CredCesta
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A CredCesta é um cartão de crédito consignado direcionado principalmente a servidores públicos (ativos e inativos), permitindo compras, saques, empréstimos e outros serviços financeiros com desconto direto na folha de pagamento ou benefício previdenciário. Inicialmente concebido como uma ferramenta para facilitar compras em uma rede de supermercados estatais na Bahia, evoluiu para um produto financeiro amplo, incluindo linhas de crédito consignado com taxas de juros elevadas (como 4,7% ao mês na Bahia e até 5,5% em outros estados), o que o tornou altamente lucrativo devido ao baixo risco de inadimplência. O produto se expandiu para 24 estados e 176 municípios no Brasil, operando como um "combo de benefícios" para servidores, incluindo acesso a consignados do INSS. No entanto, tem sido criticado por práticas como exclusividades em margens consignáveis (até 30% adicionais na folha de pagamento), o que pode elevar o endividamento total para até 75% da renda, e por supostas irregularidades em carteiras de crédito. Atualmente, a CredCesta é controlada por empresas ligadas ao empresário Augusto Ferreira Lima, como a PKL One Participações S.A., e foi associada a instituições como o Banco Master e o Banco Pleno (liquidado em fevereiro de 2026). O negócio gerou bilhões em operações, mas está no centro de escândalos financeiros, incluindo investigações por fraudes.
A origem da CredCesta remonta à Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), uma estatal fundada em 1979 pelo governo da Bahia durante o mandato de Antônio Carlos Magalhães (ACM), com o objetivo de regular o mercado varejista e oferecer alimentos básicos a preços acessíveis à população de baixa renda. A Ebal operava a rede de supermercados Cesta do Povo, que atuava como regulador de preços, vendendo produtos essenciais abaixo do valor de mercado para combater a inflação e apoiar famílias carentes. No entanto, a empresa acumulou déficits crônicos, tornando-se um ônus financeiro para o estado.
O cartão, inicialmente chamado Credicesta, foi lançado em 2007 pela Ebal, durante o governo de Jaques Wagner (PT-BA). Seu propósito original era permitir que cerca de 380 mil servidores públicos baianos (dos três Poderes, incluindo ativos e inativos) realizassem compras exclusivamente nas lojas da Cesta do Povo, com o valor da fatura descontado diretamente na folha de pagamento. Isso funcionava como uma forma simples de crédito consignado, limitada ao varejo estatal, e foi um dos primeiros cartões de benefícios para o setor público no Brasil. Emitido em parceria com instituições financeiras, mas operado pela Ebal (100% estatal na época), o cartão visava gerar receita para a empresa deficitária e facilitar o acesso a bens essenciais. Em agosto de 2007, a Ebal reformulou o cartão, atualizando sua tecnologia e funcionalidades para melhorar a usabilidade, mantendo o foco em compras internas.
Sob governos petistas na Bahia (Wagner e Rui Costa), o programa ganhou relevância, mas a Ebal continuou deficitária, levando a tentativas de privatização. A criação do Credicesta foi uma inovação para atrair usuários, mas permaneceu vinculado à rede física de supermercados até a privatização.
A transformação da CredCesta em um produto privado ocorreu em 2018, durante o governo de Rui Costa (PT-BA), quando a Ebal foi privatizada após dois leilões fracassados em 2016 e 2017. A estatal, que incluía cerca de 200 lojas da Cesta do Povo e o cartão Credicesta, foi arrematada em abril de 2018 por R$ 15 milhões pela NGV SPE Empreendimentos e Participações, uma empresa ligada ao economista baiano Augusto Ferreira Lima. Apesar de a Ebal ser uma rede de varejo, o interesse principal de Lima estava no braço financeiro: o cartão, que já tinha uma base consolidada de usuários entre servidores públicos. As lojas foram gradualmente fechadas ou reformuladas, enquanto o foco se voltou para o crédito.
Logo após a privatização, Lima rebatizou o cartão para CredCesta e expandiu suas funcionalidades, transformando-o em um cartão de crédito consignado completo, com opções de empréstimos, saques e compras em qualquer estabelecimento, não mais limitado à Cesta do Povo. Duas semanas após a venda, Rui Costa editou um decreto garantindo uma margem exclusiva de 30% na folha de pagamento dos servidores baianos para operações com o CredCesta, com exclusividade de 15 anos e taxas de juros de cerca de 4,7% ao mês. Essa medida alavancou o negócio, permitindo endividamento adicional além dos limites usuais (elevando o total para até 75% da renda), e foi criticada como um "presente" ao comprador privado. A privatização foi conduzida por Jaques Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico, que confirmou negociações com Lima e destacou que a venda livrou o estado de um ativo deficitário, com aval de órgãos de controle.
Com a privatização, a CredCesta passou a ser operada por empresas privadas controladas por Lima, como a PKL One Participações S.A. (CNPJ 27.490.629/0001-13), que recebeu os direitos de exploração comercial do cartão da NGV SPE. A PKL One tem diretores ligados ao grupo Terra Firme de Lima, como Andrea Novaes Lima e Ana Paula de Almeida Pithon. O foco no consignado permitiu expansão rápida, com taxas consideradas elevadas, e integração com sistemas como o da Consiglog (especializada em gestão de empréstimos consignados, com ligações societárias a Lima via figuras como André Kruschewsky Lima).
Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga entre amigos, é um economista baiano de 46 anos (nascido em uma família de classe média em Salvador), formado em 2002 com um trabalho sobre a indústria do Carnaval. Ele começou vendendo abadás no Carnaval e entrou no setor financeiro em 2001 com a Terra Firme da Bahia, atuando como correspondente bancário. Nos anos seguintes, fundou outras empresas no segmento e ajudou a criar associações de servidores como Asteba e Asseba, que prestavam serviços financeiros a funcionários públicos, incluindo consignados via sindicatos.
Lima aproximou-se dos governos petistas na Bahia a partir de 2017, durante o mandato de Rui Costa (hoje ministro da Casa Civil) e com Jaques Wagner como secretário. Wagner conduziu a privatização da Ebal, e Lima propôs transformar o Credicesta em um "combo de benefícios" para torná-lo atraente, após leilões vazios. Embora Lima não apareça como sócio da NGV SPE nem no leilão (representado pelo espanhol Ignacio Morales, da Ginso, e com diretora Nayanne Britto, que depois atuou no Banco Master), a empresa estava conectada a ele. Morales se reuniu com Lima e o governo baiano antes, e a NGV transferiu rapidamente os direitos do cartão para a PKL One, controlada por executivos de seu grupo.
Wagner confirmou que conheceu Lima institucionalmente, tornando-se amigos, e que as negociações envolveram Lima e Morales, mas desconhece sociedades entre eles. Na mesma época, o governo aprovou uma proposta da gestora Reag (ligada a Lima via fundos) para um fundo de centro de convenções, que não avançou. Um email de março de 2018 mostrou Lima organizando a NGV com a Cartos, de Henrique Souza e Silva Peretto (preso na mesma operação que Lima em 2025 por fraudes).
Após a aquisição, Lima buscou parcerias: tentou o BMG com André Kruschewsky Lima (sócio na Consiglog e diretor no Master), mas foi recusado por riscos ou falta de interesse em sociedade. Apresentado a Daniel Vorcaro, do Banco Máxima (rebatizado Master), firmou parceria em 2019/2020, dividindo ganhos e levando a CredCesta como ativo principal. Entrou na sociedade do Master em maio de 2020, expandindo o produto para outros estados (como Rio de Janeiro com margem de 20% e juros de 5,5%, exclusividade suspensa em 2023) e INSS.
Lima manteve controle ciumento sobre a CredCesta. Saiu do Master em maio de 2024, levando a marca por R$ 1,5 bilhão e o Banco Voiter (rebatizado Pleno em julho de 2025). Expandiu negócios com conexões políticas: PT (Wagner, Costa, Jerônimo Rodrigues), mas também direita (esposa Flávia Péres, deputada PP e ex-ministra de Bolsonaro; João Roma, ex-ministro; Ciro Nogueira, PP; Antônio Rueda, União Brasil). Lançou o Instituto Terra Firme em novembro de 2023 com presença de autoridades, e possui imóveis como a Ilha do Topete (via RC Participações, ativo de fundo da Reag) e a Ilha dos Frades (onde casou em 2024).
Sua ascensão incluiu teias empresariais opacas: PKL One recebeu capital do fundo Reag 34 (rebatizado Diamond, gerido pela WNT, citada na Operação Compliance Zero); ligações com Reag (alvo da Operação Carbono Oculto em 2025 por suspeitas com PCC); fundos como Murrien 41 e Hans 95 (investigados); e ganhos milionários em operações. Comprou carros, aeronaves, fazendas e expandiu imóveis (como Pharos 71, administrada por Andrea da PKL).
Em novembro de 2025, Lima foi preso na Operação Compliance Zero, investigando fraudes em carteiras vendidas ao BRB (envolvendo Master e Reag). Solto com tornozeleira, viu o Banco Pleno liquidado em 18 de fevereiro de 2026. Sua defesa não comenta detalhes. Apesar das controvérsias, amigos permanecem fiéis, e a CredCesta continua operando sob seu controle, consolidando um império no consignado via conexões políticas e estruturas complexas.