Trabalho análogo à escravidão: imigrantes são resgatados em oficinas que produziam para marcas de roupas em MG
Vinte e nove imigrantes bolivianos foram resgatados de condições análogas à escravidão em oficinas de costura em Minas Gerais que produziam para as marcas Anne Fernandes e Lore, após denúncias e investigações que revelaram jornadas exaustivas, salários baixos e condições degradantes.
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03/04 às 06:00
Pontos principais
- 29 imigrantes bolivianos foram resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas de costura em Betim e Contagem (MG).
- As oficinas produziam peças para as marcas de roupas Anne Fernandes e Lore, que negam conhecimento das irregularidades.
- Os trabalhadores enfrentavam jornadas de até 68 horas semanais, sem registro em carteira, FGTS ou INSS, e com remuneração abaixo do salário mínimo.
- As condições de trabalho e moradia eram degradantes, com instalações precárias, risco de incêndio e falta de higiene.
- A remuneração era por produção, com descontos que configuravam servidão por dívida, e os valores pagos aos trabalhadores eram ínfimos comparados aos preços de venda das peças.
- As investigações apontam indícios de tráfico de pessoas e terceirização irregular, com as marcas exercendo controle direto sobre a produção.
- As empresas podem ser incluídas na "lista suja" do trabalho escravo e responder por danos morais e verbas rescisórias.
Mencionado nesta matéria
Organizações
Auditoria-fiscal do TrabalhoSecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)Anne FernandesLoreConselho TutelarLore ConfecçõesLagoa Mundau Indústria e Comércio Atacadista de RoupasFundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)Sistema IpêOrganização Internacional do TrabalhoReceita FederalBanco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT)
Lugares
BetimContagemBelo HorizonteMinas GeraisBrasil
