Comércio Brasil-China
Adicionado: Dados recordes de comércio Brasil-China em 2025 (US$ 171 bilhões), detalhamento de exportações e importações, e o impacto das tensões comerciais com os EUA em 2025. Atualizada a seção 'Principais atores' com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), e a seção 'Termos importantes' com 'Corrente de Comércio'. A linha do tempo foi atualizada com a data de divulgação do recorde comercial de 2025.
O comércio entre Brasil e China representa uma das relações econômicas mais dinâmicas e estratégicas do cenário global. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, sendo o maior destino das exportações brasileiras e uma importante fonte de importações. Essa parceria se destaca pela complementaridade econômica, com o Brasil fornecendo commodities agrícolas e minerais, e a China exportando produtos manufaturados e tecnologia. A relação comercial é fundamental para o desenvolvimento econômico de ambos os países, influenciando setores como agronegócio, mineração e indústria. Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países atingiu um novo recorde histórico de US$ 171 bilhões, consolidando a China como o principal parceiro do comércio exterior brasileiro. Este valor representou mais que o dobro do volume negociado com os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do Brasil, que somou US$ 83 bilhões no mesmo período. As exportações brasileiras para a China alcançaram US$ 100 bilhões em 2025, impulsionadas principalmente pela soja, que representou pouco mais de um terço das vendas ao país asiático, com um avanço de 10% em comparação ao ano anterior. As importações brasileiras da China também cresceram, totalizando US$ 70,9 bilhões. A China foi responsável por 25,3% das importações brasileiras e 28,7% das exportações em 2025.
A relação comercial entre Brasil e China intensificou-se significativamente a partir do século XXI. Em 2009, a China superou os Estados Unidos como o principal parceiro comercial do Brasil. Desde então, o volume de trocas comerciais tem crescido exponencialmente, impulsionado pela demanda chinesa por matérias-primas e alimentos, e pela crescente capacidade de produção industrial e tecnológica da China. Essa parceria se consolidou com investimentos chineses em infraestrutura e energia no Brasil, além da participação brasileira em iniciativas como a Nova Rota da Seda.
Um exemplo recente da complexidade e importância dessa relação foi o embargo chinês à carne de frango do Rio Grande do Sul. Em julho de 2024, a China suspendeu as importações de frango do estado após a confirmação de um surto da Doença de Newcastle em uma granja comercial em Anta Gorda (RS). Essa medida gerou um impacto econômico direto, contribuindo para uma queda de cerca de 1% nas exportações gaúchas de carne de frango em 2024, já que a China representava quase 6% desses embarques. Em novembro de 2025, a China liberou as importações de frango dos demais estados brasileiros, mas manteve a restrição para o Rio Grande do Sul devido a um caso de gripe aviária registrado em maio do mesmo ano em Montenegro (RS). Após um ano e meio de restrições e comprovação das medidas de controle sanitário, a China anunciou o fim do embargo em 20 de janeiro de 2026, reabrindo o mercado para o frango gaúcho.
Em 2025, o cenário internacional foi marcado por tensões comerciais, especialmente com os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, que ampliou tarifas sobre diversos países. Isso levou o Brasil a reduzir suas exportações para o mercado americano e a buscar ampliar a presença em outros destinos. As sobretaxas impostas pelo governo Trump ampliaram o déficit brasileiro no comércio com os americanos. A China, em resposta às medidas tarifárias de Washington, chegou a suspender temporariamente compras de soja dos EUA. Acordos comerciais da administração Trump com países da América Latina, Ásia e Europa, incluindo reduções tarifárias com a China, Japão e Vietnã, contribuíram para moderar as tensões e melhorar as perspectivas para o final de 2025 e 2026, embora em um contexto de alta incerteza.