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title: "Surto de Ebola 2026"
url: https://dailyjournal.news/topics/surto-de-ebola-2026
updated: 2026-10-27T23:08:19.868+00:00
categories: ["world", "science"]
type: topic
language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Surto de Ebola 2026

Surto de Ebola causado pelo vírus Bundibugyo, espécie sem vacina nem tratamento aprovados, declarado em maio de 2026 em Ituri, no leste da República Democrática do Congo, e tratado pela OMS como emergência internacional desde 16 de maio. É o surto de crescimento mais rápido da história: em 27 de outubro a RDC passou de 10 mil casos confirmados, com letalidade perto de 50%. Houve casos em Uganda, Quênia, Nigéria e França. Um ensaio de vacinas começou em 23 de outubro.

## Visão geral

O surto de Ebola de 2026 é a epidemia da doença pelo vírus Ebola causada pela espécie Bundibugyo, declarada em maio de 2026 na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo (RDC). É o 17º surto de Ebola da história da RDC. Em 16 de maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).

Em 27 de outubro de 2026, o Ministério da Saúde da RDC contava 10.060 casos confirmados, e quase metade dessas pessoas morreu. É o surto de Ebola de crescimento mais rápido já registrado e o de maior alcance geográfico: além da RDC, teve casos confirmados em Uganda, no Quênia, na Nigéria e na França. Não há vacina nem tratamento aprovados contra a espécie Bundibugyo.

## O que é o ebola

O ebola é uma doença grave causada por vírus do gênero dos ebolavírus. Os sintomas aparecem de 2 a 21 dias depois da infecção e começam como uma gripe: febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e fadiga. Depois vêm náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal, e alguns pacientes têm hemorragias. Como esses sintomas são comuns a outras infecções, como malária, o histórico de viagem pesa no diagnóstico.

O vírus não se transmite pelo ar. O contágio acontece por contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos de uma pessoa infectada, em geral quando ela já tem sintomas, ou com o corpo de quem morreu da doença. Por isso os funerais tradicionais da região, em que parentes lavam, vestem e tocam o corpo, espalham o vírus, e as equipes de resposta fazem sepultamentos seguros, com o corpo lacrado.

### A espécie Bundibugyo

O surto de 2026 é causado pelo vírus Bundibugyo, uma espécie rara de ebolavírus. Antes de 2026, ela tinha causado só dois surtos: um no distrito de Bundibugyo, em Uganda, em 2007 e 2008, que deu nome ao vírus, e outro em Isiro, na RDC, em 2012. As vacinas e os tratamentos que existem foram desenvolvidos para outra espécie, o ebolavírus Zaire, que causou os grandes surtos anteriores. Os testes disponíveis também não estavam calibrados para a Bundibugyo, o que atrasou a detecção dos primeiros casos.

## Onde e quando começou

Os primeiros casos foram notificados em 14 de maio de 2026 em Ituri, e o Ministério da Saúde da RDC confirmou o surto em 15 de maio. Uganda declarou um surto no mesmo dia. Investigações posteriores indicam que o vírus já circulava em fevereiro ou março, a partir da cidade mineradora de Mongbwalu, sem ser detectado.

Ituri é uma região de mineração de ouro, com conflitos entre grupos armados (como as Forças Democráticas Aliadas, a Codeco e o M23) e grande circulação de garimpeiros, comerciantes e refugiados. Esses fatores dificultam o rastreamento de contatos e o acesso das equipes de saúde.

## Casos e mortes hoje

Em 27 de outubro de 2026, os dados do Ministério da Saúde da RDC, divulgados pela agência Associated Press, somavam 10.060 casos confirmados no país, com letalidade próxima de 50%. Em 24 de outubro, o balanço oficial registrava 4.841 mortes entre os 9.964 casos confirmados na RDC, uma letalidade de 48,6%. Somados os outros países, o total passava de 4.845 mortes.

O vírus chegou a 66 zonas de saúde em oito províncias da RDC (Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Alto Uele, Baixo Uele, Tshopo, Ubangi do Norte e Ubangi do Sul), contra três zonas quando o surto foi declarado. Ituri, o epicentro, concentra mais de 7 mil casos.

Segundo a AP, cerca de 80% dos novos casos aparecem fora da lista de contatos monitorados, sinal de cadeias de transmissão desconhecidas. O Africa CDC considera que pelo menos 95% dos casos precisariam estar entre contatos conhecidos para o surto ser visto como sob controle. Pelo menos metade das mortes ocorreu entre pessoas que não chegaram a um centro de tratamento. Segundo a NPR, cerca de um terço dos mortos são crianças, e três em cada quatro crianças menores de 5 anos infectadas morreram.

## Vacinas e tratamentos

Não há vacina nem tratamento aprovados contra o vírus Bundibugyo. Em 23 de outubro de 2026, a RDC começou em Bunia um ensaio clínico de vacinas: o primeiro voluntário recebeu a Ervebo, da Merck, aprovada contra o ebolavírus Zaire. Uma vacina experimental da Moderna feita para a Bundibugyo e outra da Universidade de Oxford com o Serum Institute of India podem entrar no estudo nas semanas seguintes, segundo a Bloomberg.

## Países afetados e medidas

- **Uganda**: registrou 20 casos confirmados e 2 mortes. O país declarou o fim do surto local em 28 de julho, e a OMS o certificou em agosto. Em outubro, Uganda proibiu viagens não essenciais de e para a RDC e passou a exigir quarentena de 21 dias de cidadãos que voltam do país vizinho.
- **Quênia**: confirmou o primeiro caso em outubro. Segundo a AP, em 26 de outubro eram nove casos e duas mortes, todos ligados ao primeiro paciente.
- **Nigéria**: confirmou em 20 de outubro o primeiro caso no país, em Abuja: uma mulher nascida em Uganda, casada com um diplomata suíço, que voltava de férias em Kampala. Segundo o Africa CDC, os primeiros pacientes da Nigéria e do Quênia passaram pelo aeroporto de Entebbe, em Uganda, em 3 de outubro.
- **Suíça**: em 26 de outubro, a paciente e o marido, que não tem sintomas, foram levados da Nigéria para a Suíça. Ela é tratada no Hospital Universitário de Genebra; ele está em isolamento em Zurique. Com a remoção, a Nigéria ficou sem casos ativos e segue monitorando 52 contatos.
- **França**: confirmou um caso em 24 de junho, de um médico que voltou de missão humanitária na RDC.

### Violência contra equipes de saúde

As equipes de resposta enfrentam desconfiança e ataques. Em 24 de outubro, um enfermeiro foi morto e outro profissional ficou ferido em Bafwasende, na província de Tshopo, atacados por jovens que os acusavam de espalhar o vírus. Em setembro, um político congolês foi espancado até a morte depois de defender medidas contra o Ebola. Profissionais de saúde fazem greves por bônus atrasados, e a mortalidade materna dobrou em algumas províncias porque grávidas evitam os hospitais.

## Risco para o Brasil

O Brasil nunca registrou um caso confirmado de Ebola. Em junho de 2026, o Ministério da Saúde descartou dois casos suspeitos: um viajante vindo de Uganda no Rio de Janeiro, que tinha malária, e um paciente em São Paulo, que tinha doença meningocócica. A pasta avalia o risco de transmissão no país como baixo, publicou em 1º de junho uma nota técnica para estados e municípios e ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais. A OMS não recomenda restrição de viagens ou de comércio com os países afetados.

## Surtos anteriores

| Surto | Espécie | Casos | Mortes |
|---|---|---|---|
| África Ocidental (2014–2016) | Zaire | mais de 28 mil | mais de 11 mil |
| Kivu do Norte, Ituri e Kivu do Sul, RDC (2018–2020) | Zaire | 3.470 | 2.287 |
| Surto de 2026 (até 27 de outubro) | Bundibugyo | 10.060 confirmados na RDC | quase 5 mil |

O surto da África Ocidental, de 2014 a 2016, continua o maior e o mais mortal da história. Segundo a NPR, no mesmo ponto daquele surto havia cerca de 4 mil infectados, menos da metade do número atual.

O surto de Kivu foi declarado em 1º de agosto de 2018 e encerrado em 25 de junho de 2020. Teve 3.470 casos e 2.287 mortes, com letalidade de 66%, e foi declarado ESPII pela OMS em 17 de julho de 2019.

## Linha do tempo

- **Fevereiro ou março de 2026**: o vírus começa a circular em Mongbwalu, Ituri, sem ser detectado.
- **14 de maio de 2026**: primeiros casos notificados em Ituri.
- **15 de maio de 2026**: RDC e Uganda declaram o surto.
- **16 de maio de 2026**: OMS declara Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.
- **24 de junho de 2026**: França confirma caso em médico que voltou da RDC.
- **28 de julho de 2026**: Uganda declara o fim do surto no país.
- **Outubro de 2026**: Quênia confirma o primeiro caso.
- **18 de outubro de 2026**: o vírus está em 66 zonas de saúde de oito províncias da RDC.
- **20 de outubro de 2026**: Nigéria confirma o primeiro caso, em Abuja.
- **23 de outubro de 2026**: começa em Bunia o ensaio clínico de vacinas.
- **26 de outubro de 2026**: paciente da Nigéria é levada para a Suíça; Uganda impõe quarentena de 21 dias.
- **27 de outubro de 2026**: RDC passa de 10 mil casos confirmados.

## Perguntas frequentes

### Onde está o surto de Ebola de 2026?

O surto começou na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, e em outubro de 2026 atingia oito províncias do país. Teve casos confirmados também em Uganda, no Quênia, na Nigéria e na França, e uma paciente foi levada da Nigéria para a Suíça.

### Quantos casos de Ebola há em 2026?

Em 27 de outubro de 2026, a RDC contava 10.060 casos confirmados, segundo o Ministério da Saúde do país. Em 24 de outubro, eram 4.841 mortes confirmadas na RDC.

### O ebola tem cura?

Não há tratamento aprovado contra o vírus Bundibugyo, que causa este surto. Parte dos pacientes se recupera: até 24 de outubro, cerca de 2.700 pessoas tinham se recuperado na RDC.

### Como o ebola é transmitido?

Por contato direto com sangue, secreções ou fluidos corporais de pessoas infectadas com sintomas, ou com o corpo de quem morreu da doença. O vírus não é transmitido pelo ar.

### O ebola pode chegar ao Brasil?

O Ministério da Saúde avalia o risco como baixo. O Brasil nunca teve um caso confirmado, e os casos suspeitos notificados em 2026 foram descartados.

### Existe vacina contra o ebola?

Existe a Ervebo, da Merck, aprovada contra o ebolavírus Zaire. Contra a espécie Bundibugyo não há vacina aprovada; um ensaio clínico começou na RDC em 23 de outubro de 2026.

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