Por que um candidato com mais votos pode não se eleger deputado
O artigo explica por que um candidato com mais votos pode não ser eleito deputado no Brasil, detalhando o funcionamento do sistema eleitoral proporcional e as discussões sobre sua possível mudança para o modelo distrital misto.
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10/04 às 04:01
Pontos principais
- O sistema eleitoral proporcional brasileiro permite que candidatos com menos votos individuais sejam eleitos em detrimento de outros com mais votos, devido ao desempenho coletivo dos partidos ou federações.
- Casos como o de Rosa Neide (PT) em Mato Grosso e José Serra (PSDB) em São Paulo nas eleições de 2022 ilustram essa dinâmica, onde o quociente eleitoral e partidário são determinantes.
- O processo de eleição para deputado envolve o cálculo do quociente eleitoral, quociente partidário e a distribuição das sobras, com o candidato precisando de 10% do quociente eleitoral individualmente.
- O Supremo Tribunal Federal (STF) invalidou em 2024 a regra que restringia a participação nas sobras eleitorais, visando ampliar a representação de partidos menores e candidatos expressivos.
- Especialistas destacam que o sistema proporcional busca garantir a representação de grupos minoritários e exige um desempenho conjunto de partido e candidato.
- A Câmara dos Deputados discute a substituição do sistema proporcional pelo distrital misto a partir de 2030, proposta que geraria metade das vagas por distrito e metade por lista fechada de partidos.
- Críticos da mudança, como Ana Cláudia Santano, alertam que o sistema distrital misto pode reduzir a renovação política e favorecer candidatos já estabelecidos.
Mencionado nesta matéria
Pessoas
Rosa Neide (candidata a deputada federal)José Serra (ex-senador e candidato a deputado federal)Tiririca (deputado federal)Pedro Luiz Barros Palma da Rosa (especialista em direito eleitoral)Anna Paula Oliveira Mendes (advogada, professora de Direito Eleitoral e membro da Comissão de Direito Constitucional da OAB-RJ)Karina Kufa (advogada especializada em Direito Eleitoral)Lara Mesquita (cientista política e professora da FGV)Domingos Neto (deputado, relator de projeto de reforma eleitoral)Ana Cláudia Santano (fundadora e diretora-executiva da Transparência Eleitoral Brasil e pesquisadora)
Organizações
PTPSDBPLEscola Judiciária Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)OAB-RJCâmara dos DeputadosSupremo Tribunal Federal (STF)FGVTransparência Eleitoral BrasilPSD
Lugares
Mato GrossoCâmaraSão PauloBrasilSenado
