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Massacre de Realengo, 15 anos: os fatores misóginos por trás do crime

Quinze anos após o Massacre de Realengo, pesquisadoras e ativistas feministas destacam a misoginia como um fator central e negligenciado por trás do crime, que vitimou majoritariamente meninas, e discutem a crescente violência em escolas e a necessidade de ações multifacetadas para combatê-la.

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07/04 às 07:28

Pontos principais

  • O Massacre de Realengo, ocorrido há 15 anos na Escola Municipal Tasso da Silveira, resultou na morte de 12 alunos, sendo 10 meninas e 2 meninos, e deixou 10 feridos.
  • Inicialmente focado no bullying sofrido pelo atirador, o debate sobre o crime negligenciou a misoginia, que é o ódio contra mulheres e ideias de superioridade masculina.
  • Pesquisadoras como Lola Aronovich e Cleo Garcia apontam evidências de misoginia, como o maior número de vítimas femininas e a seletividade do atirador, além da associação do criminoso a grupos masculinistas.
  • Cleo Garcia identificou 40 ataques em escolas no Brasil entre 2001 e 2024, com 25 casos entre 2022 e 2024, todos cometidos por homens e frequentemente ligados a misoginia, racismo e ideologias extremistas.
  • A radicalização é impulsionada por comunidades online que exploram frustrações e raiva, construindo modelos de masculinidade violenta e tóxica.
  • Para enfrentar a violência, são necessárias ações integradas que envolvam famílias, escolas, investimentos em educação e saúde mental, além de monitoramento digital e regulação de plataformas que lucram com a radicalização.

Mencionado nesta matéria

Pessoas

Lola Aronovich (pesquisadora e ativista feminista)Cleo Garcia (pesquisadora, doutora em educação pela Unicamp)

Organizações

Escola Municipal Tasso da SilveiraUniversidade de Campinas (Unicamp)IBGE

Lugares

RealengoRio de JaneiroBrasil