Lei contra misoginia não resolve violência, dizem especialistas
Especialistas afirmam que a equiparação da misoginia ao crime de racismo, proposta pelo Projeto de Lei 896 de 2023 aprovado no Senado, não é suficiente por si só para resolver a violência contra a mulher, mas representa um avanço importante na proteção legal.
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03/04 às 06:30
Pontos principais
- O Senado aprovou o Projeto de Lei 896 de 2023, que equipara a misoginia ao crime de racismo, tornando-a inafiançável e imprescritível.
- Especialistas como Berlinque Cantelmo e Júlia Baere concordam que a lei não resolverá sozinha a violência contra a mulher, mas é um passo crucial.
- A lei define misoginia como conduta que "exteriorize ódio ou aversão às mulheres" e busca tratar a misoginia como discriminação estrutural.
- Crimes de injúria por misoginia terão pena de 2 a 5 anos e multa; incitar discriminação contra mulheres terá pena de 1 a 3 anos, podendo dobrar em casos de violência doméstica.
- A lei pode ajudar a proteger mulheres no ambiente digital, dando ao Judiciário ferramentas para combater redes de ódio.
- Críticos de direita argumentam que a lei estimula a divisão, mas especialistas refutam, afirmando que ela criminaliza o comportamento misógino, não o sexo.
- Apesar de possíveis ambiguidades na interpretação, a lei estabelece um limite legal inegociável contra o ódio à mulher, complementando a educação e políticas públicas.
Mencionado nesta matéria
Pessoas
Berlinque Cantelmo (advogado especialista em ciências criminais e sócio do RCA Advogados)Júlia Baere (presidente do grupo de advogadas Elas Pedem Vista)Patrícia Vanzolini (conselheira federal da Secção de São Paulo da OAB)
Organizações
Poder360SenadoCâmaraRCA AdvogadosElas Pedem VistaOAB (Ordem dos Advogados do Brasil)
Lugares
BrasilSão Paulo
