Visão geral
O Caso Epstein nos EUA refere-se à investigação e repercussões em torno de Jeffrey Epstein, um bilionário americano acusado de tráfico sexual internacional de menores e de operar uma rede de exploração sexual. Epstein foi preso em julho de 2019 e, um mês depois, foi encontrado morto em sua cela, em um aparente suicídio. O caso ganhou notoriedade pela proximidade de Epstein com figuras políticas e celebridades, e pela controvérsia em torno da divulgação dos arquivos da investigação, que revelam detalhes sobre suas atividades e conexões.
Contexto e histórico
Jeffrey Epstein foi um financista conhecido por seu círculo social influente. As acusações de abuso sexual e tráfico de menores surgiram publicamente em 2006, levando a um acordo judicial controverso em 2008. Em 2019, novas acusações resultaram em sua prisão. A divulgação de documentos relacionados ao caso tem sido um ponto de tensão política nos EUA, especialmente devido às menções a indivíduos proeminentes e à pressão por transparência. As revelações mais recentes de janeiro de 2026, incluindo 3 milhões de páginas de documentos, 2.000 vídeos e 180 mil imagens, aprofundam o conhecimento sobre as relações de Epstein com figuras poderosas e as alegações levantadas contra ele e seus associados. Os arquivos detalham o tempo de Epstein na prisão, incluindo um relatório psicológico, e sua morte, juntamente com registros da investigação sobre Ghislaine Maxwell. E-mails revelam convites de Epstein ao 'Duque' (Andrew Mountbatten-Windsor) para encontrar uma mulher russa e discussões sobre jantares no Palácio de Buckingham. Outros e-mails mostram Epstein enviando dinheiro para o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, marido do lorde Peter Mandelson, e Mandelson pedindo para se hospedar em propriedades de Epstein. O Departamento de Justiça dos EUA indicou que esta pode ser a última grande liberação de arquivos, afirmando que o processo de identificação e revisão de documentos está concluído. No entanto, democratas questionam a retenção de milhões de páginas de documentos sem justificativa adequada. As vítimas de Jeffrey Epstein, no entanto, expressaram frustração com as divulgações, afirmando que, apesar da publicação de milhões de documentos, os supostos agressores “continuam ocultos e protegidos”. Elas denunciam que os arquivos contêm informações que permitem sua identificação, enquanto os homens que as abusaram permanecem anônimos, e exigem a publicação completa dos arquivos Epstein, cobrando depoimento da procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, ao Congresso. Os documentos divulgados mencionam figuras como Elon Musk, Bill Gates, Howard Lutnick, Richard Branson, Steve Tisch e o ex-príncipe britânico Andrew, detalhando interações e alegações variadas.
Linha do tempo
- Julho de 2019: Jeffrey Epstein é preso sob acusações de tráfico sexual internacional.
- Agosto de 2019: Epstein é encontrado morto em sua cela, em aparente suicídio.
- Novembro de 2025: O Congresso dos EUA aprova um projeto de lei determinando a liberação dos arquivos da investigação do caso Epstein, sancionado pelo presidente Donald Trump.
- 12 de novembro de 2025: O Congresso dos EUA divulga mais de 20 mil páginas de arquivos, incluindo e-mails que sugerem que Donald Trump tinha conhecimento da conduta de Epstein.
- 18 de dezembro de 2025: Democratas do Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA divulgam 68 novas fotos do acervo de Epstein, incluindo imagens de mulheres com trechos do livro "Lolita" escritos no corpo e passaportes de jovens de diversos países.
- 19 de dezembro de 2025: O Departamento de Justiça dos EUA divulga centenas de milhares de páginas de arquivos da investigação, com a promessa de mais liberações nas semanas seguintes. A Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (Epstein Files Transparency Act) determinava que todos os documentos do Departamento de Justiça fossem publicados até esta data, mas a publicação foi atrasada.
- 13 de janeiro de 2026: Bill e Hillary Clinton se recusam a cumprir uma intimação do Congresso para depor sobre o caso Epstein, alegando que as tentativas do comitê são "legalmente inválidas" e motivadas por tratamento seletivo. Parlamentares republicanos preparam processos por desacato ao Congresso contra eles.
- 30 de janeiro de 2026: O Departamento de Justiça dos EUA divulga o maior lote de arquivos até o momento, incluindo 3 milhões de páginas de documentos, 2.000 vídeos e 180 mil imagens. Os arquivos incluem detalhes sobre o tempo de Epstein na prisão, um relatório psicológico e sua morte, além de registros da investigação de Ghislaine Maxwell. E-mails entre Epstein e "O Duque" (Andrew Mountbatten-Windsor) são revelados, discutindo jantares no Palácio de Buckingham e uma oferta de Epstein para apresentar uma mulher russa ao Duque. Outros e-mails mostram Epstein enviando dinheiro para o brasileiro Reinaldo Avila da Silva e lorde Peter Mandelson pedindo para se hospedar em propriedades de Epstein. O vice-procurador-geral Todd Blanche afirma que a divulgação marca o fim do processo de identificação e revisão de documentos, mas democratas questionam a retenção de milhões de páginas.
Principais atores
- Jeffrey Epstein: Financista bilionário, acusado de tráfico sexual internacional de menores e de operar uma rede de exploração sexual.
- Donald Trump: Ex-presidente dos EUA, amigo de Epstein entre as décadas de 1990 e 2000, cujo nome aparece em documentos e fotos do acervo de Epstein. Tem sido pressionado a divulgar os arquivos completos da investigação. Documentos recentes incluem cerca de 4.500 menções a Trump, algumas delas em denúncias não verificadas de abuso sexual, as quais ele nega. O Departamento de Justiça classificou algumas alegações sobre Trump como "falsas e sensacionalistas", afirmando que são infundadas e sem credibilidade.
- Bill Clinton: Ex-presidente dos EUA, também aparece em fotos do acervo de Epstein e teve uma amizade documentada com Epstein nas décadas de 1990 e 2000. Recusou-se a depor no Congresso sobre o caso, classificando a intimação como "legalmente inválida" e parte de um tratamento seletivo. Juntamente com Hillary, criticou o governo Trump por "atos sem precedentes" e indicou uma luta mais ativa contra as práticas republicanas.
- Hillary Clinton: Ex-secretária de Estado dos EUA e ex-primeira-dama, recusou-se a depor no Congresso sobre o caso Epstein, alegando que a intimação era "legalmente inválida" e parte de um tratamento seletivo. Juntamente com Bill, criticou o governo Trump por "atos sem precedentes" e indicou uma luta mais ativa contra as práticas republicanas.
- Ghislaine Maxwell: Parceira e confidente de Epstein, condenada por seu papel na rede de tráfico sexual. É a única outra pessoa, além de Epstein, acusada pelos crimes do financista. Imagens suas não foram censuradas nos documentos divulgados, e os novos arquivos incluem registros da investigação sobre ela.
- Elon Musk: Empresário, mencionado em múltiplas mensagens de e-mail com Epstein entre 2012 e 2014, onde comparavam agendas para encontros na Flórida ou no Caribe, e em uma troca de mensagens de 2012 na qual Musk pergunta sobre uma "festa mais selvagem na sua ilha". Musk declarou que as mensagens podem ser "mal-interpretadas e usadas por meus detratores para manchar o meu nome", e pediu que a Justiça processe "aqueles que, ao lado de Epstein, cometeram crimes graves".
- Bill Gates: Cofundador da Microsoft, mencionado em anotações de Epstein de 2013 que sugeriam envolvimento em relações extraconjugais e uso de drogas. Um rascunho de e-mail de Epstein também afirma que Gates teve relações extraconjugais e tentou encobrir uma infecção sexualmente transmissível. Um porta-voz de Gates classificou as acusações como "absolutamente absurdas e completamente falsas", atribuindo-as à frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo.
- Howard Lutnick: Secretário de Comércio dos EUA, planejava visitar a ilha de Epstein em 2012, apesar de ter afirmado anteriormente ter rompido relações com Epstein por volta de 2005.
Termos importantes
- Tráfico sexual internacional: Recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade, ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra, para fins de exploração sexual.
- Acervo de Epstein: Conjunto de documentos, fotos e outros materiais apreendidos durante as investigações sobre Jeffrey Epstein, que contêm informações sobre suas atividades e conexões.
- Ilha Little Saint James: Propriedade de Epstein nas Ilhas Virgens dos EUA, conhecida como "Ilha do Prazer", onde parte dos crimes sexuais era cometida.
- Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (Epstein Files Transparency Act): Lei que determinava a publicação de todos os documentos do Departamento de Justiça relacionados ao caso Epstein até 19 de dezembro de 2025.