Visão geral
O Partido Comunista Chinês (PCC), também chamado de Partido Comunista da China (PCCh), é o partido fundador e único no governo da República Popular da China (RPC), que governa desde 1949. Fundado em 1921, lidera os oito partidos menores legalmente autorizados na Frente Unida e controla as forças armadas do país, o Exército de Libertação Popular (ELP). Tinha 101,29 milhões de membros no fim de 2025, o que faz dele o segundo maior partido político do mundo. Seu líder é o secretário-geral Xi Jinping, no cargo desde 2012 e no terceiro mandato desde 2022.
O PCC está oficialmente organizado com base no centralismo democrático e adere ao Marxismo-Leninismo, ao Pensamento Mao Zedong, ao socialismo com características chinesas, à Teoria Deng Xiaoping, à Tríplice Representatividade, à Visão Científica de Desenvolvimento e ao Pensamento de Xi Jinping. De 26 a 29 de outubro de 2026, o Comitê Central fez em Pequim o quinto plenário do atual mandato, dedicado à disciplina interna. O plenário confirmou a expulsão de 33 dirigentes, 16 deles militares, entre os quais o general Zhang Youxia, até então primeiro vice-presidente da Comissão Militar Central, e promoveu o general Zhang Shengmin ao Politburo. O 21º Congresso Nacional foi marcado para o segundo semestre de 2027, em Pequim.
História
As origens do PCC remontam ao Movimento Quatro de Maio de 1919, um período em que ideologias ocidentais radicais como o anarquismo e o Marxismo ganharam força entre os intelectuais chineses. A China passava por um cenário de revolução desde a Revolução Xinhai de 1911, que pôs fim à monarquia chinesa e à Dinastia Qing. No entanto, a instabilidade política persistiu com a restauração da monarquia por Yuan Shikai e a subsequente divisão do Exército de Beiyang em facções. Nesse contexto, Chen Duxiu e Li Dazhao fundaram o PCC em 1921, com a ajuda do Gabinete do Extremo Oriente do Partido Comunista da União Soviética e do Secretariado do Extremo Oriente da Internacional Comunista.
O partido cresceu rapidamente e, em 1949, após a Guerra Civil Chinesa, levou o governo nacionalista do Kuomintang (KMT) da China continental para Taiwan, estabelecendo a República Popular da China em 1º de outubro de 1949. Após a morte de Mao Zedong em 1976, o partido avançou em direção à liberalização econômica, substituindo a economia de comando pela economia de mercado socialista sob Deng Xiaoping.
Xi Jinping tornou-se secretário-geral em 2012. No 20º Congresso Nacional, em outubro de 2022, foi reconduzido para um terceiro mandato, o primeiro líder do partido desde Mao Zedong a chegar a um terceiro mandato.
Como o partido é organizado
- Congresso Nacional: o órgão máximo do partido. Desde 1969, reúne-se a cada cinco anos. Elege o Comitê Central e a Comissão Central de Inspeção Disciplinar, aprova relatórios e emenda o estatuto do partido. Na prática, as decisões são negociadas antes, entre os principais dirigentes.
- Comitê Central: o órgão máximo entre um congresso e outro. O atual, eleito em 22 de outubro de 2022 no 20º Congresso, tem 205 membros titulares e 171 suplentes. Reúne-se em sessões plenárias, os "plenários".
- Politburo e Comitê Permanente: no primeiro plenário, o Comitê Central elege o secretário-geral, o Politburo, o Comitê Permanente do Politburo e a Comissão Militar Central. Fora dos plenários, o Politburo exerce as funções do Comitê Central. O Comitê Permanente, que se reúne ao menos uma vez por semana, é a instância que de fato decide. O eleito em 2022 tem sete membros: Xi Jinping, Li Qiang, Zhao Leji, Wang Huning, Cai Qi, Ding Xuexiang e Li Xi. Em outubro de 2026, o Politburo tinha 21 membros (South China Morning Post).
- Comissão Militar Central: comanda o Exército de Libertação Popular. Desde Jiang Zemin, o secretário-geral também a preside.
- Comissão Central de Inspeção Disciplinar: cuida do combate à corrupção e da disciplina dos filiados. É chefiada por Li Xi desde 2022.
Plenários do Comitê Central
O Comitê Central eleito em 2022 se reuniu cinco vezes em plenário, sempre em Pequim:
- 1º plenário (23 de outubro de 2022): reconduziu Xi Jinping como secretário-geral e elegeu o Politburo, o Comitê Permanente e a Comissão Militar Central.
- 2º plenário (26 a 28 de fevereiro de 2023): aprovou os nomes indicados para os cargos de Estado no Congresso Nacional do Povo.
- 3º plenário (15 a 18 de julho de 2024): aprovou a resolução sobre o aprofundamento das reformas, com metas econômicas para 2024 a 2029, e expulsou militares do Comitê Central por violações disciplinares.
- 4º plenário (20 a 23 de outubro de 2025): discutiu as propostas do 15º Plano Quinquenal e fez mudanças de pessoal. Confirmou a expulsão dos generais He Weidong e Miao Hua e nomeou Zhang Shengmin vice-presidente da Comissão Militar Central.
- 5º plenário (26 a 29 de outubro de 2026): aprovou a resolução sobre a governança plena e rigorosa do partido, confirmou a expulsão de 33 dirigentes, elegeu Zhang Shengmin para o Politburo e marcou o 21º Congresso para o segundo semestre de 2027.
Quinto plenário (outubro de 2026)
Em 30 de julho de 2026, o Politburo decidiu que o quinto plenário do 20º Comitê Central seria em outubro, com um relatório de trabalho do Politburo e o estudo de "questões importantes para avançar a governança plena e rigorosa do partido" (Xinhua). Em 21 de setembro, marcou as datas, de 26 a 29 de outubro, em Pequim. Na mesma reunião, o Politburo revisou uma minuta de "Decisão do Comitê Central sobre várias questões importantes para avançar com perseverança a governança plena e rigorosa do partido", submetida antes a consulta dentro e fora do partido, e decidiu levá-la ao plenário. O texto, segundo a Xinhua, faz um balanço da disciplina partidária na "nova era" e traça a estratégia para os próximos anos, mantendo "o tom rigoroso". A reunião reúne mais de 300 membros titulares e suplentes do Comitê Central (Reuters).
Em 23 de outubro de 2026, três dias antes da abertura, o Politburo se reuniu antes da data habitual, no fim do mês, para discutir o relatório da sétima rodada de inspeções do 20º Comitê Central. Iniciada em abril, a rodada levou 15 equipes a 36 órgãos centrais do partido e do Estado. A reunião pediu "retificação severa" dos problemas encontrados e "pressão alta" contínua contra a corrupção, segundo a Xinhua citada pelo South China Morning Post. O jornal de Hong Kong esperava que o plenário ratificasse punições disciplinares a dezenas de dirigentes e preparasse a troca de quadros do 21º Congresso.
O plenário terminou em 29 de outubro de 2026 com um comunicado divulgado pela Xinhua. Compareceram 162 membros titulares e 117 suplentes, 279 no total, contra 376 eleitos em 2022. Segundo a Reuters, foi a maior taxa de ausência desde o fim da era Mao, reflexo dos expurgos. O Comitê Central ouviu o relatório de trabalho do Politburo, apresentado por Xi Jinping, e aprovou a "Resolução do Comitê Central sobre várias questões importantes para avançar com perseverança a governança plena e rigorosa do partido".
O plenário aprovou os relatórios da Comissão Central de Inspeção Disciplinar sobre 18 dirigentes civis e os da Comissão Militar Central sobre 16 militares. Confirmou a expulsão do partido, já decidida antes pelo Politburo, de 33 deles. O 34º, Li Yunze, chefe da Administração Nacional de Regulação Financeira, perdeu os cargos no partido, sem ser expulso. Entre os expulsos estão dois ex-membros do Politburo, Ma Xingrui, ex-secretário do partido em Xinjiang, e o general Zhang Youxia, que era o primeiro vice-presidente da Comissão Militar Central. Também estão o general Liu Zhenli, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto e membro da comissão, o ex-diplomata Liu Jianchao, o ex-ministro da Indústria e Tecnologia da Informação Jin Zhuanglong e o ex-presidente da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários Yi Huiman. A Reuters chamou a leva de expurgo recorde da era pós-Mao. Dez suplentes foram promovidos a titulares do Comitê Central para preencher as vagas.
O plenário elegeu para o Politburo o general Zhang Shengmin, de 68 anos, vice-presidente da Comissão Militar Central desde outubro de 2025 e ex-chefe da comissão disciplinar das Forças Armadas. Dos sete integrantes da Comissão Militar Central formada em 2022, só ele e o presidente, Xi Jinping, seguem no cargo; os demais foram afastados ou expulsos. O comunicado não nomeou novos membros para a comissão.
O que acontece agora
O quinto plenário decidiu que o 21º Congresso Nacional será no segundo semestre de 2027, em Pequim. O congresso elegerá o próximo Comitê Central e definirá a cúpula do partido para os cinco anos seguintes; Xi Jinping deve buscar um quarto mandato como secretário-geral. Dos sete membros da Comissão Militar Central eleitos em 2022, só Xi Jinping e Zhang Shengmin seguem no cargo.
Linha do tempo
- 1911: Revolução Xinhai encerra a monarquia chinesa.
- 1919: Movimento Quatro de Maio impulsiona o surgimento de ideologias radicais na China.
- 1921: Fundação do Partido Comunista Chinês (PCC) com apoio soviético.
- 1927: Ruptura da cooperação entre o PCC e o Partido Nacionalista Chinês (Kuomintang).
- 1934-1935: Longa Marcha, consolidando a liderança de Mao Zedong no PCC.
- 1937-1945: Segunda Guerra Sino-Japonesa, levando a uma aliança temporária entre o PCC e os nacionalistas.
- 1947: Retomada da Guerra Civil Chinesa.
- 1949: O PCC assume o controle da China continental e estabelece a República Popular da China.
- 1976: Morte de Mao Zedong.
- 1978: Início das reformas econômicas sob Deng Xiaoping.
- 2012: Xi Jinping é eleito Secretário-Geral do PCC.
- 22 e 23 de outubro de 2022: O 20º Congresso Nacional elege o Comitê Central, que reconduz Xi Jinping a um terceiro mandato.
- 15 a 18 de julho de 2024: O terceiro plenário aprova a resolução sobre o aprofundamento das reformas.
- 20 a 23 de outubro de 2025: O quarto plenário discute o 15º Plano Quinquenal, confirma a expulsão dos generais He Weidong e Miao Hua e nomeia Zhang Shengmin vice-presidente da Comissão Militar Central.
- Fim de 2025: O partido chega a 101,29 milhões de membros.
- 21 de setembro de 2026: O Politburo marca o quinto plenário para 26 a 29 de outubro e aprova a minuta sobre a governança do partido.
- 26 a 29 de outubro de 2026: Quinto plenário do 20º Comitê Central, em Pequim. Aprova a resolução sobre a governança do partido, confirma a expulsão de 33 dirigentes, entre eles Zhang Youxia e Ma Xingrui, elege Zhang Shengmin para o Politburo e marca o 21º Congresso para o segundo semestre de 2027.
Principais atores
- Mao Zedong: Líder revolucionário e fundador da República Popular da China, figura central na história inicial do PCC.
- Deng Xiaoping: Líder que implementou as reformas econômicas que transformaram a China após a era Mao.
- Xi Jinping: Secretário-geral do PCC desde 2012, presidente da Comissão Militar Central e presidente da República.
- Li Xi: Membro do Comitê Permanente do Politburo e chefe da Comissão Central de Inspeção Disciplinar.
- Zhang Shengmin: General, vice-presidente da Comissão Militar Central desde outubro de 2025 e membro do Politburo desde outubro de 2026.
- Zhang Youxia: General, primeiro vice-presidente da Comissão Militar Central e membro do Politburo até ser expulso do partido, decisão confirmada no quinto plenário, em outubro de 2026.
- Chen Duxiu e Li Dazhao: Fundadores do partido em 1921.
- Sun Yat-sen: Considerado o "Pai da Nação" e "Pioneiro da Revolução" pelo PCC, influenciou figuras políticas nos primeiros anos do partido.
- Kuomintang (KMT): Partido Nacionalista Chinês, principal adversário do PCC na Guerra Civil Chinesa.
- União Soviética: Prestou apoio na fundação e nos primeiros anos do PCC.
Termos importantes
- Centralismo democrático: Princípio organizacional do PCC que implica discussão democrática e aberta sobre a política, com unidade na manutenção das políticas acordadas.
- Plenário: Sessão plenária do Comitê Central. Cada Comitê Central faz vários ao longo do mandato de cinco anos.
- Governança plena e rigorosa do partido: Nome oficial da campanha de disciplina interna e combate à corrupção conduzida sob Xi Jinping.
- Marxismo-Leninismo: Ideologia política e econômica que serve de base para o PCC, combinando as teorias de Karl Marx e Vladimir Lenin.
- Pensamento Mao Zedong: Conjunto de teorias e políticas desenvolvidas por Mao Zedong, adaptando o Marxismo-Leninismo à realidade chinesa.
- Socialismo com características chinesas: Conceito que descreve o sistema econômico e político da China, combinando elementos socialistas com características de mercado.
- Teoria Deng Xiaoping: Conjunto de ideias e políticas que guiaram as reformas econômicas e a abertura da China a partir do final dos anos 1970.
- Tríplice Representatividade: Teoria desenvolvida por Jiang Zemin, que postula que o PCC representa as forças produtivas avançadas, a cultura avançada e os interesses fundamentais da maioria do povo chinês.
- Visão Científica de Desenvolvimento: Conceito introduzido por Hu Jintao, focado no desenvolvimento sustentável e harmonioso.
- Pensamento de Xi Jinping: Ideologia política do atual líder, que enfatiza o socialismo com características chinesas para uma nova era.
Perguntas frequentes
Quantos membros tem o Partido Comunista Chinês? 101,29 milhões no fim de 2025, um aumento de 1,01 milhão em relação ao ano anterior. É o segundo maior partido do mundo em número de filiados.
Qual é a sigla do Partido Comunista Chinês? Em português, PCC ou PCCh. Em inglês, CCP (Chinese Communist Party) ou CPC (Communist Party of China), forma usada pelo próprio partido.
O que é o plenário do Comitê Central? É a reunião de todos os membros titulares e suplentes do Comitê Central, a portas fechadas. O de 26 a 29 de outubro de 2026, o quinto do mandato iniciado em 2022, tratou da disciplina interna: confirmou a expulsão de 33 dirigentes, 16 deles militares, e promoveu o general Zhang Shengmin ao Politburo.
Quem manda no Partido Comunista Chinês? Xi Jinping, secretário-geral desde 2012. Ele preside o Comitê Permanente do Politburo, de sete membros, e a Comissão Militar Central.
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