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title: "Xiaomi"
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updated: 2026-08-18T11:30:03.764+00:00
categories: ["world", "business", "technology"]
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Xiaomi

A Xiaomi é uma gigante chinesa de tecnologia, sediada em Pequim, reconhecida globalmente por seu vasto ecossistema de dispositivos conectados e smartphones de custo-benefício. Além de eletrônicos, a empresa expandiu suas operações para o setor de veículos elétricos, integrando todos os seus produtos sob o sistema operacional HyperOS. Atualmente, a companhia ocupa a terceira posição no mercado global de celulares, enfrentando desafios financeiros recentes devido à alta nos custos de componentes.

## O que é a Xiaomi

A Xiaomi é uma empresa chinesa de eletrônicos com sede em Pequim, conhecida no mundo todo por smartphones vendidos a preços agressivos e por um ecossistema amplo de produtos conectados. Fundada em 6 de abril de 2010 por Lei Jun e outros seis sócios — entre eles Lin Bin, Zhou Guangping e Liu De —, a companhia abriu capital na Bolsa de Hong Kong em junho de 2018, levantando US$ 4,72 bilhões, e é negociada sob o código 1810.

O nome 小米 (xiǎo mǐ) significa literalmente "painço", um grão. Lei Jun já atribuiu outros sentidos ao termo: o caractere "xiao" ("pequeno") remete à filosofia budista, enquanto "mi" funciona como sigla para "Mobile Internet" e para "mission impossible".

Hoje a Xiaomi vai muito além de celulares: fabrica tablets, notebooks, TVs, pulseiras e relógios inteligentes, eletrodomésticos, dispositivos de casa conectada e, desde 2024, carros elétricos. Em dezembro de 2025, a empresa reportava 754,1 milhões de usuários ativos mensais globais em seus sistemas, com 43.688 funcionários.

## Onde a Xiaomi fica e onde é fabricada

A sede fica em Pequim, na China. A produção não é feita apenas internamente: a Xiaomi historicamente terceiriza boa parte da fabricação para parceiros e mantém linhas de montagem em diferentes países, além de plantas próprias na China voltadas a produtos de maior valor e à divisão automotiva.

## História e origem

A Xiaomi nasceu como uma empresa de software antes de virar fabricante de hardware. O MIUI, sua interface baseada em Android, foi lançado em 16 de agosto de 2010 — meses antes do primeiro celular da marca — e ganhou tração junto a uma comunidade de entusiastas que instalava o sistema em aparelhos de outras marcas. Essa base de usuários foi o alicerce sobre o qual a companhia construiu a venda de telefones.

A estratégia seguinte foi a expansão por submarcas e por categorias adjacentes: a linha Redmi para a faixa de entrada e intermediária, a POCO (criada em 2018) para aparelhos de custo-benefício voltados a desempenho, e a Mijia para dispositivos de internet das coisas. Em 30 de março de 2021, Lei Jun anunciou um investimento de US$ 10 bilhões na criação de uma divisão de veículos elétricos — a aposta mais cara da história da empresa.

## Linhas de produtos e submarcas

A Xiaomi organiza o portfólio de celulares em três frentes principais:

- **Série numerada Xiaomi** (antiga série Mi) — os aparelhos topo de linha, como o Xiaomi 17 e suas variantes Pro, Pro Max e Ultra.
- **Redmi** — a submarca de volume, com as famílias Redmi Note (intermediária) e Redmi K (desempenho por preço mais baixo, majoritariamente na China).
- **POCO** — lançada em 2018, voltada a aparelhos de custo-benefício com foco em desempenho.

Fora dos celulares, a **Mijia** concentra os dispositivos de casa conectada, e a Xiaomi mantém linhas de tablets (Xiaomi Pad), vestíveis, TVs e eletroportáteis.

### Xiaomi ou Redmi: qual a diferença

Redmi não é uma marca concorrente: é uma submarca da própria Xiaomi. Na prática, aparelhos Redmi ocupam as faixas de entrada e intermediária, enquanto a série numerada Xiaomi fica com o topo de linha. Ambas rodam o mesmo sistema e compartilham o ecossistema de serviços. O mesmo vale para a POCO, que também pertence à Xiaomi.

## HyperOS: o sistema da Xiaomi

O HyperOS é o sistema operacional que sucedeu o MIUI nos aparelhos da marca, unificando celulares, tablets, TVs, dispositivos de casa conectada e os carros elétricos sob uma mesma plataforma.

A quarta geração, o **HyperOS 4**, foi anunciada em 13 de agosto de 2026, com base no Android 17. A principal mudança é visual: a Xiaomi batizou a nova linguagem de design de "Life Aesthetics", com um efeito de translucidez chamado "Soft Light Glass", que aplica transparências e refrações aos elementos da interface. A tela de bloqueio ganhou mais opções de posicionamento e personalização do relógio e novos widgets; na tela inicial, widgets podem ser empilhados no mesmo espaço e reorganizados por gestos.

A camada de inteligência artificial foi ampliada com o **Super XiaoAI 2.0**, que inclui recursos como o Inspiration Ball, um Expert Mode e reconhecimento de elementos exibidos na tela.

O programa beta começou em 14 de agosto de 2026 e vai até 17 de setembro, em liberação gradual — os recursos disponíveis variam conforme o modelo. Os primeiros aparelhos contemplados são as linhas Xiaomi 17 (padrão, Pro, Pro Max e Ultra), Redmi K90 (padrão e Pro Max) e o Xiaomi Pad 8, inicialmente apenas na China, sem data confirmada para o lançamento global.

## A Xiaomi no mercado global de smartphones

A Xiaomi é a terceira maior vendedora de smartphones do mundo, atrás de Samsung e Apple. Segundo levantamento da consultoria Omdia para o segundo trimestre de 2026, a empresa embarcou 31,2 milhões de aparelhos no período, o equivalente a 11% do mercado global — uma queda de 26% na comparação anual.

No mesmo trimestre, a Samsung liderou com 60,5 milhões de unidades e 22% de participação (alta de 5%), e a Apple ficou em segundo, com 55,1 milhões e 20% (alta de 23%). O mercado global como um todo recuou 6%, para 272 milhões de aparelhos, ante 288,9 milhões no segundo trimestre de 2025.

Ou seja: enquanto as duas líderes cresceram, a Xiaomi perdeu volume — um movimento ligado diretamente ao encarecimento dos chips de memória, que pressionou as margens de toda a faixa intermediária de preço.

## Resultados financeiros e o choque de custo de memória

O segundo trimestre de 2026 foi o mais difícil da empresa em anos. A Xiaomi reportou lucro líquido ajustado de 6,2 bilhões de yuans, queda de 42,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita total somou 108,9 bilhões de yuans, recuo de 6,1% na base anual.

A causa central está nos componentes: a margem bruta da divisão de smartphones caiu para 8,5%, ante 11,5% um ano antes, pressionada pelo custo da memória. Os embarques de celulares recuaram 26,5% no período.

O contrapeso veio da divisão automotiva. O segmento que reúne veículos elétricos, inteligência artificial e novas iniciativas teve alta de 17,1% na receita, para 24,9 bilhões de yuans, com 104.199 veículos entregues no trimestre — crescimento de 28,2%. O segmento ainda operou com prejuízo operacional de 2,6 bilhões de yuans, resultado da fase de expansão.

## Carros elétricos: SU7 e YU7

A entrada da Xiaomi no setor automotivo foi anunciada em 30 de março de 2021, com um compromisso de investimento de US$ 10 bilhões. O primeiro carro, o sedã elétrico **SU7**, foi lançado em 28 de março de 2024 e se tornou rapidamente um sucesso comercial na China. O **YU7**, SUV elétrico da marca, chegou em 26 de junho de 2025 e ampliou o alcance da divisão para a categoria de maior volume do mercado global de elétricos.

A divisão automotiva é hoje a principal fonte de crescimento da empresa — e também sua maior fonte de prejuízo operacional, já que a operação segue em fase de escala.

## A Xiaomi no Brasil

A Xiaomi chegou ao Brasil pela primeira vez em 29 de junho de 2015, por meio de parcerias locais, mas encerrou a operação no segundo semestre de 2016.

O retorno oficial foi anunciado em um evento em São Paulo em 21 de maio de 2019, desta vez em parceria com a DL Eletrônicos, empresa brasileira responsável pelo processo de homologação, importação e venda dos aparelhos no país. A primeira loja física da marca, uma Mi Store, foi inaugurada em 1º de junho de 2019 no Shopping Ibirapuera, na capital paulista, com cerca de 210 m². Na mesma ocasião, a empresa lançou seu e-commerce brasileiro. Entre os primeiros aparelhos vendidos oficialmente estavam o Redmi 7 e o Redmi Note 7.

### Homologação e aparelhos "não homologados"

Um ponto de atenção específico do mercado brasileiro: pela regra da Anatel, produtos precisam ser analisados e aprovados pela agência para receber o selo e o número de homologação, e não é permitido comercializar aparelhos ainda não aprovados. Como boa parte dos celulares Xiaomi vendidos no país chega por importação paralela, é comum encontrar modelos sem homologação — sem cobertura de garantia oficial e sem a validação regulatória do aparelho. Vale conferir o número de homologação na base da Anatel antes da compra.

## Redmi Note 17 Pro Max

A Xiaomi confirmou a estreia global da série Redmi Note 17 para 27 de agosto de 2026, com o **Redmi Note 17 Pro Max 5G** como principal aparelho da linha. Entre as especificações divulgadas estão tela CrystalRes AMOLED de 6,83 polegadas com resolução 1.5K e carregamento rápido de 100 W (HyperCharge), com bateria de silício-carbono — as informações divulgadas antes do evento divergem quanto à capacidade exata, entre 9.210 mAh e 10.000 mAh, conforme a variante.

## Por que os aparelhos da Xiaomi são mais baratos

A resposta está no modelo de negócio, não em um corte de qualidade. Em abril de 2018, às vésperas da abertura de capital, Lei Jun assumiu publicamente o compromisso de manter a margem de lucro líquido do hardware abaixo de 5% — e prometeu devolver aos clientes qualquer valor que ultrapassasse esse teto.

A lógica é vender o aparelho perto do custo e monetizar depois, pelo ecossistema: serviços, publicidade dentro do sistema e a venda cruzada de outros dispositivos conectados a quem já entrou na plataforma. É também por isso que aparelhos Xiaomi costumam exibir anúncios em áreas do sistema — uma escolha de modelo comercial, geralmente desativável nas configurações.

## Ecossistema de dispositivos conectados

Além dos celulares, a Xiaomi construiu um catálogo extenso de produtos conectados sob a marca Mijia e por meio de empresas investidas: iluminação, sensores, câmeras, aspiradores, purificadores, eletroportáteis e aparelhos domésticos de nicho — incluindo lançamentos como aquários com automação de cuidados. Todos se integram ao mesmo aplicativo de controle e ao HyperOS, o que reforça o efeito de retenção: quanto mais dispositivos da marca o usuário tem, maior o custo de trocar de plataforma.

Essa amplitude é o que diferencia a Xiaomi de fabricantes que vendem apenas celulares, e é a peça central da estratégia de compensar a margem baixa do hardware principal.

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