Visão geral
Os ataques na Nigéria referem-se a uma série de incidentes violentos perpetrados por grupos armados, frequentemente denominados "bandidos", que têm assolado o noroeste do país. Esses ataques incluem assassinatos, sequestros para obtenção de resgate e a destruição de propriedades, resultando em deslocamento de comunidades e crescente instabilidade na região. A insegurança generalizada representa uma preocupação urgente para o governo nigeriano. A violência no país tem se intensificado, alimentada por conflitos internos de natureza religiosa e étnica, pela luta por recursos e pela presença de grupos armados cada vez mais extremistas. A situação é agravada por baixos níveis de governança, pouca resposta das forças armadas e forte corrupção no governo. As mudanças climáticas também contribuem para a violência, gerando secas e chuvas imprevisíveis que dificultam a vida de comunidades nômades e fazendeiros, intensificando a disputa por recursos.
Contexto histórico e desenvolvimento
A Nigéria tem enfrentado uma onda de violência atribuída a grupos armados, que operam principalmente no noroeste do país. Esses grupos utilizam motocicletas para realizar incursões rápidas em aldeias, atacando moradores, incendiando casas e lojas, e sequestrando pessoas. A área do governo local de Borgu, no estado de Níger, próximo à fronteira com a República do Benim, tem sido um dos focos desses ataques. A atuação desses "bandidos" tem gerado um clima de medo e forçado muitas comunidades a abandonarem suas casas, buscando refúgio em outras localidades. A pressão sobre o governo para restaurar a estabilidade e a segurança tem aumentado significativamente. A violência não é um problema novo para a Nigéria, com um relatório das Nações Unidas de 2021 já citando a questão como o "maior obstáculo para o país". Conflitos entre pastores de gado da etnia muçulmana Fulani e fazendeiros assentados cristãos são um epicentro da violência. O país tem sido alvo de bombardeios americanos em conjunto com o governo nigeriano contra alvos conectados ao Estado Islâmico, o que também contribui para a escalada da violência.
Linha do tempo
- Madrugada de sábado (data não especificada no artigo, mas anterior a 14 de fevereiro de 2026): Ataques a três aldeias no estado de Níger, incluindo Tunga-Makeri e Konkoso. Pelo menos 30 pessoas foram mortas, e casas e lojas foram incendiadas.
- Madrugada de sábado (aproximadamente 3h da manhã, hora local): Bandidos invadem Tunga-Makeri, matando e decapitando moradores, e incendiando lojas.
- 27 de dezembro de 2025: Ataques aéreos dos EUA contra militantes não especificados ligados ao grupo Estado Islâmico em Offa, Nigéria.
- 4 de janeiro de 2026: Homens armados invadem a aldeia de Kasuwan-Daji, na área do governo local de Borgu, estado de Níger, matando pelo menos 30 aldeões e sequestrando vários outros. O mercado local e várias casas foram destruídos.
- 5 de janeiro de 2026: Nove soldados nigerianos são mortos por minas terrestres e disparos de grupos conectados ao Estado Islâmico.
- 18 de janeiro de 2026: Mais de 160 cristãos são sequestrados durante um ataque executado por grupos armados contra duas igrejas em uma aldeia remota do estado de Kaduna, no norte da Nigéria.
Principais atores
- Grupos armados ("bandidos"): Responsáveis pelos ataques, operando em motocicletas e realizando assassinatos, sequestros e destruição. Incluem formações apoiadas pelo exército israelita em áreas do enclave que permanecem sob seu controlo, membros de tribos armadas e milícias. Grupos jihadistas, como o Boko Haram e facções ligadas ao Estado Islâmico, também estão ativos.
- Moradores das aldeias: Vítimas dos ataques, incluindo habitantes de Tunga-Makeri e Konkoso, que foram mortos, sequestrados ou forçados a fugir.
- Wasiu Abiodun: Porta-voz da polícia do estado de Níger, que confirmou o ataque em Tunga-Makeri.
- Jeremiah Timothy: Morador de Konkoso que fugiu e relatou os ataques.
- Auwal Ibrahim: Morador de Tunga-Makeri que descreveu o ataque à sua aldeia.
- Governo da Nigéria: Sob pressão para restaurar a segurança e estabilidade na região, tem conduzido bombardeios e comprado novos equipamentos para a Força Aérea.
- Estados Unidos: Realizaram ataques militares em conjunto com o governo nigeriano contra alvos conectados ao Estado Islâmico.
- Pastores Fulani: Etnia muçulmana envolvida em conflitos por recursos com fazendeiros cristãos.
- Fazendeiros cristãos: Envolvidos em conflitos por recursos com pastores Fulani.
- Reverendo Joseph Hayab: Presidente da Associação Cristã da Nigéria para o Norte, que relatou o sequestro de cristãos em Kaduna.
Termos importantes
- Bandidos: Termo usado na Nigéria para descrever grupos armados que realizam assaltos, sequestros e outros atos de violência, principalmente no norte do país.
- Estado de Níger: Um dos 36 estados da Nigéria, localizado na região centro-norte, onde ocorreram os ataques mencionados.
- Área do governo local de Borgu: Uma subdivisão administrativa dentro do estado de Níger, próxima à fronteira com o Benim, afetada pelos ataques.
- Estado de Kaduna: Estado no norte da Nigéria que tem sido alvo de sequestros em massa.
- Sharia: Lei islâmica que muitos muçulmanos na Nigéria buscam introduzir como principal fonte de legislação nos estados do norte.
- Boko Haram: Grupo extremista islâmico que tem cometido atrocidades, sequestros e saques, principalmente no nordeste nigeriano.
- Estado Islâmico: Grupo jihadista com presença na Nigéria, alvo de ataques aéreos.
- Crise de Benue: Conflito em junho de 2025 que resultou em mais de 200 mortos no estado de Benue, decorrente de confrontos entre pastores e fazendeiros.