Visão geral
O Concurso Público Nacional Unificado (CNU), também conhecido como "Enem dos Concursos", é um modelo de seleção para o serviço público federal brasileiro que visa centralizar a aplicação de provas para diversos órgãos e entidades. A primeira edição do CNU (CPNU) convocou candidatos para cursos de formação em diversas carreiras, representando a etapa final e eliminatória do certame. A segunda edição do CNU, em 2025, ofertou 3.652 vagas em 32 órgãos federais, distribuídas em nove blocos temáticos, com o objetivo de democratizar o acesso às vagas públicas e promover a inclusão por meio de políticas de cotas. Do total de vagas, 2.480 são para preenchimento imediato e 1.172 para provimento em curto prazo. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) é a banca executora do certame.
Contexto histórico e desenvolvimento
O CNU foi concebido para unificar a realização de concursos públicos federais, otimizando recursos e padronizando processos seletivos. A segunda edição, em 2025, implementou integralmente a nova Lei de Cotas (Lei nº 15.142/2025), que ampliou e qualificou as políticas de inclusão no acesso ao serviço público. Esta edição do concurso incluiu procedimentos rigorosos de verificação da autodeclaração para candidatos às vagas reservadas, buscando evitar fraudes e garantir a ocupação das cotas por quem realmente se enquadra nos critérios legais. As provas foram aplicadas em dois dias, e apenas os candidatos habilitados na primeira fase (provas objetivas) foram convocados para a segunda etapa (provas discursivas). Dos mais de 42 mil aprovados na primeira fase, cerca de 8,5 mil não compareceram ao segundo dia de provas, em 7 de dezembro de 2025, representando uma abstenção de aproximadamente 17%.
Os cursos de formação representam a terceira e última etapa eliminatória do CNU, sendo obrigatórios para o preenchimento das vagas. A reprovação no curso resulta na eliminação do concurso, e a nota obtida é utilizada na classificação final. Os cursos são presenciais, realizados em Brasília, com carga horária que varia de 360 a 580 horas, e exigem frequência mínima de 75%. Candidatos matriculados podem receber um auxílio financeiro mensal correspondente a 50% da remuneração da classe inicial do cargo, com a opção de manter a remuneração do cargo efetivo para servidores públicos já existentes.
Linha do tempo
- 23 de janeiro de 2026: Publicação de edital no Diário Oficial da União convocando 44 candidatos em lista de espera da primeira edição do CNU para matrícula em cursos de formação. As vagas foram distribuídas para analista de infraestrutura (4), analista técnico de políticas sociais (31), especialista em políticas públicas e gestão governamental (5) e analista de comércio exterior (4).
- 23 de janeiro de 2026: Divulgação da nota preliminar da prova discursiva e disponibilização do espelho de correção (CNU 2025).
- Até 27 de janeiro de 2026: Prazo final para interposição de pedidos de revisão das notas preliminares da prova discursiva (CNU 2025).
- Até 28 de janeiro de 2026: Prazo final para matrícula nos cursos de formação da primeira edição do CNU, a ser realizada no site da Enap.
- 16 a 19 de janeiro de 2026: Período de recursos para avaliação da autodeclaração e caracterização da deficiência (CNU 2025).
- 18 de fevereiro de 2026: Divulgação do resultado dos pedidos de revisão das notas de títulos e resultado definitivo da verificação documental e caracterização da deficiência (CNU 2025).
- 18 de fevereiro de 2026: Divulgação do resultado dos pedidos de revisão das notas da Prova Discursiva e resultado definitivo da Prova Discursiva (CNU 2025).
- 20 de fevereiro de 2026: Previsão de divulgação das listas de classificação e 1ª convocação para confirmação de interesse (CNU 2025).
- 21 a 23 de fevereiro de 2026: Período da 1ª confirmação de interesse (CNU 2025).
- 16 de março de 2026: Início das convocações para nomeação e outras etapas, como investigação social e funcional (CNU 2025).
Principais atores
- Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI): Responsável pela organização e implementação do CNU, incluindo a convocação de candidatos para cursos de formação e a gestão das etapas pós-seleção.
- Fundação Getulio Vargas (FGV): Banca organizadora do certame, responsável pela aplicação das provas e análise dos recursos.
- Escola Nacional da Administração Pública (Enap): Colabora na divulgação de resultados, na estrutura do concurso e é responsável pela organização e matrícula nos cursos de formação.
- Candidatos: Indivíduos que buscam ingressar no serviço público federal.
- Comissões de verificação: Grupos responsáveis pela análise das autodeclarações de candidatos às cotas (negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência).
Termos importantes
- Ações afirmativas: Políticas que visam corrigir desigualdades históricas e promover a inclusão de grupos sub-representados, como as cotas para negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.
- Autodeclaração: Declaração feita pelo candidato sobre sua condição étnico-racial ou de deficiência para concorrer às vagas reservadas.
- Cursos de formação: Etapa obrigatória e eliminatória do CNU, realizada após as provas, que visa desenvolver as competências necessárias para o exercício do cargo público. A reprovação implica na eliminação do concurso.
- Enem dos Concursos: Apelido dado ao Concurso Público Nacional Unificado devido à sua proposta de unificação e centralização, similar ao Exame Nacional do Ensino Médio.
- Lei de Cotas (Lei nº 15.142/2025): Legislação que ampliou e qualificou as políticas de inclusão no acesso ao serviço público federal, aplicada integralmente no CNU 2025.
- Blocos temáticos: Agrupamentos de cargos com afinidades de áreas de conhecimento, nos quais os candidatos se inscrevem para concorrer a vagas em diversos órgãos.