O Assentamento Agroextrativista Elizabeth Teixeira, criado em fevereiro de 2026 na Paraíba, encerra o mais longo conflito agrário do Brasil, durando mais de 60 anos. Homenageando a líder camponesa Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro Teixeira, o assentamento beneficia 21 famílias com acesso à terra e políticas públicas. A criação é resultado de uma luta histórica por reforma agrária, envolvendo as Ligas Camponesas e decisões judiciais, culminando na desapropriação da Fazenda Antas para interesse social.
O Assentamento Agroextrativista Elizabeth Teixeira é um assentamento rural localizado na Fazenda Antas, nas zonas rurais dos municípios de Sobrado e Sapé, na Paraíba. Criado em fevereiro de 2026, ele representa o desfecho do mais longo conflito agrário do Brasil, que se estendeu por mais de 60 anos. O assentamento homenageia Elizabeth Teixeira, líder camponesa e viúva de João Pedro Teixeira, ambos figuras centrais na luta por reforma agrária na região. A criação do assentamento beneficia 21 famílias, garantindo-lhes acesso à terra e a políticas públicas de apoio à agricultura familiar. As famílias agricultoras expressaram o desejo de que o futuro assentamento se chamasse Elizabeth Teixeira em homenagem à agricultora que lutou pela destinação de terras daquela área à reforma agrária, por meio das Ligas Camponesas, e cujo centenário de vida foi comemorado em fevereiro de 2025.
A região de Sapé, na Paraíba, é historicamente ligada ao surgimento das Ligas Camponesas, um movimento de trabalhadores rurais que reivindicavam o direito à terra, então sob controle de latifundiários. João Pedro Teixeira foi uma figura proeminente nesse movimento, sendo assassinado em 1962. Sua esposa, Elizabeth Teixeira, assumiu a presidência da Liga de Sapé, continuando a defesa dos trabalhadores rurais, o que a levou a ser perseguida durante a ditadura militar, passando oito meses na prisão e vivendo na clandestinidade por 17 anos. Ela foi reencontrada em 1981 durante as filmagens do documentário "Cabra Marcado para Morrer", de Eduardo Coutinho.
O processo de desapropriação das terras da Fazenda Antas foi retomado judicialmente no início dos anos 2000. Em 2004, o proprietário da fazenda solicitou reintegração de posse, obtendo uma liminar favorável. Contudo, em 2006, um decreto presidencial declarou a área de interesse social para fins de reforma agrária. Decisões judiciais e um mandado de segurança movido pelo proprietário dificultaram a desapropriação. Em 2014, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o mandado de segurança do proprietário, mantendo o decreto presidencial. Em março de 2025, uma audiência pública em Sobrado aprovou a aquisição de parte da Fazenda Antas, permitindo que o Incra prosseguisse com o processo administrativo de compra e venda do imóvel rural. O imóvel rural tem aproximadamente 133 hectares e estudos apontam que podem ser assentadas 21 famílias. O montante para pagamento e indenização ao proprietário já foi empenhado pelo Incra e estará disponível após a finalização dos trâmites processuais. A presidenta do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas, Alane Maria Lima, destacou a aquisição do imóvel rural como uma reparação histórica. A portaria de criação do assentamento foi assinada em fevereiro de 2026, encerrando o conflito.