer a métodos como o 'carry-forward' para imputar dados. O desempenho robusto das vendas no varejo, como observado em novembro, é um indicador positivo do consumo e da saúde econômica geral. A política monetária do Federal Reserve tem sido um fator crucial, com a instituição mantendo uma postura cautelosa em relação a cortes de juros, aguardando a consolidação da trajetória de queda da inflação e a manutenção da força do mercado de trabalho. As políticas da administração Trump, como a imposição de tarifas, levaram a um aumento significativo na arrecadação tarifária e a uma redução do déficit comercial, mas também foram associadas a uma inflação de alimentos crescente e à estagnação dos empregos industriais.
Linha do tempo
- 14 de agosto de 2024: Donald Trump promete cortar os preços de energia e eletricidade pela metade em até 18 meses.
- 5 de setembro de 2024: Donald Trump promete colocar a gasolina abaixo de US$ 2 o galão e levar a indústria automobilística a níveis recordes.
- 25 de setembro de 2024: Donald Trump promete que o novo industrialismo americano criará milhões de empregos e elevará salários.
- 6 de outubro de 2024: Donald Trump promete usar centenas de bilhões de dólares em tarifas para beneficiar cidadãos e pagar a dívida.
- 10 de outubro de 2024: Donald Trump promete reduzir o déficit comercial com a China.
- 4 de novembro de 2024: Donald Trump promete que os preços dos alimentos ficarão mais baratos.
- 18 de maio de 2024: Donald Trump afirma que o sucesso do mercado de ações depende da vitória do MAGA na eleição.
- 20 de dezembro de 2025: Pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA caem para 214 mil na semana, uma redução de 10 mil em relação à semana anterior, contrariando as expectativas de aumento.
- Dezembro de 2025: A produção industrial dos EUA sobe 0,4%, superando as expectativas do mercado.
- Dezembro de 2025: Os preços nos supermercados registram o maior aumento mensal desde 2022, contrariando a promessa de alimentos mais baratos.
- Dezembro de 2025: Os preços residenciais de eletricidade estão 6,7% acima do ano anterior, contrariando a promessa de corte de preços.
- Final de 2025: O Tesouro dos EUA arrecada um recorde de US$ 264 bilhões em receitas de tarifas.
- Final de 2025: O mercado de ações (S&P 500) encerra o ano com alta robusta de 16%, impulsionado pelo otimismo com a inteligência artificial.
- Início de janeiro de 2026: O preço médio de um galão de gasolina comum é de US$ 2,78, uma redução em relação ao ano anterior, mas acima da promessa de US$ 2.
- 10 de janeiro de 2026: O número de empregados nas fábricas dos EUA cai, levantando questões sobre a eficácia das políticas de reindustrialização e o impacto das promessas econômicas de Donald Trump. O emprego no setor automotivo dos EUA cai cerca de 28 mil postos no último ano. O emprego na indústria cai por oito meses consecutivos.
- 11 de janeiro de 2026: O ganhador do Nobel Paul Krugman projeta que a economia dos EUA, sob um possível governo Trump em 2026, pode piorar antes de melhorar, citando a combinação de políticas persistentes e elevada incerteza como fatores de risco.
- 13 de janeiro de 2026: Preços ao consumidor nos EUA devem voltar a subir após distorção causada por uma paralisação de 43 dias que impediu a coleta de dados em outubro, levando o Escritório de Estatísticas do Trabalho a usar o método de 'carry-forward' para imputar informações.
Principais atores
- Federal Reserve (Fed): Banco central dos EUA, responsável pela política monetária, incluindo taxas de juros e controle da inflação.
- Departamento do Trabalho dos EUA: Coleta e analisa dados sobre o mercado de trabalho, incluindo pedidos de auxílio-desemprego.
- Escritório de Estatísticas do Trabalho (Bureau of Labor Statistics): Agência responsável pela coleta e análise de dados econômicos, incluindo preços ao consumidor e estatísticas de emprego.
- Consumidores e empresas americanas: Agentes fundamentais que impulsionam o consumo, investimento e, consequentemente, o crescimento econômico.
- Donald Trump: Ex-presidente cujas promessas econômicas, especialmente no setor manufatureiro e de controle da inflação, influenciaram as expectativas e políticas durante seu mandato.
- Paul Krugman: Ganhador do Prêmio Nobel de Economia, conhecido por suas análises e projeções sobre a economia global e dos EUA.
- John Williams: Presidente do Federal Reserve de Nova York, um dos dirigentes com voz ativa nas decisões de política monetária do Fed.
Termos importantes
- Auxílio-desemprego: Benefício concedido a trabalhadores que perderam seus empregos involuntariamente e que atendem a certos critérios de elegibilidade.
- Produto Interno Bruto (PIB): Valor total de bens e serviços finais produzidos em um país em um determinado período.
- Federal Reserve (Fed): O sistema de bancos centrais dos Estados Unidos, responsável por conduzir a política monetária do país.
- Mercado de trabalho: Refere-se à oferta e demanda por empregos em uma economia, medido por indicadores como taxa de desemprego e pedidos de auxílio-desemprego.
- Setor manufatureiro: Parte da economia que se dedica à produção de bens a partir de matérias-primas ou componentes, sendo um indicador importante da saúde industrial de um país.
- Carry-forward: Método de imputação de dados utilizado quando a coleta de informações é interrompida, onde os dados do período anterior são usados para estimar o período atual.
- Vendas no varejo: Medida do total de bens vendidos por varejistas, servindo como um indicador chave do consumo e da confiança do consumidor na economia.
- Produção industrial: Medida do volume total de bens produzidos por indústrias, incluindo manufatura, mineração e serviços públicos, sendo um indicador da atividade econômica e da saúde do setor industrial.
- Tarifas: Impostos sobre bens importados, usados para proteger a indústria doméstica ou como ferramenta de política comercial.