O Irã encerrou anos de ambiguidade legal ao autorizar mulheres a obter carteira de habilitação para motocicletas, uma medida que segue protestos recentes contra o governo.
O Irã deu um passo significativo ao autorizar mulheres a obter carteira de habilitação para motocicletas, pondo fim a anos de incerteza legal. A resolução, assinada pelo primeiro vice-presidente Mohammad Reza Aref, esclarece o Código de Trânsito e exige que a polícia de trânsito ofereça treinamento e exames para as solicitantes. Esta medida surge em um contexto de crescentes protestos contra o governo, intensificados pela morte de Mahsa Amini em 2022, que expuseram as restrições sociais enfrentadas pelas mulheres iranianas desde a Revolução Islâmica de 1979.
Embora a decisão represente uma mudança, ela é vista por alguns como tardia e não aborda os problemas mais urgentes da sociedade iraniana. As mulheres no país continuam sujeitas a normas rigorosas, como o uso obrigatório de véu e roupas largas. A autorização para dirigir motocicletas, portanto, é um avanço em termos de direitos individuais, mas ocorre em meio a um cenário de contínuas demandas por maiores liberdades e reformas sociais.