Crédito cresce, mas famílias pagam juros caros e dívidas ‘mordem’ 29% da renda
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 29,3% da renda em janeiro de 2026, excluindo financiamento imobiliário, impulsionado por juros altos e má distribuição de crédito, o que representa um risco para o consumo e o crescimento econômico do país.
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03/04 às 05:00
Pontos principais
- O endividamento das famílias brasileiras, sem financiamento imobiliário, cresceu 30,9% na última década, comprometendo 29,3% da renda total.
- Flávio Ataliba Barreto, do FGV IBRE, descreve o cenário como de "alerta extremo", com 49,7% dos brasileiros endividados.
- O alto endividamento e os juros elevados podem frear o crescimento do PIB, já que o consumo das famílias é a maior parcela da demanda agregada.
- A assimetria na economia brasileira faz com que famílias paguem juros exorbitantes (62% ao ano para crédito pessoal), enquanto governo e grandes empresas se financiam mais barato.
- O crédito consignado para trabalhadores do setor privado e o cartão de crédito são as modalidades que mais crescem, com riscos de endividamento.
- Especialistas alertam que limitar o parcelado no cartão de crédito pode prejudicar consumidores e o varejo, pois o parcelado sem juros é subsidiado pelos altos juros do rotativo.
- A solução para o endividamento exige reformas estruturais, como redução da Selic, diminuição da concentração bancária e menor participação do governo como tomador de crédito.
Mencionado nesta matéria
Pessoas
Flávio Ataliba Barreto (pesquisador associado do FGV IBRE)
Organizações
Banco Central (BC)FGV IBREMorgan Stanley
Lugares
Brasil
